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quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

É Natal !






É Natal !

                                                                                                              Por: Fernando Marin

  Voltando do trabalho, ontem à noite, pude observar nossa cidade ornamentada, com muitas luzes, pisca-piscas nas casas e muito movimento nas ruas. As lojas, cheias, as pessoas carregadas de pacotes, os supermercados lotados, o trânsito complicado. Os bares, esses também estão lotados, nessa época são muitas as confraternizações e trocas de presentes entre os amigos secretos, prática bastante usual entre colegas de trabalho.
  Os noticiários destacam as previsões de vendas do comércio, sempre otimistas, contabilizando um possível aumento nas vendas em relação ao ano anterior.
  Nos shopping centers os gastos com ornamentação são de milhões, cada um procurando ostentar mais do que os concorrentes, com vistas a atrair os consumidores e o seu dinheiro.
  Papais-noéis , suando sob um calor de verão, procuram atender às crianças sempre com um sorriso e a promessa do tão sonhado presente, desde que se comportem bem e que sejam bons alunos, será que as crianças ainda acreditam nisso? Parece que sim.
  Mas, afinal, o que é o Natal?
  As pessoas andam tão preocupadas com as correrias de final de ano que com certeza muitas delas não saberiam responder a essa pergunta: o que é o Natal?
  O Natal, celebrado no dia 25 de dezembro, traduz a alegria do povo cristão pelo nascimento daquele que foi enviado a esse mundo para , por amor, morrer por todos nós! É a data escolhida para comemorarmos a vinda do Cristo, do filho de Deus para que, através da sua morte fôssemos justificados e pudéssemos ser novamente chamados de filhos por Deus.
  E mais do que data, Natal é uma atitude. Se lermos o que a Bíblia nos ensina em Mateus , 3 versos 1 a 12, observamos que João Batista , no deserto, pregava uma mensagem de arrependimento, de mudança de atitudes, de pensamento e de vida!
  E é esse exatamente o tema maior da nossa meditação no Natal, mudança de atitudes, essa data nos chama a uma reflexão de amor, de paz, perdão. Jesus veio ao mundo, enviado pelo próprio Deus, para que pudéssemos nos reconciliar com Ele!  (João  3.16   Porque Deus amou o mundo tanto, que deu o seu único Filho, para que todo aquele que nele crer não morra, mas tenha a vida eterna.).
  Hoje, vivemos um Natal que perdeu o seu foco, onde o próprio aniversariante não está presente, uma festa que deveria ser acima de tudo espiritual se perdeu em uma onda consumista e de celebrações pagãs, esquecemos de que Cristo é a única razão do Natal, e que sem Ele, a festa não tem sentido algum.
 Ouçamos o que João Batista pregava no deserto naqueles dias, “Preparem o caminho para o Senhor passar! Abram estradas retas para ele!” (Mateus 3.3). Que estradas retas sejam construídas em nossos corações para que Jesus possa por eles entrar e morar.
  Que o seu Natal seja um momento de paz, onde a reflexão e as celebrações girem em torno de Jesus,  e que a bela mensagem de amor que Ele trouxe ao mundo possa ser pregada,  compartilhada e vivida  por todos nós , que deixemos de lado todo esse burburinho mundano e consumista que existe hoje em relação a essa tão importante data e que vivamos aquilo que realmente importa: o Cristo nasceu!
  Feliz Natal a todos!
Fernando Marin

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Nem tudo nos convém 1 - O Consumo de Bebidas Alcoólicas




