sábado, 19 de outubro de 2013

Amizades, só as verdadeiras





Com certeza, essa palavra, "amizade" caiu na banalidade. Tenho conhecido pessoas magoadas, frustradas por pensarem que tinham amigos, mas que na hora em que mais deles precisaram, se viram sós.

 Infelizmente, está cada vez mais difícil confiar nas pessoas, encontrar amigos fiéis, verdadeiros, daqueles que estão conosco em todas as situações. Quantas vezes ajudamos, damos nosso tempo, nossa vida a alguém que pensamos ser amigo e que, por qualquer motivo ou mesmo sem nenhum, simplesmente nos abandona, às vezes em uma hora crítica?

 Creio que a culpa é nossa. Se conhecêssemos mais a Bíblia, se atentássemos mais para tudo o que ali Deus escreveu, não passaríamos por tantos sofrimentos.

 Nós fazemos más escolhas, e pagamos o preço por elas.

 Transcrevo abaixo uma lição, escrita pelo Pr Antonio de Moraes Regly, publicada na revista Palavra e Vida, da Convenção Batista Fluminense (4 º trimestre de 2013), onde o autor discorre sobre o assunto, à luz do livro de Provérbios. Vale a pena ler e aplicar esse estudo nas nossas vidas.

Fernando Marin 

Amizades, só as verdadeiras 

 Precisamos entender a definição de amigo, haja vista que a palavra está banalizada. “Amigo” pode ser qualquer um. Nas redes sociais você adiciona amigos.  Nas relações sociais se você é apresentado a uma pessoa, geralmente acabam chamando você de amigo.

 Mas o que é ser amigo ? O que define um amigo?  

 Na Palavra de Deus encontramos algumas amizades  bastante interessantes: Davi e Jônatas ( 1Sm 18.1-4), Abraão de Deus ( Is 41.8); Moisés era alguém de quem Deus disse: “boca a boca falo com ele” (Nm 12.8).
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 O amigo é alguém que tem pleno acesso a outra pessoa, inclusive o coração.  Há amigos que nos são dados por Deus. Num dado momento, na hora que mais precisamos, Deus coloca pessoas em nosso caminho para serem nossos amigos e cuidar de nós, como faz o amigo. Foram enviados por Deus para nos devotar sua amizade.

 Outros, o Senhor nos proporciona a oportunidade de conquistar e sermos conquistados.  Há amigos que Deus faz-nos chegar no decorrer da vida e, quando menos pensamos, eles surgem de Deus para nos devotar sua amizade.

 Por sua vez, Satanás se encarrega de colocar “amigos” no caminho do homem. Ele escolhe pessoas que andam com ele, que o servem, que são seus escravos, que lhe prestam serviços, para seduzir e tentar levar à destruição os filhos de Deus.

  1 – Definição de amigo.   

 O Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa assim define amigo: 1. Que é ligado a outrem por laços de amizade; 2. Em que há amizade; amical, amistoso; 3. Simpático, acolhedor; 4. Que ampara ou defende; protetor; 6. Benigno, propício (favorecedor; que dispensa favores); 7. Homem ligado a outrem por laços de amizade; 8. Companheiro.

  Entendi ser oportuno incluir estas expressões, porque Provérbios as descreve com muita propriedade. 

2 – Amigo do alheio (ladrão), amigo de Satanás. 

 Provérbios 1.10-19 descreve a maneira sorrateira como atua o amigo do alheio, como é chamado figuradamente o ladrão, também amigo de Satanás, por fazer o que lhe é próprio: Atrai com palavras agradáveis (10), seduz com oferta de riqueza de bens (13); propõe uma unidade para o mal (14). A advertência: Não te ponhas a caminho com eles (15). O seu fim está determinado: armam ciladas contra o seu próprio sangue; e espreitam suas próprias vidas (18). Todo aquele que se deixa aliciar por este tipo de amizade, morte e destruição encontrarão (32). 

 Jesus também adverte : “O ladrão não vem senão a roubar, a matar e a destruir” (Jo 10.10). 

3 -  Falsos amigos ou amigos de fachada. 

 Provérbios cita alguns tipos de amigo comuns em nosso meio, e, infelizmente, no seio da igreja temos alguns deles. São do tipo que se declaram amigo de qualquer um e para qualquer um: todos são seus amigos. 

