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terça-feira, 11 de novembro de 2014

O Papa Francisco I



O Papa Francisco I


  Estando em uma sala de espera, peguei para ler um jornal que se encontrava disponível, uma publicação de uma igreja católica com matérias interessantes, sendo uma delas artigo escrito pelo próprio Papa Francisco e uma outra, que o cita, escrita pelo Padre Alexandre José Albuquerque.

  Talvez alguns de vocês estranhem o fato de eu estar citando material oriundo da igreja romana, mas, gosto de lembrar que são cristãos, assim como os evangélicos o são também, com problemas em comum.

  No artigo escrito pelo líder da igreja romana, cujo título é ‘ Ciúme e inveja desmembram a Igreja, que é corpo de Cristo”, Francisco faz um sermão bastante tranquilo sobre  questões a que todos nós estamos acostumados a assistir no seio da igreja, seja de que denominação for. Ele diz, por exemplo, que  não devemos sentir ciúmes, mas sim apreciar nas nossas comunidades os dons e qualidades dos nossos irmãos. Afirma que o ciúme ‘enche o coração, tornando-o ácido e infeliz”.  

  Aconselha, ainda, que demonstremos a nossa proximidade aos que sofrem,  de sermos gratos a todos os que cooperam e que não devemos nos sentir superiores a ninguém. Tudo com embasamento bíblico.

  Porém, o que me chamou mais a atenção foi mesmo o texto de autoria do padre Alexandre, onde ele faz uma citação do papa que realmente me impactou. Por isso, irei reproduzir o texto, para que cada um o leia, reflita e se posicione na sua comunidade.


Fernando Marin


“Não quero uma Igreja preocupada em ser o centro”


  Nesse mês repasso na íntegra o número 49 da Exortação Evangelli Gaudium do Papa Francisco. Texto tão bonito e tão forte que serão desnecessários meus comentários. Reflitamos:

”Saiamos, saiamos para oferecer a todos a vida de Jesus Cristo! Repito aqui, para toda a igreja, aquilo que muitas vezes disse aos sacerdotes e aos leigos de Buenos Aires: prefiro uma igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às suas próprias seguranças.

  Não quero uma igreja preocupada com o ser centro, e que acaba presa em um emaranhado de obsessões e procedimentos. Se alguma coisa nos deve santamente inquietar e preocupar a nossa consciência é que haja tantos irmãos nossos que vivem sem a força, a luz e a consolação da amizade com Jesus Cristo, sem uma comunidade de fé que os acolha, sem um horizonte de sentido e de vida. Mais do que o temos de falhar, espero que nos mova o medo de nos encerrarmos nas estruturas que nos dão uma falsa proteção, nas normas que nos transformam em juízes implacáveis, nos hábitos em que nos sentimos tranquilos, enquanto lá fora há uma multidão faminta e Jesus repete-nos sem cessar: ‘Dai-lhes vós mesmos de comer (Mc 6.37)”.

Padre Alexandre José Albuqueruqe 

Fonte: Bendito - Paróquia N.Sra da Conceição

 Francisco (em latim: Franciscum), nascido Jorge Mario Bergoglio SJ é o 266.º Papa da Igreja Católica Apostólica Romana e atual chefe de estado do Vaticano. É o primeiro jesuíta e o primeiro sul-americano a ser eleito Papa, além de ser o primeiro pontífice não-europeu em mais de 1200 anos. Arcebispo de Buenos Aires desde 28 de fevereiro de 1998 e cardeal-presbítero desde 21 de fevereiro de 2001, foi eleito em 13 de março de 2013.


domingo, 2 de novembro de 2014

Os Palestinos, Israel e a Igreja - Parte Final




 Os Palestinos, Israel e a Igreja - Parte Final

 Essa é a parte final da história que nos mostra as origens dos conflitos entre Israel e Palestina. O artigo completo, dividido em 3 partes, é de autoria do Pr Julio César Paiva Gonçalves, a quem agradeço pela autorização para a publicação aqui no blog.

 A leitura das três partes dará o entendimento pleno dessa questão, que tanto tem entristecido ao mundo.

Fernando Marin


 Os Palestinos, Israel e a Igreja - Parte Final


QUEM É O ISRAEL DE DEUS HOJE?

 Mais uma vez entramos em terreno pantanoso, porém, necessário. Se queremos entender com profundidade o conflito na Faixa de Gaza, bem como a rixa milenar entre muçulmanos e judeus, precisamos compreender que a inaceitação de Israel frente aos territórios ocupados pelos palestinos remete-se, em seu entendimento, a uma promessa: de que é povo sagrado do Senhor, nação escolhida pelos céus como herdeira de uma herança irrevogável. Mas, será de fato isso ainda válido hoje?

