quarta-feira, 29 de maio de 2013

Moradia e Dignidade





Moradia e Dignidade


Por: Fernando Marin




 Sempre gosto de me atualizar, lendo os jornais diariamente e assistindo aos telerjornais que consigo na televisão. Uma coisa que sempre me chama a atenção são os incêndios constantes que acontecem nas comunidades carentes de São Paulo.

 Lá, essas comunidades  costumam ocupar terrenos planos, vazios ou abandonados, onde se constroem centenas de pequenos barracos utilizando madeira e papelão – altamente combustíveis – como materiais básicos. A energia elétrica , é obtida através de ligações clandestinas (os famosos “gatos”, que também existem em algumas residências de alto padrão), o que favorece curtos-circuitos. A água, normalmente é ‘furtada’ da rede normal, até mesmo porque, devido à irregularidade da situação das moradias, as companhias concessionárias negam-se a efetuar as ligações de forma regular.

 Mas, o que sempre me pegunto é por que motivos as pessoas aceitam viver nessas moradias toscas? Sem conforto, sem privacidade, sem saneamento?

 Quem conhece São Paulo – falo hoje sobre São Paulo porque é onde a maioria desses incêndios acontecem, mas as favelas estão em todos os lugares – sabe das dificuldades. Os mais pobres aceitam tal condição por não poderem adquirir regularmente suas casas, devido ao alto custo das construções. Outro fato a ser levado em consideração, são os valores elevados das tarifas do transporte coletivo na capital paulista, o que onera os trabalhadores que moram mais distantes do seu trabalho, isso sem contarmos com os tempos de deslocamento  que podem chegar a  mais de 4 horas diárias.

 Mas, antes que o leitor pergunte o que a Teologia tem a ver com isso tudo, creio que poderíamos, sim, dar um ponto final a essa falta de dignidade, a que assistimos calados.

 Interessante notar que, mesmo tendo conhecimento da falta de moradias, a maioria das prefeituras não toma nenhuma iniciativa para reverter esse quadro. A não ser, quando acontece um incêndio, por exemplo, quando aparecem por lá cadastrando os moradores que perderam as suas casas, prometendo uma solução mágica que nunca chega a ser realidade.

 Por que não se constroem casas populares? Há pouco tempo atrás, assistimos a cenas de selvageria, durante a desocupação de uma grande área invadida há anos, em São José dos Campos (Pinheirinho), uma cidade altamente industrializada, rica, populosa. Apesar disso, vimos um verdadeiro ‘jogo de empurra’ entre prefeitos , governadores e presidente da República, todos afirmando ser do outro a responsabilidade.

 E nada muda. Vidas se perdem, os poucos bens materiais se vão em incêndios, enchentes, desocupações, mas o quadro não muda.

 Moradia trás dignidade, e dignidade é fundamental. Uma família, para atingir a felicidade, necessita de moradia, trabalho, educação, saneamento, saúde, ou seja, daquilo tudo o que os governos sempre prometem em épocas eleitorais, mas, nunca cumprem.

 Moro em uma cidade de pequeno porte (120 mil habitantes), com um afortunado orçamento anual  e, mesmo assim, há anos a prefeitura não constrói uma única casa popular, mesmo tendo conhecimento de uma demanda reprimida de cerca de 2000 delas.

 No Brasil sempre pudemos ver, a cada novo governo , novas conquistas sociais, bolsas-família, cheques-cidadão, mas, creio que tudo isso são formas de apenas se desviar a atenção para o verdadeiro problema, ou de não querer resolvê-lo: a falta de dignidade humana.

 Ninguém mora mal por querer, com certeza.

 Creio que as igrejas, ONG’s, governos, deveriam estar mais atentos à essas situações diárias que maculam nosso país e, principalmente, trazem dor, sofrimento, aflição a milhões de brasileiros que não possuem um teto decente para se abrigarem.

 É dever de todo cristão ou não de lutar para que haja melhoria da qualidade de vida, mesmo que seja por preocupação com um futuro melhor para a sociedade.

 Afinal, o que poderemos esperar para o futuro dessas crianças que vivem nessas condições? Fora isso,não podemos esquecer que o valor da vida humana é inestimável, muitos já perderam as suas  em incêndios , desabamento de encostas, enchentes e outros dramas. Até quando a inércia das autoridades vai causar mortes? Até quando a inércia do povo cristão vai deixar que pessoas morram?

 Mãos à obra! Lutemos para que os mais pobres tenham a vida em abundância que Jesus prometeu! O trabalho de evangelização e de atendimento aos que precisam deveria ser prioridade em todas as igrejas, de todas as denominações. Afinal, é isso que prega o Evangelho. Foi essa a tarefa que recebemos de Jesus. É assim que demonstramos o amor que há (ou deveria )haver em nós.