 Usam-se da “amizade” para aproximarem-se e obterem algo de seu interesse. São do tipo intriguista, daquele que instiga a contenda (16.28), que gosta de revolver assuntos ou situações que já foram superadas (17.9). 

 Há um pensamento que define muito bem esse tipo de “amigo”, o intriguista: “Quem faz intrigas sobre a vida alheia quer ter algo se sua autoria, uma obra que se alastre e cresça, que se torne pública e que seja muito comentada. Algo que lhe dê continuidade. É por isso que fofocar é uma tentação. Porque dá, por poucos minutos, a sensação de ser portador de uma informação valiosa que está sendo gentilmente dividida com os outros. Na verdade, está-se exercitando uma pequena maldade, não prevista no Código Penal. Fofocas podem provocar lesões emocionais. Por mais inocente ou absurda, sempre deixa um rastro de desconfiança. Onde há fumaça há fogo, acreditam todos, o que transforma toda fofoca em verdade em potencial. Não há fofoca que compense. Se for mesmo verdade, é uma bala perdida. Se for mentira, é um tiro pelas costas” (Martha Medeiros, jornalista, escritora, aforista e poetisa brasileira). 

 Outros falsos amigos: os amigos dos ricos (14.20 e 19.4); os insinceros ( 19.4-7); os aduladores (19.6); os oportunistas (27.14).  

4 – Amigo do peito , amizade verdadeira. 

 A expressão amigo do peito significa: amigo muito querido; amigo íntimo. Provérbios define melhor o verdadeiro amigo: é aquele que ama todo o tempo (17.17); é conselheiro (27.9), podendo essa amizade assemelhar-se à pessoa de um irmão de sangue (18.24).   

  4.1 – Ser amigo é amar de verdade  

  Amigo é aquele que ama de verdade, tornando-se semelhante a um irmão de sangue. Em todo o tempo ama o amigo e para a hora da angústia nasce o irmão (17.17).

 As adversidades podem proporcionar ao homem aquilo que ele menos espera: encontrar um verdadeiro amigo. Isso porque, em tempos de tribulação, tais homens ser unem para enfrenta-la e só param quando virem vencido o problema. Acabam se tornando colunas e sustentáculo um do outro.   

4.2 – Ser amigo é ser conselheiro 

 Conselho é a advertência emitida pelo amigo em favor de seu amigo. Aconselhar é emitir cautela, prudência; um parecer que possibilite uma tomada de decisão correta, que obtenha bom resultado. O óleo e o perfume alegram o coração; assim o faz a doçura do amigo pelo conselho cordial (27.9). 

5 – Outras características de uma verdadeira amizade

| A amizade verdadeira e os benefícios por ela proporcionados sã o revelados em Pv 27.17. As diversas traduções – RA, RC, NTLH, S21, NVI – usam quase as mesmas palavras: Como o ferro se aguça, assim o homem afia o rosto do seu amigo. Na Bíblia Viva o texto  foi traduzido assim: Como duas lâminas de ferro ficam mais afiadas quando são esfregadas uma contra a outra, dois amigos que discutem seus problemas com sinceridade acabam mais amigos e mais maduros do que antes;  Este é um provérbio famoso nos dias de Salomão, que traz a ideia de que as pessoas crescem ao interagirem entre si, ajudando umas às outras.   

  5.1 – Aprender do outro 

 O primeiro sentido da palavra afiar nesse texto é aprender do outro. A amizade tem como propósito tornar pessoas conhecidas umas das outras. À medida  que o amigo dá-ser a conhece ao outro, e vice-versa, estabelece-se uma relação de intimidade. Você e o seu amigo verdadeiro não conseguirão saber tudo a respeito do outro. A vida é curta, o tempo é pouco. Contudo, è medida que abrirem o coração, um universo de conhecimento do outro é formado.    