 Como já apresentamos na última semana, a eleição de Israel repousa sobre Abraão, que ganha a promessa de uma terra peculiar:
Disse o Senhor a Abrão, depois que Ló separou-se dele: "De onde você está, olhe para o Norte, para o Sul, para o Leste e para o Oeste: Toda a terra que você está vendo darei a você e à sua descendência para sempre. Tornarei a sua descendência tão numerosa como o pó da terra. Se for possível contar o pó da terra, também se poderá contar a sua descendência. Percorra esta terra de alto a baixo, de um lado a outro, porque eu a darei a você". (Gênesis 13:14-17)

 À luz das Sagradas Escrituras não há o que discutir. Houve uma promessa de Deus sobre a vida de Abraão e seus descendentes. Entretanto, e aqui está um ponto relevante, as promessas de Deus sempre foram condicionadas à obediência:
“Se, todavia, o seu coração se desviar e vocês não forem obedientes, e se deixarem levar, prostrando-se diante de outros deuses para adorá-los, eu hoje lhes declaro que sem dúvida vocês serão destruídos. Vocês não viverão muito tempo na terra em que vão entrar e da qual vão tomar posse, depois de atravessarem o Jordão”. (Deuteronômio 30:17-18)

 Paulo, que não estava condicionado ao dispensacionalismo teológico, interpreta a era atual como a era da igreja. Ou seja, nós, os que cremos em Jesus, somos hoje o Israel de Deus, a verdadeira descendência de Abraão, a partir da primeira vinda de Cristo:
Não pensemos que a palavra de Deus falhou. Pois nem todos os descendentes de Israel são Israel. Nem por serem descendentes de Abraão passaram todos a ser filhos de Abraão. Pelo contrário: "Por meio de Isaque a sua descendência será considerada". Noutras palavras, não são os filhos naturais que são filhos de Deus, mas os filhos da promessa é que são considerados descendência de Abraão. (Romanos 9:6-8)

 Israel, então, foi esquecido pelo Senhor? De modo nenhum! Haverá um remanescente, um povo da linhagem física de Abraão, fiel a Jesus e guardado para os últimos dias:
Pergunto, pois: Acaso Deus rejeitou o seu povo? De maneira nenhuma! Eu mesmo sou israelita, descendente de Abraão, da tribo de Benjamim. Deus não rejeitou o seu povo, o qual de antemão conheceu. Assim, hoje também há um remanescente escolhido pela graça. Irmãos, não quero que ignorem este mistério, para que não se tornem presunçosos: Israel experimentou um endurecimento em parte, até que chegasse a plenitude dos gentios. E assim todo o Israel será salvo, como está escrito: "Virá de Sião o redentor que desviará de Jacó a impiedade. E esta é a minha aliança com eles quando eu remover os seus pecados". (Romanos 11:1-2, 5, 25-27)

 É preciso entender isso com mais clareza. O Estado de Israel que conhecemos hoje, como um país legitimado pela ONU, não representa o povo da aliança com Deus. Israelita, dentro da ótica neotestamentária, é uma questão do coração, e não mais de raça. O fato de Israel ter se organizado como nação autônoma novamente em 1948, e voltado para o território bíblico, não está associado ao cumprimento de profecias messiânicas, pois todos os textos que tratam da volta de Israel para a terra sagrada referem-se ao Reino Milenar de Cristo, após, evidentemente, o seu segundo retorno.

 Mas, fazendo jus à irrevogabilidade das promessas celestes – e aqui quero a sua atenção – como vimos no texto acima, haverá um retorno dos judeus ao Senhor nos últimos tempos, quando cessar o tempo do seu endurecimento espiritual.

 A pergunta mais importante a ser feita é: você faz parte do Israel de Deus hoje? Os que estão em Cristo podem, de forma inconfundível, ser chamados de povo eleito do Senhor! Alegre-se nessa realidade, meu amigo e irmão!


Julio Cesar Paiva Gonçalves

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

OS PALESTINOS, ISRAEL E A IGREJA II







Israel, Palestina e a Igreja II


 Esta é a segunda parte do artigo escrito pelo Pr Julio César Paiva Gonçalves sobre a antiga questão que envolve a belicosidade existente entre o povo de Israel e o da Palestina. A primeira parte está postada no blog anteriormente, e esta segunda parte ajudará bastante àqueles que desejam compreender melhor o assunto.