      O consumo do álcool e os danos que causa à saúde
Por: Fernando Marin

   Muito tem se falado sobre drogas, eu mesmo já escrevi sobre isso,  porém há alguns tipos delas que pelo fato de serem lícitas, ou seja, de consumo legal, às vezes passam por benéficas ou sociais, de baixo risco.
   Mas, o que são drogas? Se procurarmos essa definição iremos descobrir que são toda e qualquer  substância que promova efeitos no corpo humano. Assim, os medicamentos, por exemplo, são drogas benéficas – em certos casos – porque promovem a cura e o bem estar.
   Porém, há drogas que, devido aos malefícios e consequências danosas que trazem à saúde são proibidas, ilícitas, como a maconha, o crack, a cocaína, o ópio e outras mais. Essas são as mais discutidas e tidas como extremamente danosas à pessoa e à sociedade, por tudo o que temos visto através dos noticiários e pela nossa própria constatação, basta caminharmos pelas ruas de uma cidade qualquer para podermos verificar que o consumo de certas drogas , como o crack, por exemplo, está fora de controle, e tem gerado um grande aumento nos índices de criminalidade.
  Agora gostaria de me ater a uma outra categoria de drogas: as chamadas lícitas, de consumo permitido, e que podem ser tão danosas quando as demais, de venda proibida, mais especificamente, o fumo e o álcool.
   O álcool é amplamente consumido em forma de diversos tipos de bebidas, desde a cerveja até a cachaça, a vodka e outras mais há milhares de anos e por todos os lugares e sociedades. Apesar de se saberem dos males que causa, é bem aceito socialmente e usado por todas as camadas sociais, diferenciando-se apenas o tipo de bebida ingerida.
   Na verdade, o álcool de social não tem nada, é fonte de muitas doenças e de desajuste , já que muitos  daqueles que adquirem a dependência acabam por perderem o convívio com as suas famílias, emprego e a dignidade.
   Muitos se enganam com a euforia e a sensação de alegria que as primeiras doses de bebida causam, porém o álcool é droga depressiva do sistema nervoso e não é substância que atue nos casos de depressão, ao contrário, já se sabe que após dois meses de abstinência uma boa porcentagem de pacientes deprimidos e dependentes de álcool  melhora. O médico psiquiatra Cláudio Jerônimo afirma, inclusive, que a depressão é consequência do alcoolismo, e não o contrário, como muitos pensam.
   Além disso, o abuso do álcool gera diversas enfermidades no fígado e, na gravidez, pode causar grandes males ao feto, já que a substância passa da mãe à criança através do cordão umbilical, podendo causar ainda  malformações, a chamada SAF (Síndrome Alcoólica Fetal). De acordo com o neurologista José Mauro Braz de Lima, professor de medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), uma vez no corpo da criança, o álcool pode prejudicar qualquer órgão em formação ou maturação . Os principais sintomas são baixo peso e baixa estatura; má formação de crânio, coração e ossos além de queixo, olhos e lábio superior menores. O especialista alerta ainda que a síndrome leva a distúrbios de comportamento (déficit de atenção, teimosia e rebeldia), dificuldade de aprendizagem e expectativa de vida reduzida. Apesar desses perigos, um estudo feito na UFRJ, mostrou que no Brasil, cerca de 20% das gestantes consomem bebidas alcoólicas.
   Segundo a psiquiatra Camila Magalhães, diretora do Centro de Informação sobre o Álcool (Cisa) e uma das principais estudiosas da dependência química feminina, o consumo exagerado de bebidas alcoólicas deixa a mulher mais vulnerável à violência, tanto no papel de vítima quanto no de agressora. Os dados, ainda preliminares, mostraram que, entre as mulheres agredidas que chegaram aos hospitais, 31,5% tinham consumido exageradamente cerveja, vinho, uísque ou qualquer outra dose etílica no dia da agressão, dados provenientes de uma avaliação feita com 47.455 vítimas de traumas urbanos, atendidas em 71 serviços de urgência do País.
   Também são conhecidos os efeitos perigosos da mistura álcool e direção. Segundo pesquisa do jornal O Globo, uma média de 11 % dos envolvidos em acidentes de trânsito demonstram sinais de embriaguez, porcentagem que sobe para cerca de 30% nos finais de semana, já que o consumo de bebidas alcoólicas altera a habilidade de condutores e pedestres de avaliarem se estão ou não em alta velocidade ou mesmo se há riscos para atravessar uma rua. Os efeitos maléficos acontecem a partir da ingestão de uma simples lata de cerveja, o suficiente para afetar os reflexos e a percepção do motorista.
   Outro fato negativo em relação ao álcool é a tolerância, ou seja,  ele induz à necessidade  de ingestão de quantidades progressivamente maiores  para que haja o mesmo efeito desejado, o que pode levar rapidamente à dependência. Havendo a diminuição ou interrupção do consumo, acontecem sintomas desagradáveis e desconfortáveis, devido à síndrome da abstinência, o que leva o paciente à procura desesperada pelo consumo de bebida para que volte a se sentir bem. Com o passar do tempo, pode-se desenvolver a chamada Saliência do comportamento de busca pelo álcool, quando o usuário passa a planejar o seu cotidiano em função da bebida, deixando tudo o mais em um plano secundário.
   É muito comum para os evangélicos serem perguntados por que eles são ‘proibidos’ de beber e de fumar. Na verdade, essa proibição não existe na Bíblia, mas, quando lemos o que o apóstolo Paulo nos escreve na primeira carta aos Coríntios, capítulo 10 , verso 23 “  Alguns dizem assim: ‘Podemos fazer tudo o que queremos.’ Sim, mas nem tudo é bom. ‘Podemos fazer tudo o que queremos’, mas nem tudo é útil.”, devemos entender: será que beber convém?
Fernando Marin

Fonte: Site Antidrogas , http://www.antidrogas.com.br/index.php , visualizado em 30 de novembro de 2013.

sábado, 16 de novembro de 2013

Não deixe nada para depois




   Mais uma vez, a convite do meu irmão e amigo, o Teólogo Silvano Barcelos, estive na Rádio 87 FM Novo Rio das Ostras participando do programa “Uma Luz no Fim do Túnel”, cujo tema central é a prevenção do uso de drogas e a evangelização.
   Esse programa acontece todas as sextas-feiras , das 22 às 23 horas e é transmitido também através do site da rádio , o www.novorio87fm.com. Como muitos não tiveram acesso, aproveito para transcrever a mensagem que preguei na ocasião.
  