 Chega de conversa e vamos à luta!

Fernando Marin

Atualizado e republicado



domingo, 19 de maio de 2013

Inversão de Valores








Inversão de Valores

                                                                                                 
                                                                                                          Por: Fernando Marin

   Mais uma vez, a visão de uma imagem me trouxe à mente um turbilhão de pensamentos, me pus a refletir sobre uma realidade que nos rodeia e que nos incomoda.

   A imagem é a reproduzida acima, copiada de uma rede social. Ali, ela mostra as obras que foram realizadas no Sambódromo, no Rio de Janeiro, o que veio a aumentar a sua capacidade de público em 12.500 lugares, criando a possibilidade de mais pessoas poderem assistir aos desfiles do carnaval carioca, famoso em todo o mundo. Mesmo que ele só aconteça uma vez por ano.

   Na contrapartida, a mesma imagem nos transporta a um corredor de hospital , repleto de pacientes deitados em macas, uma realidade que estamos acostumados a ver quase todos os dias nos noticiários, algo que parece sem solução e que já nem emociona mais a ninguém.

   Meu Deus, me pergunto: não está tudo errado?

   Venho acompanhando o desenrolar dos preparativos para a Copa do Mundo, e das Olimpíadas, que se realizarão aqui em 2014 e 2016, bilhões e bilhões de reais investidos em estádios, avenidas, metrôs, aeroportos, tudo visando o conforto dos turistas que por aqui passarão (por um mês, apenas) nesses eventos. Só no Maracanã, os gastos chegam à cifra de mais de 1 bilhão de reais , o que ultrapassou em muito o orçamento original. Muitas dessas obras, depois dos jogos, ficarão praticamente sem utilização, ou seja, o dinheiro investido trará um retorno muito pequeno, um custo x benefício desfavorável.

   Os eventos como a Copa e as Olimpíadas que acontecerão por aqui estão sendo colocados pela mídia como se fossem os salvadores do país, embora tenham a duração de apenas 30 dias, findos os quais a vida volta ao normal e os problemas continuarão os mesmos que nos incomodam e prejudicam hoje. A diferença é que, depois desses eventos, uns poucos privilegiados estarão com as suas contas bancárias bastante engordadas, o que, com certeza, não seria o meu caso nem o caso da grande maioria do povo brasileiro.

   Quero deixar claro, que não sou contra os desfiles de escolas de samba, nem a Copa do Mundo e, muito menos, as Olimpíadas. Sou contra esse estado de coisas que causam uma inversão de valores. Afinal, o que vale mais do que uma vida? Um estádio? Uma avenida?

   Afinal, o que é prioridade para o povo brasileiro ?

   Será que a prioridade dos políticos combina com a do povo?

   Como explicar a alguém que está ‘acampado’ em um corredor de hospital que os recursos que poderiam salvar a sua vida estão sendo investidos em um estádio, por exemplo, que vai sediar uns poucos jogos da Copa?

   Claro , sabemos que os problemas da saúde pública não são limitados à falta de verbas, mas, também, à sua má administração, problema crônico e sem perspectiva de solução no momento. Mas, será que o governo vem dando a atenção devida a ela?

   Claro que a teologia não tem nada a ver com isso, ou tem?

   Se considerarmos a definição de teologia por parte de Karl Barth, que a definiu como “ um falar a partir de Deus”, sim, a teologia deve, sim, se posicionar na questão, já que ela envolve a saúde e a vida das pessoas, pessoas que são a maior e mais perfeita criação divina.

   Quando deixamos de lado a criação de Deus – e tudo é a criação de Deus – estamos cometendo um grave erro. Afinal, toda a criação vem gemendo (Romanos 8.22) há tempos, por estar sendo maltratada pelos seres humanos, para os quais todas as coisas foram feitas.

   Relegar a vida humana a um segundo plano, priorizar obras de pouca utilidade em detrimento da saúde, da educação, da assistência social, vai de encontro a tudo aquilo que Deus planejou para a humanidade.

   Vivemos uma época, prevista pelas escrituras, onde o amor de muitos esfriou, onde o dinheiro está acima de qualquer outra coisa, tempos de moral e ética ‘varridos’ para baixo do tapete da corrupção , tempos onde cada um quer suplantar o outro, não só em poder econômico e social, mas também de glória pessoal.

  Vivemos um sistema político ultrapassado e incoerente com a chamada ‘democracia’, já que o verdadeiro detentor do poder , teoricamente  o povo, não tem acesso sequer aos seus direitos essenciais. 