PALESTINOS E JUDEUS – A QUEM PERTENCE A TERRA PROMETIDA?

 Basicamente, essa é a questão central que permeia a crise entre judeus e muçulmanos: a quem pertence a Terra Prometida? Esse entrevero traz consequências terríveis não só para o Oriente Médio, mas para todo o planeta, tendo pleno potencial para se transformar no estopim de uma nova guerra mundial.
 Teologicamente, há quem creia que o restabelecimento do Estado de Israel faz parte dos planos divinos para a chegada do fim, visto que Israel representa o relógio de Deus para a concretização das profecias messiânicas. Assim, os palestinos devem ser de fato expulsos do território que pertence biblicamente aos judeus, pois isto faria parte da preparação para a volta de Cristo.
 Terá esse pensamento validação teológica? Será ele coerente com a mensagem das Escrituras Sagradas? Vejamos a resposta a partir de um breve relato histórico e uma objetiva constatação bíblica, reconhecendo mais uma vez o terreno pantanoso sobre o qual trilhamos em relação a este dilema.
 Por volta do ano 2000 a.C., Abraão recebe o mandato divino para deixar a Mesopotâmia e rumar para Canaã, em busca de um território que seria destinado aos seus descendentes ao longo dos séculos vindouros. Somente por volta de 1240 a.C., sob a liderança de Josué à frente de Israel, tal promessa começa a tomar forma, alcançando a sua consumação debaixo dos reinados de Davi e Salomão, pelos idos do século X a.C.
 Com o rei Roboão, neto de Davi, Israel é fragmentado em dois reinos: o Reino do Norte, cuja capital é Samaria, e o Reino do Sul, com Jerusalém como centro. O primeiro cai sob o domínio assírio, e nunca mais se restabelece, em 722 a.C. O segundo cai diante de Babilônia, no ano 586 a.C. Desde este período, a não ser por breves intervalos de tempo, os judeus jamais voltaram à autonomia política em relação ao seu território, passando pela jurisdição babilônica, persa, grega e romana. No ano 70 d.C., Jerusalém, que naquele tempo estava sob o domínio do Império Romano, foi destruída e em 135 d.C., os judeus foram expulsos da cidade e passaram a viver em diferentes partes da região.
 A Palestina passou a estar sob o domínio dos muçulmanos a partir do ano 638 d. C., quando Omar era o califa. Este domínio permaneceu até o ano 1918, exceto por alguns anos durante as Cruzadas, o que representa cerca de mil duzentos e oitenta anos sob o domínio muçulmano. Foi a partir de então que a região passou a estar sob o Protetorado Britânico.
 De 1880 em diante o número de judeus que se estabeleceram na Palestina, fugindo da perseguição antissemítica que estava havendo na Europa, começou a aumentar significativamente. Nessa época, 5% da população era composta por judeus e 95% por árabes palestinos. Quando os árabes perceberam as intenções a longo prazo dos judeus, passaram a ter uma atitude mais violenta.
 Em 1917, na Inglaterra, foi assinada a Declaração de Belfour, em que se reconhecia o direito dos judeus a terem sua própria pátria, com a ressalva de que em nenhum momento os árabes palestinos poderiam ser prejudicados pelas concessões feitas aos judeus.
 A violência entre os dois grupos continuou em aumento até que, em 1947, a Organização das Nações Unidas aprovou um plano que dava 52% das terras para os judeus (que então representavam 31% da população e possuíam legalmente apenas 6% das terras) e 48% para os árabes (que representavam 69% da população).
 Em 1948 o Estado Judeu foi estabelecido. Os árabes, inconformados com o que eles entendiam ser uma grande injustiça, se levantaram contra os judeus, foram derrotados e, no processo, perderam ainda mais território. Como resultado desta situação, ainda hoje há 3.5 milhões de palestinos refugiados em diferentes países do Oriente Médio.
 Este acontecimento foi visto por muitos cristãos como o “início do fim” e o cumprimento de promessas bíblicas. O povo judeu precisava de um território próprio, depois de sofrer intensamente o holocausto levado a cabo pelos nazistas. O problema era que a Palestina já era habitada pelos árabes palestinos há mais de mil anos, ou seja, há muito mais tempo do que o Brasil foi descoberto! O mundo tinha sido compreensivelmente simpático aos judeus que sofreram terrivelmente, mas ignorou os direitos e o clamor do povo palestino, que vivia naquele lugar há vários séculos. 
 Seiscentos e cinquenta mil muçulmanos e 55 mil cristãos palestinos foram expulsos de suas casas. O novo governo de Israel destruiu mais de 400 povoados palestinos. Desde então milhares, principalmente palestinos, morreram em meio às intermináveis batalhas. Milhares de árabes (muçulmanos e cristãos) continuam sem uma casa, sem uma pátria, o que só faz aumentar em larga escala esse conflito que parece não ter um fim visível.
 Que uma coisa fique clara: amo o povo judeu e tenho integral consciência de que a fé cristã deve sua existência ao judaísmo, do qual é herdeira direta. A princípio o Cristianismo não era visto como um novo movimento religioso, mas sim uma facção judaica. Jesus era judeu, os apóstolos eram judeus, a primeira igreja era judia. Também abomino e rechaço veementemente as ações radicais islâmicas. Entretanto, resta-nos saber se esse Israel de hoje representa o povo que biblicamente é chamado de povo de Deus, sujeito às promessas dos céus, com direito incondicional à Terra Prometida.
 Sobre isso, falaremos com mais calma na próxima semana! Até lá e que Deus nos abençoe!
Julio Cesar Paiva Gonçalves