Não Deixe Nada para Depois
   A vida moderna é fonte de muitas preocupações. Vivemos em uma época em que o TER está acima do SER, e as pessoas se envolvem cada vez mais no trabalho e na satisfação das necessidades do cotidiano, trabalhar mais, estudar sempre, cada vez tem-se menos tempo para o lazer, a família e para a tomada de decisões que possam mudar  o rumo da nossa existência.
  É cada vez mais comum ouvirmos de alguém “ tenho que ir ao dentista, mas , não há tempo para isso” , ou, “ preciso iniciar uma dieta, semana que vem eu farei”, as questões que envolvem a nossa vida diária acabam por nos forçar a adiar projetos e necessidades, e muitas vezes nunca conseguimos iniciar algo novo por absoluta falta de tempo .
  Recorrendo à Bíblia, à Palavra de Deus, um livro onde encontramos respostas e ensinamentos para todas as ocasiões, e especialmente no livro de Eclesiastes no capítulo 11, verso 4, aprendemos:  Quem fica esperando que o vento mude e que o tempo fique bom nunca plantará, nem colherá nada.”
  O excesso de cautela ou de indecisão quando ocorrem acabam por nos obrigarem a postergarmos tomadas de decisões, muitas delas que podem até mesmo serem cruciais para as nossas vidas. Na verdade, quem espera as condições ideais para iniciar alguma coisa, nunca realizará nada.
  Sempre haverão ventos e nuvens, sempre haverão dificuldades e fatos que irão atrapalhar os nossos planos. Quem esperar o vento acalmar, nunca semeará sua lavoura.
  Quem esperar para colher depois da chuva verá a sua produção apodrecer ! O indivíduo que desejar ter certeza absoluta antes de realizar algo ficará esperando para sempre!
  Na verdade, como não sabemos todas as coisas precisamos trabalhar com as informações que temos agora.
  No mesmo livro de Eclesiastes ( Pregador), capítulo 9, verso 10, o autor ( muitos acreditam ser Salomão, mas há dúvidas sobre a autoria) nos diz que “Tudo o que você tiver de fazer faça o melhor que puder, pois no mundo dos mortos não se faz nada, e ali não existe pensamento, nem conhecimento, nem sabedoria. E é para lá que você vai.”
  Isso quer dizer que devemos aproveitar bem todas as oportunidades que surgirem, que nada deve ser deixado para depois, até porque pode ser tarde demais. Portanto, se há alguma decisão a ser tomada, isso aconteça agora !
  Hoje, é muito comum que as pessoas priorizem a sua vida material , que se preocupem em produzir mais e mais, e que se esqueçam de se acertarem com Deus enquanto é tempo.
   Esse tema nos lembra de uma parábola contada por Jesus, citada no evangelho de Lucas capítulo 12, versos 16 a 21, onde o Mestre ensina a história de um homem rico, cujas terras produziram uma grande colheita, e que o homem estava com seus celeiros já cheios e não havia espaço para armazenar a nova safra. Assim, ele decidiu derrubá-los e construir outros maiores ainda, onde coubesse tudo o que já estava armazenado além da nova safra e seus bens materiais. Esse homem pensava em juntar mais riquezas, para que pudesse passar o resto de sua vida vivendo alegre e feliz. Porém, o que ele não sabia é que Deus já havia pedido a sua vida para aquela noite, e ele morreu, e todas as suas posses ficaram para trás.
  Não conhecemos o dia de amanhã, não sabemos quais são as surpresas que a vida nos reserva, não temos noção do que Deus tem planejado para nós. Assim, postergar planos e projetos ou decisões torna-se um risco muito grande, principalmente quando isso envolve a nossa vida espiritual.
  Citando mais uma vez o livro de Eclesiastes, dessa vez no capítulo 11, versículo 5, “ Deus faz todas as coisas. E, como você não pode entender como começa uma nova vida dentro da barriga de uma mulher, assim também não pode entender as coisas que Deus faz.”
  Não conhecemos os planos de Deus. Portanto, é tempo de tomarmos decisões importantes. A nossa vida eterna, a salvação das nossas almas se inicia quando aceitamos a Jesus como nosso Senhor e Salvador. Se você ainda não tomou essa decisão, não deixe para depois!
  A Bíblia nos ensina uma outra parábola que Jesus conta no evangelho de Lucas 16 (19-31). O Mestre ensina que havia um homem muito rico, que se vestia muito bem e que comia banquetes todos os dias, enquanto que havia um mendigo chamado Lázaro que permanecia à porta da casa do homem rico apenas para comer o que sobrava da sua comida. Conta a história que  Lázaro morreu, e foi para “o seio de Abraão” ( o céu). Morre o rico também, e é sepultado e , do inferno onde se encontra, olha e vê ao longe o mendigo Lázaro e Abraão e pede que Lázaro molhasse o dedo e refrescasse a sua língua, porque estava “sofrendo muito neste fogo”.
  Porém, Abraão disse que isso não seria possível, até porque “há um grande abismo entre nós, de modo que os que querem atravessar daqui até vocês não podem, como também os daí não podem passar para cá.” O homem rico ainda insistiu para que permitisse que Lázaro visitasse sua família, e que pregasse a eles, para que não tivessem o mesmo fim, o que não foi permitido por Abraão, que respondeu que seus irmãos deveriam ler as escrituras e que ouvissem os profetas, ou seja, aqueles que pregam a Palavra, e que se mesmo assim não cressem, não o fariam mesmo que ele ressuscitasse.
  Há um velho e conhecido dito popular que diz “não deixe para amanhã o que pode fazer hoje”. Nada mais sensato, principalmente quando isso envolve a vida eterna. Arrependa-se dos seus pecados, receba hoje mesmo Jesus como seu Senhor e Salvador, acerte-se com Ele, e receba a Graça e o perdão pelos seus erros e assim garanta a vida eterna, desde hoje e para todo o sempre.
Pr Fernando Marin



quarta-feira, 13 de novembro de 2013

O Diácono



O Diácono
 
 
   Ahh, os diáconos, essas figuras tantas vezes incompreendidas no seio da igreja! Creio que muitos na verdade não conhecem muito bem o real trabalho de um diácono, imaginam até mesmo que esse é apenas um cargo honorífico no meio eclesial.
 
