sábado, 27 de outubro de 2012

Afinal de contas, o que é igreja?







                                                  
                                                                                                             Por: Fernando Marin


     Quando vi a imagem acima em uma rede social, muitas coisas me vieram à mente. O que é a igreja? O que devemos procurar lá? Como a maioria das pessoas vê a igreja hoje?

     Lembrei-me do livro de Atos dos Apóstolos, em seu capítulo 2, que narra os primórdios da vida dos primeiros cristãos, onde constatamos a sua característica notável da consciência do seu chamado e separação como povo de Deus. Os primeiros cristãos tinham em mente que a igreja era uma instituição divina, fundada e controlada por Jesus e viviam exatamente dentro dessa concepção.

     Os primeiros cristãos levavam suas vidas separados do resto do mundo , consideravam-se cidadãos do céu , e não da terra , governavam seus atos por princípios que vinham de Deus , criam que estavam aqui  apenas de passagem e que a sua verdadeira vida estava no futuro , ou seja, nada aqui tinha prioridade.

     Não se preocuparam com a construção de templos, pois costumavam se reunir em suas casas. Não julgaram importante a construção de edifícios custosos, cheios de salas que são usadas apenas umas poucas vezes por semana. Se reuniam para receber a doutrina dos apóstolos, desfrutar da comunhão, partir o pão e orar. A evangelização acontecia através do seu testemunho , e os recém convertidos eram acolhidos e recebiam alimento e incentivo.

     Os apóstolos não se preocuparam em formar qualquer tipo de organização para realizar a obra de Deus. A igreja local era o grupo de pessoas usado pelo Senhor para propagar a Palavra de fé e os discípulos se contentaram em trabalhar nesse contexto. Muito diferente de hoje, quando há a disseminação de inúmeras denominações, missões e organizações, onde pastores competentes acabam por se afastarem dos seus afazeres ministeriais primordiais para se tornarem administradores . Penso que, se todos os obreiros encarregados de administrar organizações pudessem servir no campo missionário, talvez não houvesse falta de pessoal para tal, sem falarmos na enorme soma de recursos gastos na estrutura administrativa dessas organizações, que seria muito melhor empregada no campo.

     A multiplicação de denominações e de instituições, leva a uma outra questão: a rivalidade, inveja, formação de facções, o que acaba criando um número maior de novas denominações, muitas com uma teologia própria de seus líderes, o que tem trazido confusão e desvio  da pura doutrina e da Palavra do Evangelho.

     A Igreja é o instrumento fundado por Jesus para a expansão do Reino de Deus sobre a terra, discipulando os que aceitarem a Salvação pela Graça oferecida por Cristo àqueles que crerem , nada mais que isso. É meio de transformação de vidas, de comunhão, de oração. Fazer parte da Igreja significa ter motivos para louvar e agradecer pela libertação do pecado e por ter-se agora a nova condição de Filhos de Deus. É sendo Igreja que expressamos nosso amor ao próximo, praticando atos de compaixão, perdão, solidariedade.

      “Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas.” Mateus 6.33 NVI

     Jesus promete uma série de bênçãos de todos os tipos àqueles que O buscarem em primeiro lugar, àqueles que praticarem as boas obras que provém da fé verdadeira, àqueles que realmente crerem que Ele é o Filho de Deus e Salvador. Portanto, para aqueles que forem Igreja .

Fernando Marin


sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Educação: Cotas Raciais?!




                                                                                              Por Austri Junior


Sou negro, "pardo", índio e brasileiro!

Por esses quatro motivos, gostaria de fazer algumas perguntas, e se você também tiver outras perguntas, ou respostas  (contra ou a favor), acrescente-as em um comentário, que serão muito bem vindas.

Cotas Raciais? (Eu não consigo entender...)

Desde quando, "PARDO" é RAÇA? Posso estar muito enganado e não receio em me redmir, caso alguém com conhecimento em etnia, se propuser corrigir-me, mas Raças, até onde eu sei, são: Negra, Branca, Vermelha e Amarela. Sei que no Brasil temos a Raça Indígena (mas não sei à que grupo de cores a Raça Indígena pertence). Também sei que no Brasil, a miscegenação das Raças Negra e Indígena, deram origens à grupos denominados de Cabôclos e Mamelucos, que também não sei se são Raças. Pelo sim ou pelo não, pergunto: onde estão as cotas para esses grupos étnicos?

Já que estamos falando de cotas e de Raças, quero questionar um pouco mais além, e perguntar: - O que houve com o "todos são iguais perante a lei"? Se todos são iguais perante a lei, para que criar "COTAS RACIAIS"? Se todos são iguais perante a lei, onde estão as cotas para os Brancos, os Amarelos (que vivem no Brasil), os Mamelucos e os Cabôclos? Se todos são iguais perante a lei, não está o Brasil à burlar a sua própria constituição? claro que está! Essa coisa de "COTAS RACIAIS" é anticonstitucional, e está caminhado na contra mão da história.