domingo, 19 de outubro de 2014

Não tenha medo, tenha fé!


 Não Tenha Medo, Tenha Fé !


Por: Fernando Marin



  Fé, palavra pequena, bastante ouvida, principalmente nas igrejas sejam elas de qualquer denominação. A fé é , de acordo com a Bíblia, “... a certeza de que vamos receber as coisas que esperamos e a prova de que existem coisas que não podemos ver.” (Hebreus, 11.1 NTLH). Assim, aquele que tem fé crê e tem a certeza daquilo em que acredita, pelo menos em teoria.

  Digo em teoria porque sendo pastor – mesmo não estando hoje à frente de uma igreja – converso com inúmeras pessoas, muitas delas evangélicas , “crentes” como costumamos ser chamados por aí.   E isso é que justamente me trouxe a necessidade dessa reflexão, tenho observado mesmo em nosso meio uma falta generalizada de fé. Tenho visto cristãos nervosos, tristes, preocupados, apavorados, ansiosos, claro, sei dos problemas que a vida moderna nos trás, sei das lutas e dificuldades do dia a dia na vida das pessoas, na minha, inclusive. Porém, noto que falta fé.

  Creio que se lêssemos mais a Palavra, entenderíamos melhor o que significa fé. Se lêssemos mais o capítulo 1 de Hebreus 11, e conhecêssemos mais um pouco sobre a vida das pessoas ali citadas, com certeza nossas vidas seriam mais abençoadas. Sabem por que? Porque é o próprio Deus quem diz “Sem fé ninguém pode agradar a Deus, porque quem vai a ele precisa crer que ele existe e que recompensa os que procuram conhecê-lo melhor.”( Hebreus 11.6 NTLH) . Assim, a fé é o primeiro passo para que Deus possa nos recompensar com as suas inúmeras bênçãos.

  A Bíblia nos dá uma série der exemplos de homens e mulheres de fé, como Noé, por exemplo, que construiu, por crer em Deus, ,uma enorme arca no meio do deserto, em um lugar onde nunca havia chovido, e salvou a sua família e os animais que Deus enviou do grande dilúvio.

 Outro bom exemplo é o apóstolo Paulo, que pela fé em Jesus foi açoitado, apedrejado, preso, passou por naufrágios e depois disso tudo ainda disse “Com a força que Cristo me dá posso enfrentar qualquer situação” (Filipenses 4.13 NTLH) !

 Sim, nossa vida é cheia de dificuldades, e o próprio Jesus nos disse isso em João 16.33, “Eu digo isso para que, por estarem unidos comigo, vocês tenham paz. No mundo vocês vão sofrer; mas tenham coragem. Eu venci o mundo.”

  Coragem!! Fé !! Trabalho!! Cristo estará conosco todos os dias, foi que Ele prometeu! (E lembrem disto: eu estou com vocês todos os dias, até o fim dos tempos. – Mateus 28.20 NTLH)
.
  O Novo Testamento nos dá uma palavra de ânimo, em Marcos 5 , quando Jairo, o principal da sinagoga, munido de boa dose de fé , vai a Jesus e pede ajuda, pois a sua filha de 12 anos estava morrendo, e aquele homem implora a Jesus que fosse à sua casa e que impusesse as mãos sobre a menina para que ela sarasse e vivesse. Um pouco depois chegam alguns empregados de Jairo e dizem que a menina já tinha morrido, e que não adiantava incomodar o Mestre. E Jesus diz a Jairo:   Não tenha medo, tenha fé”!  E chegando à casa de Jairo, mesmo encontrando pessoas chorando alto, como é costume dos povos orientais, e mesmo com o desdém de alguns, Jesus ordena que a menina se levante, e ela logo estava de pé e curada!

