sábado, 29 de junho de 2013

O Grito Marginal










É, como dizem, o gigante acordou. Ele, que estava deitado eternamente em um berço esplêndido, levantou-se contra aqueles que, aproveitando-se dessa situação de letargia, partiram para espoliarem, pilharem o sofrido povo brasileiro, privarem-no de uma saúde digna, de um transporte barato e confortável, de uma educação que realmente dê condições à população de evoluir como pessoas, fazerem uma carreira profissional de sucesso- o que hoje é para poucos. Enfim, o gigante se levanta e descobre que é mais forte do que pensava, que as finas amarras pelas quais estava atado não podiam contê-lo diante de tantas situações de injustiça social, de corrupção, de arrogância da parte da maioria dos políticos que, longe de representarem os interesses do povo, cuidam mais dos seus próprios.

Creio que seguimos para a construção de um novo Brasil socialmente mais justo e menos corroído pelos maus políticos e suas habilidades corruptas, um país que sabe aproveitar-se das suas imensas riquezas naturais, que possui uma população trabalhadora, honesta, simples, e que não mais aceitará calada os desmandos e ladroagens que até hoje se instalaram comodamente no poder.

Chega!

Posto, abaixo, um artigo de autoria do meu amigo, o Israel Barbosa, que ao longo dos seus 70 anos de vida, sofreu, lutou e , agora, espera ver realizado o sonho de um país justo e honesto para que seus filhos e netos tenham uma vida melhor.

Fernando Marin





O grito marginal

Por: Israel Santana    


Quando nos deparamos com o que está acontecendo nas ruas do nosso país varonil, invocamos os anos setenta, onde havia enfrentamento contra a ditadura, através de protestos, passeatas e até mesmo de guerrilha urbana e rural como base para a revolta popular.


Tinha-se uma visão crítica e um empenho em ações coletivas visando construir um mundo melhor. As recentes manifestações de rua, são a continuidade de outras semelhantes, e a confluência de diversos grupos organizados ou não, em torno de lutas sociais e/ou politicas diversificadas.


Nos anos setenta, a grande maioria da população e a maioria da juventude, estava alienada às grandes questões que se debatiam no Brasil e no mundo, além do fato da ditadura ter proporcionado um tal de" milagre econômico"que calava a boca de muita gente e enchia a barriga de muitos. Naquele tempo a seleção canarinho conquistava o tricampeonato mundial de futebol que cria, como agora, uma euforia natural para se explorar um nacionalismo ingênuo, mas convincente.


Esse movimento nos lembra que politização é possível e que politicidade é direito de todos. É de se esperar que o povo não lute por apenas vinte centavos, mas que continue nas ruas por moralidade nos serviços públicos, transparência nos negócios, educação de qualidade e saúde para todos. Leonardo Boff assim se expressou recentemente: " Nutro a convicção de que a partir de agora se poderá refundar o Brasil a partir de onde sempre deveria ter começado, a partir do povo mesmo que já encostou nos limites do Brasil feito para as elites. Estas costumavam fazer política pobre para os pobres e rica para os ricos."


E, finalmente, o gigante ferido acordou para o bem de todos e felicidade geral da nação.

Israel Santana
Pernambucano, pastor batista, missionário, atualmente congregando na Primeira Igreja Batista em Rio Largo (AL).

domingo, 16 de junho de 2013

Igreja e sociedade







Igreja e sociedade




Por: Fernando Marin


 Nos últimos dias a nação se surpreendeu com protestos em várias cidades motivados pelos aumentos das tarifas do transporte público. Surpresa maior, foi constatar que essas manifestações foram espontâneas, ou seja, não foram organizadas por partidos políticos, agremiações estudantis, não, elas partiram de postagens nas redes sociais, que meu amigo de Manaus, o Josenilson, chama de "o maior de todos os partidos políticos".

 Essas manifestações foram reprimidas com violência, o que veio a causar mais violência ainda, com vandalismo, depredações, como acontece em qualquer outra parte do mundo. O que mais revoltou a população foi o fato de  que a polícia, em geral, não está preparada - talvez por falta de hábito - a lidar com manifestações populares, o que, talvez, tenha gerado atos desproporcionais de ambos os lados.

 Com certeza, não foi coincidência que esses protestos estejam acontecendo ao mesmo tempo em que a Copa das Confederações se inicia, creio que a Copa tem grande parcela de responsabilidade neles, devido aos bilhões de reais investidos em estádios, sempre com a justificativa de que esse é um investimento que trará turistas ao país.