   Nós, pelo menos os que se dizem cristãos, temos grande responsabilidade nesse processo, já que é nossa a obrigação de sermos discípulos e de fazermos a vontade daquele que é o nosso Mestre, Jesus. Quando deixamos de cumprir com isso, colocamos em risco a vida das pessoas, de várias maneiras.

   É nosso dever lutar para que o Evangelho seja, não apenas pregado, mas, aplicado em todas as áreas da vida humana. Afinal, a Bíblia nos diz em Tiago 4.17 que    "Portanto, comete pecado a pessoa que sabe fazer o bem e não faz.”

   Com certeza, todo cristão sabe fazer o bem.

   Como cristão, não gosto de cometer pecado.
 
Fernando Marin

Atualizado e republicado.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Ó materno Deus (Oração pelas mães)






Quando reli esse belo poema escrito pelo Prof.Luiz Carlos Ramos, não pude deixar de compartilhá-lo com todos, em uma homenagem pelo Dia das Mães.

Muito obrigado ó Deus pela vida da minha e de todas as mães , sejam elas quem forem, onde estiverem, que todas elas sejam honradas porque receberam de Ti o dom da maternidade.

Fernando Marin



Ó materno Deus (Oração pelas mães)


                                                                                                  Por: Luiz Carlos Ramos


Ó materno Deus,
rendemos-te graças pelas mães:
Por seus graciosos cabelos, cada vez mais grisalhos,
que revelam a experiência e a esperança com as quais nos educaram;
rendemos-te graças por suas mãos, sulcadas pelo trabalho e pelo tempo, que nos acalentaram, medicaram, confortaram…;
rendemos-te graças também por seus pés, já tão doloridos,
porque foi por seu exemplo que aprendemos, um dia,
a andar com os nossos próprios pés.
Também oramos pelas mães que assumiram o lugar de outras mães,
porque, por seu amor sobreabundante, não nos deixaram órfãos.
Guarda-as no teu amor.
Oramos ainda pelas mães que se despediram de seus filhos em circunstâncias dramáticas.
Que tamanhas saudade e ausência sejam supridas por tua presença amorosa.
Intercedemos em favor daquelas que, conquanto tanto desejassem,
não puderam realizar o sonho de gerar uma criança.
Que seu amor pela vida não as impeça de exercer o cuidado maternal
junto a tantos que padecem o abandono e sofrem com a orfandade afetiva.
Ó materno Deus,
pedimos-te, finalmente, por aquelas mães que se viram na condição extrema
de terem que abandonar o filho gerado em suas entranhas.
Quem poderá compreender-lhes a dor, a angústia, o sofrimento?
Quem poderá julgá-las, sem considerar-lhes a rudeza e as atrocidades sofridas,
que as levaram a praticar gesto tão nefasto?
Somente o teu infinito amor pode redimi-las, por isso suplicamos-te:
restabelece-as, por tua graça, a uma vida digna; concede-lhes o teu perdão;
dá-lhes a força que vem do alto para que possam, um dia, reparar o seu erro.
Ó materno Deus,
tem misericórdia de nós, filhas e filhos, porque sabemos tão pouco da vida;
ajuda-nos a crescer para podermos honrar as mães que nos deste,
sim, a todas aquelas pessoas que cuidaram de nós com amor maternal.
Que possamos retribuir-lhe os cuidados, quando a hora chegar.
E que a tua paz, o teu amor e a tua ternura, sejam sobre todas as mães do mundo,
e sobre aquela que aconchegamos no recôndito do nosso coração.
Amém.

Luiz Carlos Ramos

(Dia das Mães, 2011)


extraído de: http://www.luizcarlosramos.net/o-materno-deus/ , visualizado em 10 de maio de 2013.






quarta-feira, 8 de maio de 2013

Posso ouvir música que não seja cristã?











 Esse é um outro assunto muito questionado, afinal, um cristão pode ouvir música "do mundo" ? Será isso pecado? Qual é a verdade ?

 Hoje, visitando o site do amigo, o Reverendo José do Carmo, teólogo, pastor da Igreja Metodista em Fátima do Sul, MS , encontrei esclarecimentos que julguei oportunos e, por isso, decidi extrair de lá esse artigo.

Fernando Marin



    POSSO OUVIR MÚSICA QUE NÃO SEJA CRISTÃ?




                                                       Por: Reverendo José do Carmo da Silva


 Muitos ainda fazem a seguinte pergunta: Pastor eu agora sou convertido, posso ouvir música que não seja cristã? Muita gente se debate com tal questão. Respeito as dores de cada um e igualmente as diversas posições sobre o assunto. Mas penso que, quem foi de fato tocado pela graça já não é incomodado por tais pudores, pois a graça o faz ver e sentir a presença de Deus mesmo onde o Nome Dele não é citado, mas é através da beleza da poesia, do amor, da melodia evocado e invocado.  Posto abaixo, de autoria do Bispo Walter McAlister, um dos vídeos mais esclarecedores sobre o tema do artigo anunciado.


