quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Ano Novo, Vida Nova?




                                                                                    Por: Fernando Marin


   Passado o Natal, as ruas voltam a se encher de gente, agora numa tentativa de se trocarem os presentes que, por algum motivo, não serviram, ou pela cor indesejada, por tamanho diferente. Nas lojas, os vendedores ainda fazem algumas vendas, atendendo a essa demanda de trocas, melhoram um pouco o valor das suas comissões, afinal o espírito do Natal ainda está no ar.

   Em poucas horas, as vitrines das lojas se encherão de roupas brancas, que exprimem a esperança de tempos melhores no novo ano que se inicia. Aumentam as vendas de espumantes, romãs, frutas diversas, lentilhas, mitos que se repetem e que são tidos como de “boa sorte” para que iniciemos o ano novo com paz, alegria e a certeza do sucesso.

   Porém, a única certeza que levamos para o ano novo é a da fidelidade de Deus, o que aprendemos com o texto bíblico de Êxodo 34.6, que diz:  “Então Deus passou diante de Moisés e disse em voz alta: — Eu sou o SENHOR, o Deus Eterno! Eu tenho compaixão e misericórdia, não fico irado com facilidade, e a minha fidelidade e o meu amor são tão grandes, que não podem ser medidos.”

   “Deus é fiel” é uma afirmação comum em nossos dias, vemos e ouvimos essa afirmação com frequência ao nosso redor. Quem nunca testemunhou essa citação em alguns adesivos de carro pelas ruas de nossas cidades?

   Mas a pergunta é:  somos fiéis a Deus? Particularmente nunca vi um adesivo que afirme “Eu sou fiel a Deus”...

   Mesmo assim continuamos, em cada amanhecer, constatando da fidelidade de Deus em nossas vidas. Mas, se sabemos que Ele é fiel, por que temos medo do amanhã, do novo?

   Devemos gastar nossas energias diante de um novo tempo nos preocupando com outras ações, na certeza que Deus tem cuidado de cada um de nós.

   Depois que colocamos as nossas vidas nas mãos Dele, basta confiarmos na Sua fidelidade e descansarmos, afinal, é na própria Bíblia que lemos “Ponha a sua vida nas mãos do SENHOR, confie nele, e ele o ajudará.” (Salmos 37.5 NTLH).

   Nossos medos e problemas agora estão sobre os ombros Dele, não precisamos mais carregá-los sozinhos, e nem devemos temer o futuro , enfrentemos o novo tempo que se inicia com fé e confiantes no cuidado de Deus para conosco.

   Tendo esse pensamento como base, creio que deveríamos entrar nesse ano novo tomando três inciativas importantes:

Em primeiro lugar, enfrentemos a vida com fé.
   Quando o povo hebreu, fugindo do exército de Faraó, se depara com um novo obstáculo em seu caminho, o mar, cobra de Moisés uma solução. Moisés, então, ouve de Deus: “ Por que você está me pedindo ajuda? Diga ao povo que marche.” (Êxodo 14.15).

   Só havia um caminho a seguir, e uma atitude a tomar, mas o povo clamava a Deus e nada fazia... Então o Senhor disse ao povo: marchem! Nenhum mar em nossas vidas vai se abrir sem que marchemos, sem que a planta de nossos pés pise em terras desconhecidas.

   Devemos marchar em frente! Não fiquemos só clamando a Deus por nosso futuro, pois Ele nos diz hoje também: marchem!  Marchemos como filhos de Deus, sigamos em frente confiantes, certos de que Ele não nos abandonará, jamais!

Em segundo lugar, diante do novo tempo devemos observar, onde temos ‘descansado’ as nossas mãos?
   No Evangelho de Lucas 9:61-62, vemos Jesus pondo à prova um jovem que queria seguir junto com ele a jornada de um novo tempo, mas que se inquietava em despedir-se dos parentes a continuar a marcha.