Eu não quero cotas nem para mim nem para os meus descendentes, pois quando o governo se coloca entre eu e o processo seletivo denominado "vestibular", e cria cotas para facilitar a minha entrada na universidade, o governo está me dizendo que eu sou menos inteligente que as pessoas brancas, e está nitidamente assinando uma declaração da incompetência dos Negros, dos "Pardos" e dos Índios... Em palavras claras e bem explícitas, o governo está me chamando de "BURRO". Está me dizendo: "Você não tem competência para passar no vestibular."

Mas o pior, nesse jogo de incompetências, é que, realmente, os Negros, os "Pardos" e os Índios, que estudam em escolas públicas, em sua grande maioria, não têm mesmo competência para passar no vestibular, e isso não se dá por falta de inteligência,  e ou raciocínio, mas sim pela má qualidade do ensino básico público no Brasil, que é caótico e mal gerido. Os Negros que estudam em escolas particulares passam no vestibular sem  precisarem da interferência de nenhum governo, de nenhuma lei esdrúxula, e de nenhum tipo de cota.

Se os negros que estudam em escolas públicas dificilmente conseguem se aprovados nos vestibulares, assim, os brancos que estudam em escolas públicas também, dificilmente  conseguem passar nos vestibulares. Onde estão as cotas para esses estudantes brancos...? Então, ao invés de se criar "COTAS RACIAIS", não deveriam ser criadas "COTAS SOCIAIS"? Não sou favorável à criação de nenhum tipo de cotas. Mas se for para introduzir "cotistas" nas universidades, que sejam por questões sociais, e não por questões raciais, e muito menos por cores, pois "PARDO" (até onde sei) não é raça. "Pardo" é cor!

O problema na educação brasileira não está somente no vestibular e nas faltas de vagas nas universidades. O problema principal, ou maior, está na educação básica, que sabemos, vai do 1º ano do Ensino Fundamental, ao 3º ano do Ensino Médio. Muitos não conseguem perceber que essa coisa de cotas é um "golpe eleitoreiro", um trampolim para ganhar  eleições no âmbito federal, e um paternalismo literalmente miserável e injusto, que tira a chance de quem estuda, seja branco ou seja negro, ou outra raça qualquer. As cotas, além de trampolim eleitoreiro, são uma grande cortina de fumaça para esconder as incompetências dos governos federal, estadual e municipal, que não investiram e não investem o suficiente na educação básica, pelo contrário: Desviaram e continuam desviando muitos recursos públicos dessa área, para outras áreas, e principalmente para os bolsos do governantes e autoridades, e entre esses desvios, estão também os desvios do Diretores da Unidades de Ensino, a começar pela verba da merenda escolar. 

Voltando ao assunto das cotas: é muito mais fácil tirar as oportunidades dos que investem tempo e dinheiro estudando, que consertar o problema, investindo em educação de qualidade. Políticas de inclusão sociais não se fazem com cotas raciais, mas com educação básica de qualidade. Ouvi o Ministro da Educação, Aloísio Mercadante, em entrevista à CBN, dizer que reconhece que "há falhas no ensino básico público"..., mas que eles vão trabalhar para consertar isso, fazendo "nivelamentos" com os cotistas, pois não "basta introduzí-los nas universidades, mas garantir que eles consigam acompanhar, e que consigam sair formados". Esses "nivelamentos" segundo o Mercadante, serão feitos da seguinte forma: "Os cotistas terão aulas extras, ou com os professores, ou com os estudantes da pós-graduação."  Outra possível forma de nivelamento, segundo o Ministro, será pagar às universidades particulares (que trabalham com nivelamentos), para que os cotistas tenham aulas particulares nessa instituições. - Meu Deus, mais oportunidades de desvios de verbas, corrupção, mensalão, favorecimento... Isso me preocupa! Volto à insistir: Porque não investem na educação básica? É a melhor opção, a melhor solução, e a melhor maneira de praticar a inclusão!

Eu não confio no governo brasileiro e muito menos nos políticos brasileiros. Temo que isso venha gerar mais caos. Espero sinceramente estar enganado quanto ás minhas ideias e expectativas, mas uma coisa eu sei: As "Cotas Raciais" não resolvem os problemas da educação. Apenas geram mais racismo e divisão!