  Poderia citar aqui uma série de passagens bíblicas que enfatizam a fé como a maior forma de adoração a Deus, mas, creio que o leitor por si só pode conhece-las melhor através da leitura da Bíblia.

  Fé! Em meio às dificuldades, às lutas desta vida, o principal é termos fé! E a fé vem de lermos e ouvirmos a Palavra de Deus. Creio que é isso o que mais nos falta hoje.


  E que Deus nos abençoe a todos!

Fernando Marin

domingo, 28 de setembro de 2014

Pela Participação na Política






Pela Participação na Política

  Mais um ano de eleições, e fico espantado em verificar que a maioria do povo brasileiro continua apática e desinteressada pelo processo eleitoral. Noto que muitos decidiram não mais participar do processo, simplesmente deixaram de votar, alegando que de nada adianta e que não há jeito de o Brasil mudar.

  Também já pensei assim, até poucos anos atrás. Até que um dia refleti e descobri que eu sou parte importante nesse processo. Creio que o que realmente de nada adianta é apenas reclamarmos dos governos, consolados pelo fato de que não fomos responsáveis pela sua eleição.

  Creio que de nada adianta ficarmos apenas falando mal, acusando políticos de corrupção e nos mantermos de fora da política. É como se estivéssemos atirando pedrinhas em uma fortaleza, na qual estão encastelados os corruptos e aproveitadores do dinheiro público.

  Entendi que há dois caminhos que podem ser tomados. O primeiro, é o que muitos escolheram, reclamar, falar mal e se manter de fora. O segundo, é o do engajamento, o do sacrifício, o da participação ativa visando uma mudança significativa na qualidade dos eleitos.

  Optei  pelo segundo caminho, deixei de reclamar apenas, estudei, aprendi, conversei e hoje estou colaborando para a eleição de alguém que conheço e sei da sua honestidade, da sua ética e da disposição de trabalhar por um país melhor.

  Já me perguntaram quanto eu estou recebendo por isso. Não estou ! Temos que deixar de ver a política apenas como uma forma de se ganhar dinheiro, licitamente ou não. Aliás, experimente participar da campanha de alguém (ético). Ao final, responda a essa pergunta: quem são mais corruptos, eleitores ou políticos?

  Candidatos em campanha são diariamente assediados por pessoas de todos os níveis sociais que pedem uma série de coisas, algumas até mesmo absurdas. Outras, em troca de polpudos pagamentos, oferecem centenas, milhares de votos ao candidato, se dizendo liderança reconhecida em uma comunidade, bairro, região.

  Nos últimos meses, já fui procurado por eleitores que me pediram empregos, dentaduras, cestas básicas, remédios, trios elétricos, um milhão de reais, dinheiro para adquirir bens diversos, carros, materiais de construção, cirurgias plásticas e por aí vai.



  Política no Brasil tem que deixar de ser apenas um negócio rentável e se transformar em serviço para a população, e isso somente acontecerá quando os eleitores participarem ativamente das eleições, votando conscientemente e em candidatos que realmente possam trabalhar com honestidade pelo povo.

  São muitos os problemas que assolam a nossa gente, e muitos já poderiam estar resolvidos há anos, acreditem. Não o são porque se tornaram moeda de promessas eleitorais, que nunca serão cumpridas.

  Também me preocupo quando ouço que política não é coisa para pessoas de bem. Exatamente por causa desse pensamento é que muitos acabam ingressando nela, se aproveitando da ausência dos homens corretos e instalando a corrupção e a roubalheira no poder.

  Pare, pense, reflita. O regime democrático pressupõe a participação de todos.

  Pesquise, pergunte, participe, ajude a formar um país melhor no futuro.

  E vote certo!

Fernando Marin

domingo, 24 de agosto de 2014

OS PALESTINOS, ISRAEL E A IGREJA (1)






  Creio que todos nós estamos acompanhando com pesar e preocupação a questão que envolve judeus e palestinos, uma guerra que já causou milhares de mortes e que não tem perspectiva de solução, já que não há acordo entre os envolvidos. 