  A resposta de Jesus nos faz lembrar de onde temos descansando as nossas mãos. O Mestre disse: “Ninguém que, tendo posto a mão no arado, olha para trás é apto para o Reino de Deus” (Lucas 9.62).

   Uns têm descansado as mãos no bolso, outros embaixo dos braços, outros na vida alheia, outros em maus sentimentos...

   Deus nos chama a colocar a mão no arado, na construção do novo campo, na preparação do novo terreno, na responsabilidade de semear as sementes que serão os frutos do amanhã.

   “Por a mão no arado” é sinal de compromisso com Deus ,que é fiel, é comprometer-se com  o novo tempo, com a vida, com o caminhar em frente, com o construir uma nova etapa da nossa existência.

   Hoje, se posso estar aqui e compartilhar essas palavras com todos, é porque escolhi pelo arado e não olhei para trás, prossegui em frente, aprendendo mais a cada dia, superando as barreiras e dificuldades que se impõem a cada nova manhã.

    Diante de nossa nova jornada, nada deve nos fazer voltar atrás ,a marcha exige de nós compromisso! Não olhemos para o que passou com o desejo da volta, olhemos para frente e trabalhemos confiantes!
Marchemos na certeza que diante do novo tempo temos que ter confiança em um futuro melhor, para nós e para os outros, também.

Terceiro lugar: temos que ter uma direção, um propósito, um ideal.
   Ninguém chega a lugar nenhum se não marchar na direção de um ideal, pois sem a direção do alvo nos perdemos pelo caminho.

   O apóstolo Paulo na carta aos Filipenses, capítulo 3:13-16, nos ajuda e indica que devemos avançar para as coisas que estão diante de nós, prosseguindo para o alvo, para o prêmio que nos é oferecido por Jesus:
Porém uma coisa eu faço: esqueço aquilo que fica para trás e avanço para o que está na minha frente.”

   Estamos satisfeitos onde estamos e como estamos, ou temos nos dirigido ao ideal que traçamos em nossos sonhos? A nossa marcha aponta em sua direção?

   Meus queridos amigos, marchemos! Coloquemos a mão no arado! Avancemos para o alvo! Deus tem cuidado de nós. Cabe-nos escolher se queremos que Ele cuide de nós ou não. A escolha é nossa...
Ele continua o mesmo; sempre Fiel e grande em misericórdia.

   Que neste ano de 2014 possamos Marchar, nos Comprometermos e Prosseguirmos para o alvo , todos!

   Mas, para atingirmos o sucesso,  vão algumas dicas que devem pautar a nossa vida nessa nova etapa:

1. Não levemos para o novo ano qualquer dos eventos do passado, pois eles não realizam ou agregam, e se tornam pesos mortos, difíceis de carregar : “Mas agora o SENHOR Deus diz ao seu povo: ‘Não fiquem lembrando do que aconteceu no passado, não continuem pensando nas coisas que fiz há muito tempo’ (Isaías 43:18-19)"

   Devemos ser gratos pelo ano passado, afinal, ele foi uma dádiva de Deus para nós. Estamos vivos, o que não é pouco. Quando olhamos para janeiro passado, notamos que não realizamos todas as coisas que queríamos, mas conseguimos algumas delas.

   Podemos não ter tido a saúde que gostaríamos, mas chegamos até aqui. Parte do que não realizamos é culpa nossa mesmo, logo não podemos nos queixar. O que nos cabe fazer, é uma mudança de atitudes, para que possamos concretizar nossos sonhos e ideais nesse novo ano que se inicia.

2. Aceitemos o fato de que tudo é possível para aquele que acredita, mas os resultados nascem em sua mente, tal qual o salto em distância toma forma antes que o atleta comece a correr.

   “O Deus que ressuscita os mortos e faz com que exista o que não existia.” ( Romanos 4.17).

    Sonhar, planejar.

   Apesar de nossas falhas em cumprirmos compromissos, eles diante de nós são como os mapas do caminho, precisamos tê-los para chegar onde queremos.