   Na verdade são pessoas vocacionadas e escolhidas para darem suporte ao trabalho pastoral, em todos os seus aspectos. Não são substitutos do pastor, mas seus auxiliares fiéis, ajudadores de todas as horas, pessoas de oração e de coração, prontas a atuarem na necessidade de alguém.
 
   Transcrevo a seguir um texto que fala - e muito bem - sobre quem são os diáconos e diaconisas, de autoria do Pr Oswaldo Luiz Gomes Jacob, e que foi publicado na revista "Palavra e Vida", da Convenção Batista Fluminense no 4} trimestre de 2013.
 
   Creio que após essa leitura, todos compreenderão melhor as atribuições e deveres dessas pessoas usadas por Deus para o desenvolvimento do Reino aqui na terra.
 
 
Fernando Marin
 
 
O Diácono
 
 
   Servidor alegre. Contente com o seu trabalho. Ele o faz por causa de Cristo, o Servo maior. O seu coração se rejubila em servir. As suas entranhas fervilham de gratidão por trabalhar modestamente. Um homem ou uma mulher simples no sentimento, nas palavras e nas ações. Não busca holofotes. Não almeja o pódio, mas o chão ou o húmus. Não está interessado em elogios, mas em engrandecer o Senhor com o que faz. O seu trabalho é excelente. Seus relacionamentos saudáveis. O seu coração é prazeroso em repartir o pão, o espaço e o cuidado. É proativo. Uma pessoa admirada pelos mais novos e mais velhos. Sensível às necessidades dos outros. Nutre a hospitalidade em seu coração. Pronto para ouvir, tardio para falar e tardio para se irar (Tg 1.19). Sábio em suas decisões. Que tem prazer em adorar a Deus em espírito e em verdade (João 4.24). Ele é manso e humilde de coração (Mt 11.29). Aprecia viver aos pés do Mestre para aprender a ser um cristão melhor, mais útil. A sua família é ajustada. Ele é um referencial ético. Responsável em tudo o que faz. Tem o dom da misericórdia. Detentor de um espírito cooperativo e interativo.
   Respeitado em todos os segmentos da igreja. Um facilitador. Amigo sincero do pastor da igreja e ora por toda a liderança. O seu prazer maior é glorificar a Deus em tudo o que faz. A Bíblia é o seu vade- mecum ou manual de vida. Não é um diácono-problema, mas é um diácono-solução. Uma pessoa de oração, que tem deleite em entrar no santo dos santos em Cristo Jesus. Aprecia muito testemunhar de Cristo, sendo exuberante. O evangelismo é o seu estilo de vida. Sincero, procurando sempre ter um olhar introspectivo. Um homem cheio do temor do Senhor.  Eis o diácono bíblico chamado para ser oficial da igreja. Que não pleiteia cargos, mas cargas. Ele deve ter a fé de Abraão; a simplicidade de Isaque; a persistência de Jacó; a capacidade administrativa de José; a liderança de Moisés; a liderança na família à semelhança de Josué; a confiança de Davi; a amizade de Jônatas; a sinceridade de Jeremias; o amor de João; a coragem de Estêvão; o espírito evangelístico de Paulo. Deve ser um imitador de Deus como filho amado, andando em amor como Cristo nos amou e a si mesmo se entregou por nós (Ef 5.1,2). Que privilégio ser um diácono, um servidor de Jesus, um homem amoroso, deleitoso e espirituoso. Íntegro a toda a prova. Cheio do Espírito e de sabedoria. Que ama a igreja do Senhor Jesus, sua família e o seu país. Um diácono que dê prazer ao coração do Pai, que o criou e o redimiu em Cristo Jesus, Seu Filho.
Pr Oswaldo Luiz Gomes Jacob


 


sábado, 19 de outubro de 2013

Amizades, só as verdadeiras





Com certeza, essa palavra, "amizade" caiu na banalidade. Tenho conhecido pessoas magoadas, frustradas por pensarem que tinham amigos, mas que na hora em que mais deles precisaram, se viram sós.

 Infelizmente, está cada vez mais difícil confiar nas pessoas, encontrar amigos fiéis, verdadeiros, daqueles que estão conosco em todas as situações. Quantas vezes ajudamos, damos nosso tempo, nossa vida a alguém que pensamos ser amigo e que, por qualquer motivo ou mesmo sem nenhum, simplesmente nos abandona, às vezes em uma hora crítica?

 Creio que a culpa é nossa. Se conhecêssemos mais a Bíblia, se atentássemos mais para tudo o que ali Deus escreveu, não passaríamos por tantos sofrimentos.