5.2 – O aprimoramento do caráter 

 Afiar tem, no original, o sentido de aprimorar e moldar o caráter do outro. O homem se comporta às vezes contrário ao seu próprio caráter. Vou dar um exemplo: quando alguém faz uma grosseria e o outro revida na mesma proporção, o amigo, então, intervém e diz: “Não faz mais isso, não !Você não é assim. Isso não faz parte do seu caráter”. Quando alguém tratar você assim, em vez de engrossar também, trate-o com toda a delicadeza e polidez. Você vai deixa-lo desconcertado e envergonhado. E você será visto como um sábio!    
 5.3 – O crescimento mútuo  

 Este é o outro sentido de afiar: dois amigos que discutem seus problemas com sinceridade acabam mais amigos e mais maduros do que antes.  A amizade verdadeira nos faz pensar nas coisas que temos em comum e nas outras mais que nos fazem diferentes. A amizade faz o homem superar suas limitações, o seu eu, a sua vontade própria, para servir e ser útil ao outro. A faca é feita para cortar. Se não estiver afiada não terá sua utilidade. Afiar o outro tem o sentido figurado de educar o outro, produzir o fio cortante que o tornará um instrumento apropriado para servir os outros.  

Para pensar e agir: 

 Faça uma lista com nomes daqueles que você considera seus amigos verdadeiros. Se desejar, ao lado de cada nome, escreva um breve relato de como e onde o conheceu. Amplie listando as suas qualidades. Se quiser liste também os defeitos.

 Agora, faça uma outra lista daqueles que dizem ser seus amigos.

 O Facebook pode ser um bom roteiro. Será trabalhoso se sua lista for enorme. Mas tente.

  Feito isso, reflita nos conselhos, convites e propostas que você tem recebido: dos amigos, no sentido literal da palavra, os descritos e qualificados pela Palavra de Deus e os outros, digamos, “amigos”. 

 Meu irmão e minha irmã, vocês estão diante da Palavra de Deus. A Sabedoria, personificada no livro de Provérbios (1.20), fala claramente das consequências pela escolha errada de uma amizade. É loucura insistir ( 1.20,320. Você sofrerá duras consequências pela má escolha. Melhor dizendo, pela sua rebeldia à Palavra (1.26,27,31 e 32). 

 Se entender que deve, diga não aos falsos amigos. Eles sempre se revelam. Abra mão dessa (s) amizade (s). 
 
Diga sim aos verdadeiros amigos. Você viverá em paz e segurança. 

Pr Antonio de Moraes Regly 

Publicado na revista Palavra e Vida, da Convenção Batista Fluminense , 4º trimestre de 2013.   

sábado, 12 de outubro de 2013

Ovelhas sem pastor – uma reflexão em Marcos 6.30-40



 
Ovelhas sem pastor – uma reflexão em Marcos 6.30-40
 
Por: Fernando Marin
 
 
 
 
 