  Essa questão tem raízes históricas, que muitos não conhecem. Por isso, transcrevo abaixo um artigo escrito pelo Pr Julio César Paiva Gonçalves que nos ensina as raízes e causas dessa animosidade entre dois povos irmãos.


  Essa é apenas a primeira parte, as demais serão publicadas posteriormente, à medida em que o autor as produza

Fernando Marin


OS PALESTINOS, ISRAEL E A IGREJA (1)



“Tenha cuidado para que, ao lutar contra o dragão, você não se transforme em um dragão também”. Nietzsche

  Inegavelmente, poucos povos foram tão perseguidos e vilipendiados, ao longo dos séculos, como o povo judeu. Desde as páginas bíblicas até a história secular atestamos o sofrimento desse povo sem pátria, errante, peregrino em terra estranha, pelo menos até a primeira metade do século passado. Soa-nos cruel a declaração de Mahmoud Ahmadinejad, o ex-presidente iraniano, ao afirmar que o holocausto judeu nunca ocorreu. Todos nos condoemos com tão triste barbárie, os campos de extermínio alemães, que mostra o quanto o ser humano pode ser tão mau contra o seu semelhante.


  Pois bem, Israel, considerado biblicamente o povo da aliança com Deus, a nação eleita pelos céus, poderia aprender com sua própria história de dores e agruras, de tormentos infindáveis, a não repetir as injustiças sofridas contra um outro povo agora na sua mesma situação. Mas não é o que temos visto no conflito existente na Faixa de Gaza. É indiscutível a superioridade bélica de Israel em relação aos refugiados palestinos, e, mesmo sabendo dos ataques terroristas islâmicos contra os judeus, não podemos aceitar a campanha genocida abraçada por Benjamim Netanyahu e seus comandados políticos, ao perpetrarem um massacre reprovável aos olhos do mundo.

  Quero convidar você a entender comigo, a partir de agora, um pouco do que está por detrás desse conflito, que é de ordem milenar. Começo hoje uma série de reflexões acerca de tal tema, que entendo ser tremendamente polêmico, e, portanto, discutível e sujeito às críticas mais diversas. Tentaremos caminhar por um viés histórico e bíblico, a fim de que a nossa compreensão dos fatos seja a mais aguçada possível.

  Quando o Estado de Israel foi formado, em 1948, milhares de palestinos árabes (muçulmanos e cristãos) foram expulsos das terras onde eles e seus ancestrais viviam há mais de mil anos. Isto fez com que campos de refugiados palestinos fossem formados em diferentes países do Oriente Médio e na própria Palestina. As pessoas que neles vivem são consideradas cidadãs de segunda classe, sem esperança e sem perspectiva de um futuro melhor. Milhares de árabes palestinos, assim como de judeus e cristãos, já morreram como resultado das tensões causadas por esta situação. A cada semana, mais mortos são adicionados à lista. 

  Tal realidade faz com que os muçulmanos em geral, mas particularmente os que vivem no Oriente Médio e Norte da África, alimentem um forte ódio contra os judeus e cristãos de todo o mundo. Contra os judeus até podemos entender a razão de tal animosidade, mas por qual motivo existe a ira contra os cristãos também? Em parte por causa das convicções e ações de cristãos evangélicos sionistas. O que vem a ser isso? Vejamos. 

  O Sionismo é um movimento de ordem internacional para o retorno do povo judeu à sua pátria e a retomada da soberania judia na Terra de Israel. Há muitos cristãos evangélicos que aderiram à causa sionista, crendo que o cumprimento de algumas profecias bíblicas passa pela reaquisição da chamada Terra Prometida pelo povo judeu, que deve reocupar o território palestino em toda a sua extensão original, tal qual nos governos de Davi e Salomão. Para tais cristãos, Deus continua a tratar Israel como a “menina dos seus olhos”, sendo o moderno Estado de Israel a personificação viva de algumas das promessas das Escrituras Sagradas.

  Assim, ocorre um apoio incondicional de milhões de cristãos evangélicos ocidentais a praticamente todas as decisões e ações politicas do governo israelense. Alguns fatos dignos de nota:

• Uma espécie de limpeza étnica de árabes palestinos (muçulmanos e cristãos) é interpretada como se fosse a implementação da vontade de Deus e o cumprimento de profecias.
• O muro de cerca de dez metros de altura e de quilômetros de extensão, que separa Belém e outras cidades da Cisjordânia de Israel, e que traz consequências politicas, econômicas e sociais irreparáveis para os árabes palestinos (muçulmanos e cristãos), é visto como um mal irreparável.
• Cristãos sionistas de todo o mundo enviam milhões de dólares para Israel, a fim de sustentar a criação de assentamentos considerados ilegais pelas Nações Unidas, acirrando a violência entre árabes e judeus.
• Igrejas evangélicas no Brasil e no mundo desenvolvem liturgias com espalhafatosos componentes do judaísmo vétero-testamentario, produzindo uma quase idolatria aos costumes e tradições judaicos.