 Nós fazemos más escolhas, e pagamos o preço por elas.

 Transcrevo abaixo uma lição, escrita pelo Pr Antonio de Moraes Regly, publicada na revista Palavra e Vida, da Convenção Batista Fluminense (4 º trimestre de 2013), onde o autor discorre sobre o assunto, à luz do livro de Provérbios. Vale a pena ler e aplicar esse estudo nas nossas vidas.

Fernando Marin 

Amizades, só as verdadeiras 

 Precisamos entender a definição de amigo, haja vista que a palavra está banalizada. “Amigo” pode ser qualquer um. Nas redes sociais você adiciona amigos.  Nas relações sociais se você é apresentado a uma pessoa, geralmente acabam chamando você de amigo.

 Mas o que é ser amigo ? O que define um amigo?  

 Na Palavra de Deus encontramos algumas amizades  bastante interessantes: Davi e Jônatas ( 1Sm 18.1-4), Abraão de Deus ( Is 41.8); Moisés era alguém de quem Deus disse: “boca a boca falo com ele” (Nm 12.8).
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 O amigo é alguém que tem pleno acesso a outra pessoa, inclusive o coração.  Há amigos que nos são dados por Deus. Num dado momento, na hora que mais precisamos, Deus coloca pessoas em nosso caminho para serem nossos amigos e cuidar de nós, como faz o amigo. Foram enviados por Deus para nos devotar sua amizade.

 Outros, o Senhor nos proporciona a oportunidade de conquistar e sermos conquistados.  Há amigos que Deus faz-nos chegar no decorrer da vida e, quando menos pensamos, eles surgem de Deus para nos devotar sua amizade.

 Por sua vez, Satanás se encarrega de colocar “amigos” no caminho do homem. Ele escolhe pessoas que andam com ele, que o servem, que são seus escravos, que lhe prestam serviços, para seduzir e tentar levar à destruição os filhos de Deus.

  1 – Definição de amigo.   

 O Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa assim define amigo: 1. Que é ligado a outrem por laços de amizade; 2. Em que há amizade; amical, amistoso; 3. Simpático, acolhedor; 4. Que ampara ou defende; protetor; 6. Benigno, propício (favorecedor; que dispensa favores); 7. Homem ligado a outrem por laços de amizade; 8. Companheiro.

  Entendi ser oportuno incluir estas expressões, porque Provérbios as descreve com muita propriedade. 

2 – Amigo do alheio (ladrão), amigo de Satanás. 

 Provérbios 1.10-19 descreve a maneira sorrateira como atua o amigo do alheio, como é chamado figuradamente o ladrão, também amigo de Satanás, por fazer o que lhe é próprio: Atrai com palavras agradáveis (10), seduz com oferta de riqueza de bens (13); propõe uma unidade para o mal (14). A advertência: Não te ponhas a caminho com eles (15). O seu fim está determinado: armam ciladas contra o seu próprio sangue; e espreitam suas próprias vidas (18). Todo aquele que se deixa aliciar por este tipo de amizade, morte e destruição encontrarão (32). 

 Jesus também adverte : “O ladrão não vem senão a roubar, a matar e a destruir” (Jo 10.10). 

3 -  Falsos amigos ou amigos de fachada. 

 Provérbios cita alguns tipos de amigo comuns em nosso meio, e, infelizmente, no seio da igreja temos alguns deles. São do tipo que se declaram amigo de qualquer um e para qualquer um: todos são seus amigos. 

 Usam-se da “amizade” para aproximarem-se e obterem algo de seu interesse. São do tipo intriguista, daquele que instiga a contenda (16.28), que gosta de revolver assuntos ou situações que já foram superadas (17.9). 

 Há um pensamento que define muito bem esse tipo de “amigo”, o intriguista: “Quem faz intrigas sobre a vida alheia quer ter algo se sua autoria, uma obra que se alastre e cresça, que se torne pública e que seja muito comentada. Algo que lhe dê continuidade. É por isso que fofocar é uma tentação. Porque dá, por poucos minutos, a sensação de ser portador de uma informação valiosa que está sendo gentilmente dividida com os outros. Na verdade, está-se exercitando uma pequena maldade, não prevista no Código Penal. Fofocas podem provocar lesões emocionais. Por mais inocente ou absurda, sempre deixa um rastro de desconfiança. Onde há fumaça há fogo, acreditam todos, o que transforma toda fofoca em verdade em potencial. Não há fofoca que compense. Se for mesmo verdade, é uma bala perdida. Se for mentira, é um tiro pelas costas” (Martha Medeiros, jornalista, escritora, aforista e poetisa brasileira). 

 Outros falsos amigos: os amigos dos ricos (14.20 e 19.4); os insinceros ( 19.4-7); os aduladores (19.6); os oportunistas (27.14).  

4 – Amigo do peito , amizade verdadeira. 

 A expressão amigo do peito significa: amigo muito querido; amigo íntimo. Provérbios define melhor o verdadeiro amigo: é aquele que ama todo o tempo (17.17); é conselheiro (27.9), podendo essa amizade assemelhar-se à pessoa de um irmão de sangue (18.24).   