 
O texto bíblico em questão nos relata uma passagem muito conhecida do ministério terreno de Jesus, quando Ele toma 5 pães e dois pequenos peixes e, com isso, dá de comer a uma multidão de cerca de 15 mil pessoas, se somados homens, mulheres e crianças. Esse fato ocorreu já no seu terceiro ano de ministério quando os apóstolos tinham acabado de voltar de Cafarnaum, da sua primeira missão de pregarem o Evangelho. Com certeza, eles estavam cansados, com fome, com os pés doloridos, já que naquela época as viagens eram feitas caminhando.
Como as pessoas viviam rodeando Jesus, o Mestre preferiu levá-los de barco até uma região mais sossegada, para que pudessem descansar um pouco. Porém, mesmo assim eles foram vistos e a multidão os seguiu e os cercou pelas margens, ou seja, não houve como ficarem a sós.
Diz o texto que quando Jesus viu aquelas pessoas compadeceu-se delas, quer dizer, sentiu amor por elas, porque pareciam um rebanho desgarrado , “ovelhas sem pastor”, pessoas que não sabiam para onde irem, a quem recorrerem, precisavam de alguém que os desse direção.
E passou a ensiná-las, a discipulá-las.
E já no final daquele dia, os discípulos chegam a Jesus e dizem: ” Mestre, é melhor despedir todo esse povo, para que eles saiam por aí e comprem comida, porque aqui onde estamos não há como comprar nada.”
Naquele momento, parece que aquelas pessoas se tornaram um incômodo para eles.
E para nós, será que as pessoas também são um incômodo ou são merecedoras do nosso amor e atenção?
Mas, Jesus, talvez para prová-los, respondeu: “por que vocês mesmos não dão comida a eles?”
E aí, a resposta foi aquela que nós  mesmos daríamos: como? Com que dinheiro? Nós não termos dinheiro para comprar comida para todo esse povo. Não, nós não temos como!
Era muita gente, cerca de 5 mil homens, fora mulheres e crianças. O que fazer?
Mas, Jesus não se abalou diante daquela dificuldade. Ele perguntou: “Quantos pães vocês tem?”
A resposta daria para desanimar a qualquer um , menos ao Mestre: “5 pães e dois peixes”.
Imagino a expressão daqueles homens naquele momento imaginando o que Jesus iria fazer com 5 pães e dois peixes para que pudessem alimentar todo aquele povo.
Será que acreditaram que seria possível? Será que olharam para Jesus desconfiados?
Porém, o filho de Deus não se abalou: mandou que dividissem toda aquela gente em grupos de 100 e de 50 e mandou que se sentassem. E, depois de dar graças, partiu aqueles pães e peixes e mandou que os apóstolos os distribuíssem pelo povo.
E diz o texto que todos comeram e ficaram satisfeitos! E, mais ainda: diz também que sobraram 12 cestos cheios de pão e peixe!
Essa passagem, muito mais do que simplesmente narrar um dos milagres de Jesus, pode nos ensinar outras coisas importantes.
Nós, como discípulos de Cristo, aprendemos que podemos e devemos servir ao Senhor sem preocupação com o nosso sustento. Se Ele pode alimentar toda aquela multidão ( talvez de 12 a 15 mil pessoas) com 5 pães e dois peixes, com certeza Ele também pode suprir todas as nossas necessidades.
Porém, há uma condição: trabalharmos para Ele sem nos preocuparmos de onde virá o sustento. Se buscarmos em primeiro lugar ao Reino de Deus, toda necessidade será suprida (Mateus 6.31-33).
Um outro ponto: Jesus trabalhou de maneira organizada , quando dividiu a multidão em grupos de 50 e de 100. Como Deus, Ele poderia ter feito de qualquer maneira que fosse, porém, com certeza, Ele quis deixar uma mensagem.
Todo trabalho deve ser feito de forma sistemática e organizada (eficácia e eficiência, qualidade total).
Mais um ponto que nos chama a atenção: Ele abençoou e partiu os pães e peixes. Sem a benção de Deus, nada daquilo seria útil. Inteiros, não seriam suficientes!
E aí podemos aprender que não nos damos livremente às pessoas porque não fomos partidos ou quebrados ( preparados, provados, esvaziados de nós mesmos).
Jesus também não distribui a comida, mas pediu que os discípulos o fizessem. Com isso, aprendemos que Jesus quer alimentar o Seu povo por meio do nosso trabalho!
Observamos, também, que houve comida suficiente para alimentar a todas aquelas pessoas. Isso quer dizer que se hoje todos os servos de Cristo colocassem o trabalho do Reino acima das necessidades pessoais, o mundo inteiro poderia ouvir a Palavra da Salvação, já que somos muitos milhões de cristãos apenas no Brasil.
Constatamos, também, que sobraram 12 cestos cheios de comida, ou seja, a sobra foi muito maior do que havia no começo.
Realmente, Deus é generoso!
Mas, há um detalhe: toda a sobra de comida foi guardada, nada foi desperdiçado. Desperdício é pecado! Seja de alimentos, de recursos naturais, de lixo reciclável.
E, o mais importante de tudo, nada disso teria acontecido se os discípulos realmente se dispusessem a descansar.
No versículo 31, vemos que Jesus reuniu os discípulos e os levou de barco para um lugar calmo, para que pudessem repousar.
Quantas vezes isso também acontece conosco? Paramos para descansar enquanto que as multidões estão por aí, perdidas, como ovelhas sem pastor!
Paramos para descansar enquanto as multidões estão por aí, famintas, não só de salvação, mas de alimento mesmo!
E os cristãos estão repousando!
Quanto a isso, o comentarista William Kelly diz que
Seria melhor para nós se precisássemos descansar mais dessa maneira; quer dizer, se nossos trabalhos fossem em quantidade excessiva, se nossos esforços de abnegação para com os outros fossem tão contínuos, então poderíamos ter a certeza de que essa seria a Palavra do Senhor para conosco.”
É mais que hora de refletirmos sobre a nossa posição frente às multidões que estão por aí, como ovelhas sem pastor.
Fernando Marin