   Não devemos firmar compromissos vagos (do tipo "vou ser uma pessoa melhor no ano que vem").

   Também não devemos nos comprometer com o que os outros se comprometem, mas com o que Deus toca no nosso coração para nos comprometermos.

    Não devemos  anunciar compromissos que envolvam os outros, mas os que dependem de nós (não posso fazer dívidas para outros pagarem). Devemos saber onde queremos estar no final deste novo ano, devemos imaginar como queremos estar ao final do novo ano.

   Se estamos satisfeitos com o que alcançamos, não há muito o que fazer. Se podemos ser melhores, há muito a ser feito. Há muito mais para cada um de nós, em todas as áreas da vida..

3. Afastemos de nossas mentes os antigos medos, rancores, mágoas e desconfianças. As pessoas não são suas inimigas, somente agem com a mesma fragilidade que você. Amá-las transforma suas vidas.

    ” No amor não há medo; o amor que é totalmente verdadeiro afasta o medo. Portanto, aquele que sente medo não tem no seu coração o amor totalmente verdadeiro, porque o medo mostra que existe castigo” (I João 4:18).

Quando conhecemos o amor de Deus, não temos mais medo de nada, o  Seu perfeito amor lança fora o nosso medo, afinal, Ele é fiel não é?

4. Perdoemos aqueles que nos magoaram, tiraram algo de nós. Joguemos fora todos os planos de vingança. A raiz de amargura não vai machucar nem enfraquecer os seus opositores, mas irá reduzir – isso sim – a nossa capacidade de criar, sonhar e viver.

. “Tomem cuidado para que ninguém abandone a graça de Deus. Cuidado, para que ninguém se torne como uma planta amarga que cresce e prejudica muita gente com o seu veneno” (Hebreus 12:15).
   
   A falta de perdão causa doenças, enfermidades físicas e psíquicas. Quando perdoamos alguém que nos machucou, nos livramos de um grande estresse interior, o que nos transforma em pessoas melhores e saudáveis.

5. Vivamos cada dia como se fosse único, extraindo dele o melhor, pois, a rigor, não existe um ano, um mês, uma semana, mas dias, horas, minutos e segundos, que devem se aproveitados.
” Este é o dia da vitória de Deus, o SENHOR; que seja para nós um dia de felicidade e alegria!” (Sl 118:24).

   A vida é uma dádiva que recebemos, e que devemos viver com intensidade, dentro dos princípios éticos e morais que devem norteá-la, convivendo em sociedade e sendo úteis aos demais.

6. Sejamos gratos em relação a cada pequena coisa, e nunca deixemos de apreciar o sol, a luz, as estrelas e a maravilha da criação, que mostram a glória de Deus.
“O céu anuncia a glória de Deus e nos mostra aquilo que as suas mãos fizeram.”  (Salmos 19:1).

   A perfeição da natureza, a grandeza infinita do Universo.

   Imagine que se viajássemos à velocidade da luz (300 mil km/seg, ou 9 trilhões e meio de km/ano), levaríamos 10 bilhões de anos para chegar ao ponto mais distante que conseguimos enxergar com um telescópio!

   A grandeza da Criação aponta para um Criador infinitamente maior!

   Aprendamos a apreciar tudo de bom que a natureza nos proporciona, de forma responsável, de modo a reverenciarmos a grandeza de Deus expressa em toda a sua perfeição.

   O cientista Isaac Newton dizia que “A natureza se levanta e, em alta voz, canta louvores ao Criador, até os lugares mais distantes”.

7. Escolhamos parceiros certos, dos quais o mais positivo é o próprio Deus, que não nos chama de servos, mas de amigos.

   “Vocês são meus amigos se fazem o que eu mando”.  (João15:14).

   Essa é a diferença entre ser servo e amigo:  servos, simplesmente fazem o serviço que for designado, já o amigo tem a nossa confiança.