Austri Junior,
Brasileiro, Negro, "Pardo" e Índio. Confuso e cheio de interrogações quanto o futuro da educação brasileira, ante  as "Cotas Raciais"...


quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Avenida Brasil X A Graça do Caminho - pra não dizer que não falei de novelas. Rev. José do Carmo - Zé do Egito



Não pude deixar de reproduzir esse belíssimo artigo do Rev. José do Carmo, para que todos pudessem ler e aprender com ele. Edificante!



Nas tramas da vida real se contrapondo a Avenida Brasil só há final feliz quando a graça e o amor de Deus gerando o arrependimento e o dar e pedir perdão triunfam no coração humano.

Uma reflexão sobre Avenida Brasil e a Graça do Caminho.

No afã de saciar o desejo humano de punir o mal e o mau, as novelas funcionam como uma válvula de escape, e acabam promovendo o mal. Elas oferecem um vilão pa
ra saciar a sanha do povão, a personagem Carminha, de Avenida Brasil, é a bola da vez.

Não sou de assistir novelas, mas confesso que dia desses estava em casa à noite e dei uma olhada em um capitulo da supracitada trama global. A cena era cheia de violência e ofensas. Pelo que vi, o enredo rola em torno de um casal, cujo marido, Tufão, um ex-jogador de futebol há muito era traído por Carminha, sua esposa, católica caridosa e que tem um esquema de desvio de dinheiro com um padre picareta, o qual aparece na trama de camisa preta com colarinho clerical.

Carminha levou o amante para morar dentro de casa, tendo um casal de filhos com ele, e ainda tendo o marido que sustentá-lo, pois o mesmo é marido de sua irmã. Com perdão da expressão a "cornaiada" é tanta que se um dia na casa do rico Tufão, chover argolas, não cairá uma sequer no chão. Se ele não tivesse abandonado o futebol a cada cabeceada na bola ou ela furava ou ficava presa na cabeça dele.

No dia que assisti, o ex-jogador tinha descoberto a traição e foi confrontar a esposa infiel. Refletindo sobre a cena que vi, pensei em quantos milhares de maridos outrora traídos ao assistirem a novela ficavam odiando em se identificar com Tufão, o marido traido dentro de sua própria casa. (não vou escrever corno para não escandalizar, embora o dicionário online de português entre outros significados da palavra "Corno" também traz: Pop. Marido cuja mulher lhe é infiel. (V. CORNUDO.) - Pôr cornos, ser infiel (ao cônjuge); cornear.)

Mas no dia que Carminha foi desmascarada muitos desses milhares de traídos/as anônimos/as se deliciaram e se viram nele. A revanche de Tufão, o vingador, que esbofeteava a cara de sua inescrupulosa esposa e a chamava de nomes aos quais não vou descrever aqu foi a realização do desejo contido de vingança de muitos/as traídos/as. Penso que, naquela hora, muitos homens e mulheres, às vezes até crentes, também se deliciavam e diziam em seus interiores: isso! Bate mesmo... Bate... Mulher adúltera tem mesmo é que apanhar na cara!..

Bom... Depois eu volto a esse assunto da novela, quero agora falar de: Uma história real de pecado, graça, amor, perdão e restauração.

Tive um jovem casal de amigos com quem possuía grande comunhão. Em dois mil e sete meu amigo perdeu a esposa, a qual morrera de câncer. Um ano depois, contrariando a lei da igreja dele, ele casou com uma mulher não convertida. Ela era simpatizante, mas não se batizou, alegando que não se sentia preparada.

Em 2010 fui visitá-los e durante um bate-papo, tomando tereré com o casal, estranhei quando ele pediu a ela para nos deixar a sós, pois precisava falar comigo. Ela saiu com o bebê no colo e disse que ia preparar um cafezinho, depois ia a padaria comprar pães. Continuamos no tereré, depois de um tempo, cabisbaixo ele falou tristemente, que não mais estava indo na igreja que frequentou por mais de 15 anos e na qual fora presbítero desde antes de ficar viúvo. Perguntei o motivo, ele disse que fora traído pela atual esposa, ela o fez por três vezes, e nas três ele a perdoou. Quando ocorrera pela terceira vez o pastor o chamou e disse que haveria uma reunião do presbitério, e que o assunto era sobre a vida dele. Na reunião, no ato de destituição dele do presbitério, o pastor disse a ele: "varão, você tem é que tomar atitude de homem, pois: perdoar uma vez é por amor, duas é por atitude cristã, mas três vezes já é incentivo a safadeza."