  4.1 – Ser amigo é amar de verdade  

  Amigo é aquele que ama de verdade, tornando-se semelhante a um irmão de sangue. Em todo o tempo ama o amigo e para a hora da angústia nasce o irmão (17.17).

 As adversidades podem proporcionar ao homem aquilo que ele menos espera: encontrar um verdadeiro amigo. Isso porque, em tempos de tribulação, tais homens ser unem para enfrenta-la e só param quando virem vencido o problema. Acabam se tornando colunas e sustentáculo um do outro.   

4.2 – Ser amigo é ser conselheiro 

 Conselho é a advertência emitida pelo amigo em favor de seu amigo. Aconselhar é emitir cautela, prudência; um parecer que possibilite uma tomada de decisão correta, que obtenha bom resultado. O óleo e o perfume alegram o coração; assim o faz a doçura do amigo pelo conselho cordial (27.9). 

5 – Outras características de uma verdadeira amizade

| A amizade verdadeira e os benefícios por ela proporcionados sã o revelados em Pv 27.17. As diversas traduções – RA, RC, NTLH, S21, NVI – usam quase as mesmas palavras: Como o ferro se aguça, assim o homem afia o rosto do seu amigo. Na Bíblia Viva o texto  foi traduzido assim: Como duas lâminas de ferro ficam mais afiadas quando são esfregadas uma contra a outra, dois amigos que discutem seus problemas com sinceridade acabam mais amigos e mais maduros do que antes;  Este é um provérbio famoso nos dias de Salomão, que traz a ideia de que as pessoas crescem ao interagirem entre si, ajudando umas às outras.   

  5.1 – Aprender do outro 

 O primeiro sentido da palavra afiar nesse texto é aprender do outro. A amizade tem como propósito tornar pessoas conhecidas umas das outras. À medida  que o amigo dá-ser a conhece ao outro, e vice-versa, estabelece-se uma relação de intimidade. Você e o seu amigo verdadeiro não conseguirão saber tudo a respeito do outro. A vida é curta, o tempo é pouco. Contudo, è medida que abrirem o coração, um universo de conhecimento do outro é formado.    

5.2 – O aprimoramento do caráter 

 Afiar tem, no original, o sentido de aprimorar e moldar o caráter do outro. O homem se comporta às vezes contrário ao seu próprio caráter. Vou dar um exemplo: quando alguém faz uma grosseria e o outro revida na mesma proporção, o amigo, então, intervém e diz: “Não faz mais isso, não !Você não é assim. Isso não faz parte do seu caráter”. Quando alguém tratar você assim, em vez de engrossar também, trate-o com toda a delicadeza e polidez. Você vai deixa-lo desconcertado e envergonhado. E você será visto como um sábio!    
 5.3 – O crescimento mútuo  

 Este é o outro sentido de afiar: dois amigos que discutem seus problemas com sinceridade acabam mais amigos e mais maduros do que antes.  A amizade verdadeira nos faz pensar nas coisas que temos em comum e nas outras mais que nos fazem diferentes. A amizade faz o homem superar suas limitações, o seu eu, a sua vontade própria, para servir e ser útil ao outro. A faca é feita para cortar. Se não estiver afiada não terá sua utilidade. Afiar o outro tem o sentido figurado de educar o outro, produzir o fio cortante que o tornará um instrumento apropriado para servir os outros.  

Para pensar e agir: 

 Faça uma lista com nomes daqueles que você considera seus amigos verdadeiros. Se desejar, ao lado de cada nome, escreva um breve relato de como e onde o conheceu. Amplie listando as suas qualidades. Se quiser liste também os defeitos.

 Agora, faça uma outra lista daqueles que dizem ser seus amigos.

 O Facebook pode ser um bom roteiro. Será trabalhoso se sua lista for enorme. Mas tente.

  Feito isso, reflita nos conselhos, convites e propostas que você tem recebido: dos amigos, no sentido literal da palavra, os descritos e qualificados pela Palavra de Deus e os outros, digamos, “amigos”. 

 Meu irmão e minha irmã, vocês estão diante da Palavra de Deus. A Sabedoria, personificada no livro de Provérbios (1.20), fala claramente das consequências pela escolha errada de uma amizade. É loucura insistir ( 1.20,320. Você sofrerá duras consequências pela má escolha. Melhor dizendo, pela sua rebeldia à Palavra (1.26,27,31 e 32). 

 Se entender que deve, diga não aos falsos amigos. Eles sempre se revelam. Abra mão dessa (s) amizade (s). 
 
Diga sim aos verdadeiros amigos. Você viverá em paz e segurança. 