   Ao amigo revelamos nossos planos, compartilhamos nossa vida com ele. Procure se cercar de pessoas confiáveis, responsáveis, honestas, que possam ajudar na sua trajetória rumo a uma vida melhor. Faça o maior número de amigos que conseguir, eles estarão sempre ao seu lado, ajudando, orientando e amparando nos momentos de necessidade. E não se esqueça de que Jesus é o melhor de todos os amigos!

   Que em todos os momentos deste novo ano nós nunca deixemos de sonhar com um mundo melhor ; mas, ao mesmo tempo, que não nos entreguemos quando as coisas não forem tão bem assim.

   E sobretudo, que nos momentos de alegria ou de tristeza, de bem-estar ou sofrimento, de vitórias ou derrotas, possamos crescer juntos, nos alegrarmos juntos e nos ampararmos uns aos outros. 

   Que todos tenhamos um Feliz Ano Novo!!

Fernando Marin




domingo, 16 de dezembro de 2012

Então é Natal !





                
                                                                                                 Por: Fernando Marin

   Nessa época do ano, sempre me vem à mente fatos da minha infância acerca do Natal, aquelas coisas que criança guarda na memória, e que nunca mais saem de lá. Me lembro de que gostava de ir à casa de meus avós, porque lá havia uma árvore de natal com lâmpadas compridas que, quando ligadas, formavam bolhas coloridas no interior dos bulbos, eu amava aquelas lâmpadas.

   Me lembro, ainda, dos presentes que iam se acumulando, aguardando o dia 24 de dezembro, após a ceia, para que fossem distribuídos e abertos. Na noite de Natal, casa cheia, a ansiedade sempre era muito grande, imaginava, diante de todos aqueles pacotes, quais me caberiam, se os maiores, se os menores, ou os mais bonitos.

   Crescemos, mas, as lembranças permanecem, daquele tempo em que tirávamos fotografias com Papai Noel, um pobre homem vestido de vermelho com roupas polares em pleno verão carioca!

   Quem não sente saudades desse tempo?

   Mas, crescemos, e logo descobrimos que Papai Noel não existe, nunca existiu. Aprendemos a olhar o Natal com olhos mais espirituais, a entendermos qual é o seu verdadeiro significado, quebra-se aquele encanto de criança, mas, surge a reflexão do adulto.

   Todos os anos, o mês de dezembro se destaca por ser o escolhido para celebrarmos o Natal, o nascimento de Jesus, o Cristo, que veio ao mundo para cumprir uma missão de amor, a de dar a sua própria vida para que nós, hoje, pudéssemos novamente sermos chamados de Filhos de Deus.

   Sabemos que a data de 25 de dezembro não é a do nascimento de Jesus, por uma série de razões geográficas e históricas, mas, isso pouco importa, o que importa é que celebremos a vinda daquele que é o Senhor de todas as coisas, e que pregou o amor e a humildade acima de tudo, o que se deu em amor por nós, sofreu e morreu naquela cruz para que todos pudéssemos viver eternamente.

   Porém, com o passar do tempo, essa data tão significativa para muitos perdeu o foco, o Natal hoje é visto como época de altas vendas, por parte do comércio, de celebrações alcoólicas, de troca de presentes de amigo secreto, de festas e de comilanças, não são muitos os que o celebram conscientes da importância dessa data, e do que ela trouxe para a humanidade.

   As cidades, lojas, casas, estão cheias de luzes coloridas, os shoppings, lotados, as pessoas correndo em busca dos presentes para serem entregues, poucos sabem porque, por tradição, somente.

    Restaurantes, bares, repletos, jantares de confraternização, festas e todo tipo de celebração, antes que venham os feriados, os esperados feriados de final de ano, em que muitos poderão viajar, aproveitar umas férias merecidas, tudo isso oferecido pelo Natal.