 Sim, com certeza, até porque poucos são os brasileiros que podem pagar pelos ingressos caros dos jogos e, portanto, usufruir do conforto dos novos estádios, todos nas mãos da FIFA, que explora até mesmo quem opera os bares e demais serviços nesses locais, mas principalmente porque o povo está ocupado demais nas filas para conseguir uma consulta médica, um exame, uma cirurgia ou às voltas com a baixa qualidade das escolas (apenas 0,6% delas são consideradas de padrão ideal), ou correndo de assaltantes, de balas perdidas  e por aí vai.

 Na abertura da Copa, uma grande vaia surpreendeu e constrangeu o presidente da FIFA e a nossa própria presidente ( não me acostumo de forma alguma com a palavra 'presidenta"), mostrando o descontentamento popular com a forma pela qual o Brasil está sendo "governado", apesar das pesquisas que dão ampla aprovação do povo com o atual governo ( bom, pesquisas não são mesmo muito confiáveis).

 Paralelamente, outras manifestações estão sendo programadas, agora cobrando punição para corruptos, contra a violência, pedindo moradia e outros direitos dos quais grande parcela da população brasileira está alijada, deixando o governo em uma situação delicada em uma época em que o  país é o foco das atenções esportivas mundiais.

 Mas, uma frase me chamou a atenção nisso tudo. Ela foi postada por alguém em uma rede social, e dizia algo assim:"Pastor, deixe seu púlpito e vá para as ruas cobrar os direitos das pessoas!".

 E aí, me pergunto: qual é o papel da igreja frente às demandas sociais justas?

 Quando recorremos à Bíblia, e analisamos os evangelhos com olhos cuidadosos, constatamos que a verdadeira salvação envolve corpo, alma e espírito. Quando lemos em Mateus capítulo 25, versos 34-36 ( " Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: 'Venham, vocês que são abençoados pelo meu Pai! Venham e recebam o Reino que o meu Pai preparou para vocês desde a criação do mundo'".), entendemos que o Reino será daqueles que: alimentaram ( "Pois eu estava com fome, e vocês me deram comida; estava com sede, e me deram água") ; foram hospitaleiros ( "Era estrangeiro, e me receberam na sua casa"); cuidaram ( "Estava sem roupa, e me vestiram; estava doente, e cuidaram de mim");  foram solidários ("Estava na cadeia, e foram me visitar".). E o texto nos deixa bem claro que quando deixamos de ajudar a quem precisa, nos afastamos da vontade de Jesus (" O Rei responderá: “Eu afirmo a vocês que isto é verdade: todas as vezes que vocês deixaram de ajudar uma destas pessoas mais humildes, foi a mim que deixaram de ajudar" Cap.25 verso 45).

 Ainda na Bíblia, encontramos uma forte argumentação libertadora partindo do próprio Deus, como lemos no Êxodo. Lá, Ele recebe os pedidos do povo que se encontrava escravizado e oprimido no Egito e nomeia Moisés para libertar israel do cativeiro, conduzindo -os para a terra que "mana leite e mel".

 Como teólogo, não posso me omitir em relação à Teologia da Libertação, da década de 70, que foi considerada comunista devido justamente à sua argumentação pró-libertação do povo frente às opressões causadas pelo capitalismo, por governos ditatoriais, pela miséria, fome, falta de educação, saúde pública, emprego, moradia.

 Sim, creio que os pastores, padres e demais líderes cristãos deveriam estar à frente do povo de Deus exigindo que os direitos da população sejam respeitados, que todos possam usufruir do Reino já, desde agora, levando uma vida digna e sendo verdadeiramente libertos de todo o tipo de opressão e desigualdade social.

 Essa é a verdadeira salvação a que se refere Jesus Cristo !

Fernando Marin

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Semana do Meio Ambiente: compromisso de fé X sistema predatório







Dia do Meio Ambiente, época para muitas reflexões, afinal, o que estamos fazendo para preservar a natureza, criação perfeita de Deus? 

Quando lemos a Bíblia, no livro de Gênesis, capítulo 2, verso 15 ( " Então o SENHOR Deus pôs o homem no jardim do Éden, para cuidar dele e nele fazer plantações"), constatamos que o Criador nos nomeou como "jardineiros" da natureza. No entanto, a ganância humana, em certos aspectos quase que sem limites, e em nome de um pretenso desenvolvimento, vem há séculos degradando o meio ambiente, degradação essa que já vem causando mudanças climáticas importantes e danosas às pessoas, com previsão de agravamento da situação no futuro, caso o ser humano não mude radicalmente de atitudes já.