Pr Antonio de Moraes Regly 

Publicado na revista Palavra e Vida, da Convenção Batista Fluminense , 4º trimestre de 2013.   

sábado, 12 de outubro de 2013

Ovelhas sem pastor – uma reflexão em Marcos 6.30-40



 
Ovelhas sem pastor – uma reflexão em Marcos 6.30-40
 
Por: Fernando Marin
 
 
 
 
 
 
O texto bíblico em questão nos relata uma passagem muito conhecida do ministério terreno de Jesus, quando Ele toma 5 pães e dois pequenos peixes e, com isso, dá de comer a uma multidão de cerca de 15 mil pessoas, se somados homens, mulheres e crianças. Esse fato ocorreu já no seu terceiro ano de ministério quando os apóstolos tinham acabado de voltar de Cafarnaum, da sua primeira missão de pregarem o Evangelho. Com certeza, eles estavam cansados, com fome, com os pés doloridos, já que naquela época as viagens eram feitas caminhando.
Como as pessoas viviam rodeando Jesus, o Mestre preferiu levá-los de barco até uma região mais sossegada, para que pudessem descansar um pouco. Porém, mesmo assim eles foram vistos e a multidão os seguiu e os cercou pelas margens, ou seja, não houve como ficarem a sós.
Diz o texto que quando Jesus viu aquelas pessoas compadeceu-se delas, quer dizer, sentiu amor por elas, porque pareciam um rebanho desgarrado , “ovelhas sem pastor”, pessoas que não sabiam para onde irem, a quem recorrerem, precisavam de alguém que os desse direção.
E passou a ensiná-las, a discipulá-las.
E já no final daquele dia, os discípulos chegam a Jesus e dizem: ” Mestre, é melhor despedir todo esse povo, para que eles saiam por aí e comprem comida, porque aqui onde estamos não há como comprar nada.”
Naquele momento, parece que aquelas pessoas se tornaram um incômodo para eles.
E para nós, será que as pessoas também são um incômodo ou são merecedoras do nosso amor e atenção?
Mas, Jesus, talvez para prová-los, respondeu: “por que vocês mesmos não dão comida a eles?”
E aí, a resposta foi aquela que nós  mesmos daríamos: como? Com que dinheiro? Nós não termos dinheiro para comprar comida para todo esse povo. Não, nós não temos como!
Era muita gente, cerca de 5 mil homens, fora mulheres e crianças. O que fazer?
Mas, Jesus não se abalou diante daquela dificuldade. Ele perguntou: “Quantos pães vocês tem?”
A resposta daria para desanimar a qualquer um , menos ao Mestre: “5 pães e dois peixes”.
Imagino a expressão daqueles homens naquele momento imaginando o que Jesus iria fazer com 5 pães e dois peixes para que pudessem alimentar todo aquele povo.
Será que acreditaram que seria possível? Será que olharam para Jesus desconfiados?
Porém, o filho de Deus não se abalou: mandou que dividissem toda aquela gente em grupos de 100 e de 50 e mandou que se sentassem. E, depois de dar graças, partiu aqueles pães e peixes e mandou que os apóstolos os distribuíssem pelo povo.
E diz o texto que todos comeram e ficaram satisfeitos! E, mais ainda: diz também que sobraram 12 cestos cheios de pão e peixe!
Essa passagem, muito mais do que simplesmente narrar um dos milagres de Jesus, pode nos ensinar outras coisas importantes.
Nós, como discípulos de Cristo, aprendemos que podemos e devemos servir ao Senhor sem preocupação com o nosso sustento. Se Ele pode alimentar toda aquela multidão ( talvez de 12 a 15 mil pessoas) com 5 pães e dois peixes, com certeza Ele também pode suprir todas as nossas necessidades.
Porém, há uma condição: trabalharmos para Ele sem nos preocuparmos de onde virá o sustento. Se buscarmos em primeiro lugar ao Reino de Deus, toda necessidade será suprida (Mateus 6.31-33).
Um outro ponto: Jesus trabalhou de maneira organizada , quando dividiu a multidão em grupos de 50 e de 100. Como Deus, Ele poderia ter feito de qualquer maneira que fosse, porém, com certeza, Ele quis deixar uma mensagem.
Todo trabalho deve ser feito de forma sistemática e organizada (eficácia e eficiência, qualidade total).
Mais um ponto que nos chama a atenção: Ele abençoou e partiu os pães e peixes. Sem a benção de Deus, nada daquilo seria útil. Inteiros, não seriam suficientes!
E aí podemos aprender que não nos damos livremente às pessoas porque não fomos partidos ou quebrados ( preparados, provados, esvaziados de nós mesmos).
Jesus também não distribui a comida, mas pediu que os discípulos o fizessem. Com isso, aprendemos que Jesus quer alimentar o Seu povo por meio do nosso trabalho!
Observamos, também, que houve comida suficiente para alimentar a todas aquelas pessoas. Isso quer dizer que se hoje todos os servos de Cristo colocassem o trabalho do Reino acima das necessidades pessoais, o mundo inteiro poderia ouvir a Palavra da Salvação, já que somos muitos milhões de cristãos apenas no Brasil.
Constatamos, também, que sobraram 12 cestos cheios de comida, ou seja, a sobra foi muito maior do que havia no começo.
Realmente, Deus é generoso!
Mas, há um detalhe: toda a sobra de comida foi guardada, nada foi desperdiçado. Desperdício é pecado! Seja de alimentos, de recursos naturais, de lixo reciclável.
E, o mais importante de tudo, nada disso teria acontecido se os discípulos realmente se dispusessem a descansar.
No versículo 31, vemos que Jesus reuniu os discípulos e os levou de barco para um lugar calmo, para que pudessem repousar.
Quantas vezes isso também acontece conosco? Paramos para descansar enquanto que as multidões estão por aí, perdidas, como ovelhas sem pastor!
Paramos para descansar enquanto as multidões estão por aí, famintas, não só de salvação, mas de alimento mesmo!
E os cristãos estão repousando!
Quanto a isso, o comentarista William Kelly diz que
Seria melhor para nós se precisássemos descansar mais dessa maneira; quer dizer, se nossos trabalhos fossem em quantidade excessiva, se nossos esforços de abnegação para com os outros fossem tão contínuos, então poderíamos ter a certeza de que essa seria a Palavra do Senhor para conosco.”
É mais que hora de refletirmos sobre a nossa posição frente às multidões que estão por aí, como ovelhas sem pastor.
Fernando Marin
 