   Nas ruas, um enorme movimento de pessoas, ávidas por gastarem o seu décimo terceiro salário anual, buscam por ofertas ou pelo seu sonho de consumo, tudo em nome do Natal. Ainda ontem, no telejornal local, um comerciante protestava contra a prefeitura da sua cidade porque as ruas não estavam enfeitadas como deveriam, já que, se estivessem, estimulariam as pessoas a comprarem mais, a gastarem, o que faz a alegria dos lojistas.

   Os shoppings investem milhões, em decoração natalina, em uma competição entre eles por mais clientes. Árvores de natal gigantescas são montadas, com custo altíssimo, como forma de explorar publicidade, tudo em nome do Natal.

   Mas, será que isso é o Natal?

   Creio que o Natal não tem a ver com consumismo. Claro que as pessoas devem, sim, enfeitar as suas casas, mas, também deveriam adornar os seus corações, se preparando para comemorar a vinda de Jesus.

   Natal é celebração do amor, da paz, da família. A Ceia é uma oportunidade de estarmos reunidos em comunhão para refletirmos sobre o real significado da data para todos nós, afinal Jesus nasceu! Ele veio para libertar-nos da opressão, dar visão aos cegos, para livrar-nos da escravidão imposta pelo pecado, que nos afastava de Deus!

  Ele veio a este mundo, Deus em forma humana, para que fossemos curados das nossas enfermidades físicas e espirituais, sofreu e morreu para que nós pudéssemos ter a vida eterna, tudo isso por amor !

   Natal é tempo de  lembrar dos pobres, dos excluídos, de todos aqueles a quem Jesus também amou, alimentou , curou.

   O amor é a tônica do Natal. É tempo de refletir, é tempo de mudar, é tempo de agir.

   Feliz Natal para todos!

Fernando Marin

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

O Valor de Uma Amizade






                   

                                                                                                        Por: Fernando Marin


Ao sair ontem à noite para um compromisso, não pude deixar de reparar na lua, que se apresentava na sua forma mais bela, cheia, iluminando tudo ao seu redor com aquele brilho pálido mas, ao mesmo tempo, fulgurante.

Não sei se isso ocorre a todos, mas, a mim, a lua trás uma sensação  de paz , meditação,  exteriorização de sentimentos, a lua me faz abrir o coração.

Continuando no meu trajeto, à beira mar, me chamou a atenção a quantidade de pessoas que estavam nos bares, restaurantes ou mesmo que caminhavam sob aquela luz refletida pelo nosso satélite natural, acho que a lua encanta a todos, principalmente quando espalha aquela prata sobre as ondas do mar.

Pus-me a refletir sobre a vida, acerca das pessoas. Os humanos são seres relacionais, criados para conviver em famílias, em grupos. Daí, inclusive, a ideia da igreja, uma comunidade de indivíduos que expressam a mesma fé, e que convivem em um ajuntamento compartilhando mais dessa fé, aprendendo e ensinando acerca dela. Ali, na igreja, nascem grandes amizades, amizades essas que são baseadas no amor de Cristo, amizades duradouras, eternas.

Mas, existem muitas ‘categorias’ de amigos. Há aqueles de fim de semana, que encontramos por poucas vezes, há outros com os quais nos achegamos mais, há, ainda, a mais sublime de todas elas, a dos melhores amigos. Quando digo melhores amigos, me refiro àquela categoria especial, àqueles com quem amamos estar , compartilhar das nossas alegrias, tristezas, abrirmos os nossos corações, àqueles que são raros e caros, difíceis de se conseguir.

As amizades são fundamentais nas nossas vidas. A família, por si só, não pode nos suprir de todas as nossas necessidades de afeto, ou de confiança. Por isso, dizem que Deus criou os amigos, eles seriam anjos encarregados de nos cuidarem e ouvirem, ajudarem e orientarem, e para até mesmo nos carregarem, se for preciso.  É a própria Bíblia quem diz em Provérbios 18.24 que “  Algumas amizades não duram nada, mas um verdadeiro amigo é mais chegado que um irmão.”