Como resultado de toda essa ação discriminatória, fica cada vez mais difícil um cristão ocidental falar do amor de Jesus para os muçulmanos em todo o mundo, visto que nossas posturas são consideradas contraditórias em relação às nossas palavras. Novamente, digo: tenho plena ciência da dificuldade de lidar com um assunto tão vasto e complexo, mas precisamos emitir opiniões que nos ajudem a buscar uma via alternativa para resolução desse conflito. É necessário olhar esse dilema por outro ponto de vista, por uma ótica não tradicionalmente fomentadora de tantos ressentimentos e dissensões. 

  Nas próximas semanas estaremos ainda tratando desse tema, buscando elucidar questões acerca das quais ouvimos, mas que nos fogem à compreensão plena.

  Que Deus nos abençoe!

Júlio Cesar Paiva Gonçalves

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Educação e Contemporaineidade






   Muito se fala hoje de educação. O povo cobra escolas melhores, os professores lutam por melhores salários e condições de trabalho, o governo anuncia a cada ano mais verbas , porém na prática o que vemos é que as mudanças não acontecem.

   Estudei em escola pública, na década de 60, quando essas eram as referências em padrão de ensino. Depois, me transferi para uma conhecida escola particular, tradicional, rígida, e isso me deu condições de aprendizado para ousar voos mais altos.

   Mas, se olharmos à nossa volta hoje, o que encontramos? A educação pública aos frangalhos, às vezes as estruturas escolares até são de boa qualidade, porém os professores estão despreparados ou desmotivados. Em algumas partes do país, as escolas não dispõem de nenhuma estrutura física, os professores trabalham por amor - recebem salários irrisórios - e não vemos nenhuma expectativa de mudança nos métodos utilizados, parece que não há mesmo interesse algum em que nossos jovens aprendam a serem verdadeiros cidadãos, que eles aprendam para se tornarem bons profissionais.

   Já o ensino particular parece que baixou os seus níveis para se adequar ao público. Paralelamente, o ensino privado hoje se tornou uma mercadoria, entregue para aqueles que podem pagar bem por ela.

   E quanto ao futuro? O que devemos esperar? Como obter essas tão necessárias mudanças?

   Reproduzo aqui um artigo escrito pela Jéssica Simões, estudante de pedagogia, de quem tive a honra de ser professor.

   Com muita simplicidade e lucidez, a Jéssica nos mostra claramente o que e como devemos buscar.

   Fica aí a esperança de dias melhores !


Educação e contemporaneidade

        O papel principal  da educação é o de formar cidadãos conscientes de seus atos, humanizá-los para  conviverem  em sociedade,respeitando as opiniões diferentes da sua,  fazendo  a relação entre o que é ensinado na sala de aula e o que ele vivencia fora dela. Fazemos então uma relação entre a educação quando ainda era aplicada como paidéia ¹ na Grécia e a educação na atualidade.

  Se pararmos para pensar, a educação vem mudando o seu objetivo de acordo com o tempo, pois na Grécia  sua educação era classificada como paidéia  , onde havia o desejo de se realizar uma educação completa, não só no sentido religioso, mas de forma geral. Não se tem  uma definição única para paidéia, mas muitos a classificam com o sentido  de propor a felicidade entre a sociedade, onde havia a troca de informações dos mais experientes  para os jovens. Sócrates e Platão nesta época utilizavam o método de levar os indivíduos a pensarem  nas respostas de suas próprias perguntas. Essa forma de fazer com que o individuo pense é nomeada como Maiêutica.  A  educação paidéia  respeitava o conceito de dimensão superior, ou seja, o homem não se importa só com o corpo,mas com o seu  lado espiritual,pois para eles não é somente nasceu, viveu , morreu e acabou.

       Diferentemente dos conceitos da educação paidéia, a educação  moderna gira em torno do capitalismo, onde a sociedade a classifica  como algo primordial, pois é a partir dela que o individuo irá conseguir um emprego.É preciso que o individuo se qualifique cada vez mais fazendo cursos, faculdades, para conseguir um trabalho classificado como “bom” onde terá uma “renda salarial” melhor, para conseguir viver em meio a uma sociedade que se importa mais com o “ter” do que com o “ser”.