 Ouço músicas seculares, não todos os ritmos, mas ouço, obviamente que com critérios. Critérios os quais eu aplico até mesmo as músicas gospel, uma vez que muitas são sim prejudiciais a fé, pois possuem heresias. No tocante as músicas seculares que ouço, eu as passo pelo crivo bíblico, com base no seguinte conselho de Paulo: "Finalmente, irmãos, tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for correto, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama, se houver algo de excelente ou digno de louvor, pensem nessas coisas." Acesse e leia o capítulo completo: Filipenses 4
  Posto abaixo, de autoria do Bispo Walter McAlister um dos vídeos mais esclarecedores sobre o tema do artigo anunciado.






Rev. José do Carmo da Silva - Mano Zé do Egito.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Alimentação nos Tempos Bíblicos IV - Coalhada Seca






                                                                                                     Por: Fernando Marin



Coalhada Seca à Moda Bíblica 



Através dos textos bíblicos, constatamos que  Deus proveu a terra de tudo o que o homem precisava para ter uma vida em abundância. Na terra prometida, o povo hebreu dispunha de leite, mel, uvas, figos, romãs, amêndoas, azeitonas, e muitas outras coisas, tais como trigo, lentilhas, cevada, e diversos tipos de grãos,  tudo isso além da carne de diversos animais .  

Com toda essa variedade, usando a inteligência concedida pelo Senhor, o ser humano foi capaz de criar uma série de diferentes receitas para se alimentar bem e com fartura.  

A Bíblia não nos fornece, claramente, as receitas dos pratos consumidos na época, mas, nos dá diversas pistas, a partir dos ingredientes . O leite, por exemplo,  abundante na primavera, era consumido in natura e de diversas outras formas, tais como, iogurtes, coalhadas, queijos e manteigas.  

Um dos derivados do leite que Jesus e os seus discípulos, com certeza, consumiam como antepasto, nas suas refeições ou  no café da manhã, era a coalhada seca, chamada de labneh.  

labneh, hoje, é vendido em formato de bolinhas, em potes , mergulhados no azeite ou com zatar e azeite.  

 
 
Zatar -  (Za'atar  em hebraico: זעתר), também zátar ou zaatar, é uma mistura de especiarias usada como condimento e originária do Oriente Médio. É tradicionalmente feita com gergelim, tomilho e sumagre que confere acidez. O nome vem de seu principal ingrediente, o zahatar, uma espécie de tomilho que cresce no Oriente Médio. Outras especiarias podem ser incluídas na mistura, como o cominho, casca de limão, coentro, anis, etc. de acordo com a região de origem.

O preparo da coalhada ou iogurte: 

Ferva dois litros de leite, tipo A ou B, e coloque numa tigela de louça para esfriar até 38 a 40 graus (deve ser suportável ao pingar um pouco no pulso). Retire um pouco desse leite numa tigela pequena e misture duas colheres de sopa de leite em pó (se usar leite de fazenda não é necessário colocar o leite em pó) e um pote de iogurte natural (verifique a data do vencimento, pois quanto mais fresco for, mais forte será o seu agente fermentativo). Mexa bem e retorne essa mistura à tigela maior misturando tudo muito bem, com uma colher de pau sempre no mesmo sentido. Tampe o recipiente e coloque-o num canto da pia, evitando movimentos bruscos. Após mais ou menos oito horas, o leite estará totalmente coalhado. Se quiser, separe um pouco dessa coalhada e guarde na geladeira para ser usada como agente fermentativo, numa próxima vez em que for fazer coalhada. 

Coalhada seca à moda bíblica 

Proceda como descrito na receita anterior para coalhar o leite. Depois de pronto, despeje o leite já coalhado numa peneira ou num escorredor, forrado com um pano branco, limpo e grosso, ou use um saco feito de tecido de sacaria, para escorrer o soro. Coloque a peneira sobre uma tigela para aparar o soro e deixe escorrendo por uma noite ou um pouco mais, dependendo da consistência que você desejar a coalhada: apenas cremosa, para já ser consumida, ou mais firme, em ponto de fazer bolinhas que serão colocadas num vidro de boca larga e cobertas com azeite puro. Sirva a coalhada seca, cremosa ou em bolinha, amassada com azeite e sal, como patê em pães e torradas. E deliciosa e saudável! Experimente. É fácil de se fazer. 

 Fernando Marin