Estava a ponto de colocar no papel as minhas reflexões quando me deparei com esse artigo de autoria de Suzel Tunes, publicado no site da Faculdade de Teologia da Universidade Metodista de São Paulo, onde sua autora coloca muito bem a importância do envolvimento da igreja na questão ambiental, como maneira de cuidar da criação e das criaturas, num cumprimento das nossas responsabilidades cristãs.

Por isso, decidi transcrever o artigo, excelente na minha opinião. Concorda?

Fernando Marin



Semana do Meio Ambiente: compromisso de fé X sistema predatório


A Terra é do Senhor e tudo o que nela há” (Salmo 24:1)

O dia 5 de Junho é o Dia Mundial do Meio Ambiente, oportunidade de refletir sobre a responsabilidade cristã diante da Criação.


Durante vários anos, ecologia e sustentabilidade foram palavras associadas a uma parcela muito pequena da população. Quem falava em “meio ambiente” seria uma elite privilegiada que, tendo conquistado o básico para sua sobrevivência, podia se dar ao luxo de discutir temas supérfluos, enquanto degustava sua salada orgânica. Afinal, em um país onde ainda existem bolsões de fome e miséria, quem se importa com a caça às baleias ou a matança das foquinhas? – só para citar um dos tantos comentários carregados de preconceito.

Foi no norte do país, entre o povo pobre dos seringais, que a mente brasileira começou a se abrir para a compreensão de que o ser humano depende da terra para viver, ser vivo que é, um dentre os demais espécimes de fauna e flora. Adotar uma política de sustentabilidade ambiental podia ser a diferença entre ter ou não comida no prato. Chico Mendes mobilizou o povo, ganhou projeção internacional, influenciou outras lideranças. Marina Silva chegou a ser considerada como alternativa política ao Poder Executivo e conquistou a simpatia do povo brasileiro, especialmente entre os que, a exemplo de Marina, professam a fé evangélica. Contudo, as questões ambientais, que, pouco a pouco começam a ser mais discutidas no país, ainda estão distantes do cotidiano das igrejas. 

Claro que há bons exemplos a serem seguidos. A Igreja Unida do Canadá é uma das que busca inserir a experiência da fé na vida cotidiana e, no contexto do país, tem assumido posições políticas a favor da pequena propriedade rural e apoiado projetos de agricultura sustentável. Ainda na década de 90 desenvolveu um projeto de horta orgânica destinada à alimentação de moradores de rua. Hoje, esse projeto ganhou dimensões ainda maiores, buscando envolver toda a comunidade local. O plantio de uma horta é não apenas uma experiência comunitária de aprendizado e sociabilidade, como uma alternativa real de alimentação mais saudável e barata para a população local. Dependendo da área plantada, pode ser um meio de sustento financeiro na zona rural, com a criação de cooperativas. No Brasil, a organização A Rocha busca conscientizar igrejas evangélicas para as questões ambientais (veja abaixo).
Penso nas igrejas brasileiras inseridas em áreas desmatadas, urbanas ou rurais, com risco de desabamentos e enchentes – onde já ocorreram tantas tragédias ambientais provocadas não pela vontade de Deus, mas pela ação humana. As igrejas tendem a responder com rapidez diante de desastres ambientais. Correm a levar roupas, alimentos, palavras de conforto. Poderiam, no entanto, fazer mais: poderiam ajudar na prevenção das tragédias.

Ações ambientais educativas podem salvar vidas. Que tal uma parceria com a Defesa Civil da Cidade, promovendo palestras e cursos? Como identificar uma área de risco? Como proteger um morro de inevitável desabamento, antes que as chuvas se intensifiquem? Ações cidadãs capitaneadas pelas igrejas também podem mudar a configuração de uma cidade.

A Igreja poderia (e deveria) ser a voz do povo na reivindicação de melhores condições sanitárias e estruturais. Criança com diarreia também é problema ambiental; previne-se com água tratada e maior responsabilidade no destino do lixo industrial e doméstico. Mas o sistema econômico predatório faz vítimas não apenas entre as pessoas mais carentes do país, que sofrem os efeitos da degradação do meio ambiente sobre seus próprios corpos. Pessoas de todas as classes sociais e idades (as crianças, muito especialmente) são vítimas de uma economia antiecológica que determina a busca da felicidade no fugaz prazer do consumo. Continuamente criam-se desejos materiais a serem atendidos, enquanto a teologia da prosperidade valida o acúmulo de bens como sinal da bênção divina. O resultado é uma perene insatisfação. Enquanto isso, a terra se consome e se degrada. E o Senhor da Criação certamente olha para tudo isso e vê que não é bom.
Suzel Tunes

Visualizado e extraído de http://www.metodista.br/fateo/noticias/semana-do-meio-ambiente , em 5 de junho de 2013