     Escutamos sempre a mídia falando sobre “ EDUCAÇÃO DE QUALIDADE” mas  na verdade não é isso que presenciamos , muitas escolas não possuem uma boa estrutura, não há a exploração dos saberes culturais que seus alunos possuem, alguns professores se consideram  incapazes de dominar os conteúdos que devem ser transmitidos de maneira clara ao seus alunos, fazendo com que eles pensem em como chegar ao resultado daquele assunto.  E  por não conseguir acabam  por adotar a educação bancária como o principal método de ensino , o que torna  suas aulas monótonas e mecânicas, fazendo com que haja a desistência dos alunos. Sem contar na quantidade de crianças que não tem acesso a escola pelo fato de já estarem lotadas.

     Essa educação de qualidade pode ser que seja  o que as indústrias consideram como maior lucro, pois quanto mais trabalhadores capacitados mais lucro para a empresa. 

     Pode-se pensar na probabilidade de que esta educação de qualidade esteja voltada para que haja a igualdade na sociedade. Mas como haver igualdade se não há cursos profissionalizantes o bastante para todos? Para se conseguir  ter acesso a uma faculdade ou curso gratuito é necessário que o individuo passe por uma prova  imposta pelo governo ( um exemplo é o ENEM).Mas como esse aluno de escola pública que não sabe nem estruturar uma redação simples ,pois na escola isso não é muito explorado quando na verdade  o correto seria que desde as séries iniciais os professores já incentivá-los a escrever , alunos que muitas vezes voltaram para casa por causa da ausência do professor ou até mesmo por desinteresse pelas aulas serem tão monótonas, por precisar trabalhar para ajudar em casa,a disputa com alunos de colégios particulares que tem aulas mais rígidas e condições de pagar uma faculdade particular  mas querem concorrer com os menos favorecidos, por estas e diversas outras razões hà a dificuldade para esses alunos conseguirem ingressar numa faculdade com a nota do ENEM.  

     O governo não se importa se você possuiu ou não aquelas disciplinas durante todos os seus anos de estudo, ele só impõe o que realmente deveria ter sido passado, pois o sistema escolar possui uma grade curricular imposta pelo governo com todos os conteúdos que devem ser  seguidos, mas como o tempo é  curto e muitos professores  não o aproveitam de maneira correta, acaba por prejudicar os alunos da rede pública.

     Para concluir faço uma citação do que Malala diz em uma entrevista à BBC “A MELHOR MANEIRA DE SUPERAR OS PROBLEMAS E LUTAR CONTRA A GUERRA É ATRAVÉS DO DIÁLOGO”.

       Se quisermos que haja a modificação deste quadro onde a educação ainda é vista de maneira desvalorizada é necessário que isso comece nas salas de aulas, com os professores conversando com os seus alunos sobre o que realmente estamos vivenciando, fazendo relação entre o que é ensinado e o que está acontecendo fora das salas de aula,  fazendo com que seus alunos obtenham um saber mais critico que saiba opinar nas decisões de seu governo.

     Pois  como Malala mesmo cita “ O maior defeito do nosso governo é achar que virá um próximo e consertará” ,  se pensarmos assim, nunca irá haver uma  mudança, pois vivemos em torno de procurar melhorias para nós mesmos, quando na verdade ao assumir o papel de político o que deveria ser feito é pensar no coletivo na melhoria do país em geral. Quando  os governantes perceberem que seus cidadãos já sabem dos seus direitos, começando a cobrar do governo o que é preciso mudar, haverá de certa forma uma mudança. Se o indivíduo  chega a ser GOVERNANTE, ou a qualquer outro  cargo político é porque a SOCIEDADE  permitiu que esse cidadão chegasse a esse cargo,  e somente a sociedade pode fazer com que o mesmo não preencha mais esse cargo.

      Não é necessário que haja uma confusão para se conseguir isto, e necessário que a sociedade saiba dialogar entre si de forma crítica para mudar este quadro de desleixo tanta na educação quando no modo de vida em geral dos cidadãos menos favorecidos.

Jéssica Simões
Estudante de Pedagogia

¹ Paidéia - Segundo Werner Jaeger (2001), Paidéia era o "processo de educação em sua forma verdadeira, a forma natural e genuinamente humana" na Grécia antiga. O termo também significa a própria cultura construída a partir da educação. Era este o ideal que os gregos cultivavam do mundo, para si e para sua juventude