Aliás, há várias passagens bíblicas que enfatizam a amizade, porém , creio que a que mais nos ensina sobre ela, está no relato do livro de Jó.

No livro, Jó é descrito como um homem sério, honesto, correto e temente a Deus, embora fosse muito rico, o mais rico de todo o oriente na época. Mas, subitamente, a sua história muda completamente: Deus concede a satanás que este crie grandes sofrimentos a ele, com fins de provar a sua fidelidade.

E Jó perde tudo, seus animais, bens, filhos e filhas, empregados e até mesmo sua saúde, a Bíblia cita que ele teve todo o seu corpo coberto por feridas horríveis, o que o obrigou a se isolar, sentar-se sobre um monte de cinzas e coçar-se com um caco.

O sofrimento de Jó chega aos ouvidos de três de seus amigos, Elifaz, Bildade e Zofar, que viajaram para estarem com ele, consolá-lo, ajudá-lo. Quando viram a situação em que Jó se encontrava, diz o texto que eles começaram a gritar e chorar, e, como o costume da região, rasgaram as suas vestes e atiraram pó sobre as suas cabeças. Os amigos de Jó, compartilhando a sua tristeza e sofrimento, permaneceram sentados próximos ao amigo por sete dias, sem proferir palavra, esperando que ele se manifestasse, porque viram que sofria muito.

Nas ocasiões onde há sofrimento, cabe aos amigos a tarefa de estarem junto ao sofredor, compartilhando da sua dor, nem sempre palavras são necessárias, o mais importante é a presença que consola, trás segurança e confiança de que as coisas vão melhorar.

Depois de quebrado o silêncio inicial, os amigos de Jó o ajudaram a tentar entender toda aquela dor por que ele passava, embora não conseguissem uma resposta precisa. Não o abandonaram, permaneceram com ele, mesmo em discordância, os seus três amigos não o deixaram só. Da mesma maneira, devemos proceder com aqueles que atravessam situações de dor, de sofrimento, esse é o papel de amigos verdadeiros.

Numa situação em que a sua própria esposa o aconselhara a abandonar a Deus e morrer, os amigos fizeram toda a diferença na vida de Jó, estando juntos a ele, tentando descobrir o que teria causado toda aquela dor, até que, o maior de todos os nossos amigos, Deus, se manifestou e, no final de tudo, restituiu em dobro tudo aquilo o que Jó havia perdido, fazendo-o recuperar a felicidade e a alegria.

Em momentos de sofrimento, de dor, faz-se mais do que necessária a presença dos amigos, amigos verdadeiros, que nos compreendam, nos entendam, nos ouçam ou que compartilhem do nosso silêncio, que nos ajudem a aguardar que aquela “tempestade” passe, e que o sol volte a brilhar sobre as nossas vidas.

Mas, como dizia o velho poeta, “ a vida é a arte do encontro, embora existam tantos desencontros pela vida”, um dia, sem aviso , amigos podem se distanciar,  a vida às vezes os afasta de nós, do nosso convívio, mas, não do nosso coração.

Volto para a lua, responsável direta por tudo o que escrevo hoje. Como disse, ela cria , em mim, a capacidade de me fazer sonhar, refletir, meditar. Ela continuará no céu, mesmo que não a vejamos, ela continuará por lá, por outros lugares, assim como amigos distantes, espalhando a sua prata sobre o mar, inspirando outras pessoas a sonharem, a meditarem. Mesmo que não esteja ao alcance dos nossos olhos, a lua continuará a, de alguma forma, ajudar , mesmo que seja com a sua lembrança, a exteriorizar sentimentos, sonhos, reflexões.

E fica a saudade de amigos que se foram, se foram da nossa vista, mas, não do coração. Com certeza, hoje eles devem estar como a lua, prateando outras águas, iluminando outros horizontes, fazendo a diferença nas vidas de outras pessoas, como anjos , ajudando, amparando a quem deles necessite.

Fernando Marin