 
 

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

A Igreja e os Jovens



A Igreja e os Jovens


Por: Fernando Marin



  Um dos fatos que me impressionaram positivamente durante a recente  visita do papa Francisco ao Brasil foi a mobilização da juventude católica , jovens que viajaram de diversas partes do mundo e do país para se reunirem em torno de um grande evento de cunho evangelístico e de comunhão. Uma juventude sadia, voltada para Jesus que nos deu uma verdadeira lição de amor ao próximo na maneira como recebeu os peregrinos e na forma alegre de expressarem a sua adoração na música, na dança e na palavra.

  Na contra-mão disso, a cada fim de semana, a imprensa nos choca com notícias de mortos e feridos em acidentes de trânsito, muitos deles causados por jovens alcoolizados, que dirigiam carros de luxo em alta velocidade pelas ruas de nossas cidades. Há pouco tempo atrás, em Minas Gerais, um motorista ainda jovem (e bêbado), invadiu uma festa popular, causando morte e ferimentos em várias pessoas, e isso em uma cidade pequena e (antes) pacata, onde nem o hospital local estava preparado para dar um atendimento às vítimas.

  Além dessas más notícias, ainda vemos brigas em casas noturnas, às vezes até com mortes, em locais onde todos deveriam estar apenas para se divertirem, sem falar dos fatos que vem acontecendo em nossos estádios de futebol, o que antes era apenas uma torcida pela vitória do seu time vem se transformando em um ódio mortal, totalmente injustificado.

  A cada notícia dessas, me vem à mente a imagem de um grupo de jovens, a maioria dos doze com cerca de 20 anos, que, quando chamados a seguir o Mestre, não pensaram duas vezes, abriram mão de suas vidas, profissões, pais, lares, e saíram por aquela terra, pregando, evangelizando, acreditando em tempos melhores e de vida eterna.

  Esses jovens discípulos de Jesus foram os fundadores da Igreja. Sua mensagem era de paz, de amor ao próximo, de uma vida sob a direção de Deus, de busca de uma vida de serviço e de espiritualidade.

  O que mudou de lá para os dias atuais? Por que muitos jovens hoje não encontram seus lugares na igreja de Cristo? Onde a igreja tem falhado em não obter sucesso na maioria dos trabalhos que realiza com jovens? Por que hoje a bebida, o sexo, as drogas, tomam o lugar de Jesus no coração desses que, em outras épocas, foram escolhidos diretamente por Ele para segui-lo?

  Há muitas perguntas para as quais não temos as respostas adequadas. Creio que, realmente, temos falhado em várias áreas. Cabe aos teólogos analisarem as tendências da sociedade e pensarem soluções que venham de encontro às demandas sociais, que venham a trazer solução aos problemas com que nos deparamos todos os dias, em todos os lugares.

  Talvez, estejamos nos alheando a essa questão dos jovens, e do seu afastamento da igreja, da Palavra de Deus. Talvez, nossa mensagem esteja antiquada, e não mais surta efeito. Talvez a degradação familiar esteja causando danos irreversíveis na formação das nossas crianças. Talvez as deficiências na área da educação estejam formando cidadãos egoístas, despreparados para a vida em comum.

  Vivemos a era do TER, e não do SER. Somos vítimas de um sistema educacional falho e altamente calcado no consumismo, na necessidade de sobressair, de competir para alcançar o seu espaço, onde a ética perdeu o seu valor. Em muitos estados e municípios brasileiros, as aulas de educação religiosa foram suprimidas, assim como as de Formação Cidadã.

  É mais que hora de repensarmos a questão educacional no Brasil, de se valorizar mais os educadores – de todos os níveis. Valorizar não é apenas remunerar bem, mas preparar, qualificar, oferecer estrutura de trabalho adequada. 

 É mais que hora de se reestruturar os currículos escolares, trazendo de volta matérias importantes na formação da criança, preparando-a para a vida em sociedade.

 É mais que hora de, como igreja de Cristo, adequarmos a nossa realidade aos anseios da juventude, preparando ambiente, pessoal e temáticas que colaborem para a formação religiosa e moral visando a mantermos a presença jovem no seio da igreja, preparando um trabalho de discipulado sério e que possa vir a conscientizá-los dos malefícios das drogas, lícitas ou não, e para a necessidade da participação dessa juventude na melhoria do quadro social que reina no Brasil.

  É mais que hora de arregaçarmos as mangas, de trabalharmos sério e fazermos a diferença.

Fernando Marin