Segundo ele o pastor ainda lhe disse que ele deveria abandonar a mulher, pois ela tinha dado base para a separação ao ser infiel a ele. E que poderia buscar esposa entre as fieis da igreja local. Ele respondeu que havia perdoado ela, que a amava, e que também pensava no filho pequeno, por isso não iria abandoná-la. Na presença dos outros presbíteros, o pastor respondeu que ele não tinha que se preocupar com a criança, pois o filho provavelmente nem seria dele, uma vez que vivera quase dez anos com a primeira esposa e nunca tinham gerado filhos. Meu amigo disse que saiu do recinto de cabeça baixa e a medida que seguia pelo corredor ouvia risos...

Ali no quintal, assentados sob uma mangueira, o silêncio tomou conta de nós dois. Ambos ficamos olhando para o chão. Até que ele levantou a cabeça e com lágrimas a rolar pela face quebrou o silêncio e perguntou-me: Zé meu irmão, o que você acha?

Eu respondi a ele: - irmão a decisão é só sua, você é quem deve decidir, a igreja caberia o respeitar sua decisão. Deveria respeitá-lo se decidisse se separar, bem como na decisão que tomou de ficar com ela. Uma vez que você a perdoou restaria à igreja respeitá-lo e tentar ajudá-los na superação dos problemas...

Perguntei-lhe sobre a criança, ele disse que sabia não ser dele, pois no relacionamento anterior sempre soube que o estéril era ele, mas nunca falara nada na igreja, salvo ao pastor em um aconselhamento pastoral. Foi assim que descobriu a infidelidade da esposa, mas como sempre desejou ter um filho ele a perdoou e assumiu a criança, amando-a como se fosse filho legítimo. A tripla traição fora com um ex-namorado, quando confrontada, sua esposa disse que estava arrependida de verdade, e lhe implorou perdão. Ele a princípio saiu de casa, mas depois de uma luta muito grande com seu orgulho e raiva, os quais foram vencidos pelo amor e misericórdia decidiu perdoar a esposa e voltou para casa. Esperava que a igreja fosse entender... Mas...

Para superar o problema foram embora da cidade, procuraram outra Igreja. Seis meses atrás, conversando com meu amigo por telefone, soube que a família estava bem e felizes. Sua mulher se convertera e se batizou, segundo ele fora até batizada com o Espírito Santo. Ele estava bem, auxiliava o pastor e também pensava em ser pastor. Como dizem lá no ministério pentecostal deles, "estava a prova" para dois anos depois ser levantado pastor.

Quando ele contou sobre o desejo de ser pastor, pensei comigo, certamente será um grande pastor a frente de um ministério abundante no exercício de misericórdia, amar sem limites. Veio-me a mente as palavras bíblicas: “Porque o juízo será sem misericórdia sobre aquele que não fez misericórdia; e a misericórdia triunfa do juízo.” Tiago 2:13. É pena que na Igreja nem sempre se viva isso, ainda que se pregue sobre isso.

Penso que a Igreja deveria imitar a graça, a Bíblia, uma vez que, no tocante ao mundo, sempre dizem que a vida imita a arte e novelas são artes imitando a vida. Pelos enredos das novelas globais, eu acho que ocorre o imitar da péssima arte, a arte da desgraça, e por isso elas estão imprimindo na mente de seus consumidores um péssimo estilo de vida.

Em relação à igreja, no caso de crentes que gostam de vingança, deixo os seguintes versículos: “Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira de Deus, porque está escrito: Minha é a vingança, eu retribuirei, diz o Senhor. Antes, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça. Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem.” Rm. 12. 19 a 21. E ainda: Se o teu irmão te ofender, repreende-o; e, se ele se e, se ele se arrepender, perdoa-lhe. Se te ofender sete vezes ao dia[1] e sete vezes te vier dizer: “Arrependo-me”, perdoa-lhe.(Lc 17,4).

Será que o ato de uma adúltera arrependida como a esposa de meu amigo, irmão e futuro pastor, não se enquadra nos versículos acima? Embora não seja membro da Rede, meu amigo acessa este blog, eu escrevo após ter recebido autorização dele e ter me comprometido em não citar seu nome, nem da esposa, filho, Igreja e pastor. Quis escrever pois, o caso dele foi um caso em que a vida matrimonial destruída pelo pecado foi tocada e infiltrada pela graça, razão pela qual o perdão e restauração ocorreram. Vemos nos jornais, revistas, programas policiais, casos e mais casos em que o traido mata o traidor, como a história de meu amigo fugiu a regra, quis contar a boa nova cheia de: graça, amor, perdão e restauração.

No caso de Avenida Brasil, bem que a arte poderia imitar a vida decaída, mas também apontar para a nova vida, a qual é possível em Cristo Jesus. Bem que, a Rede Globo, a qual anda flertando com os evangélicos poderia mostrar no final, uma cena que com certeza muitos homens e mulheres viveram no passado.

A megera da Carminha assentada em um banco de uma igreja e quando o pastor faz o apelo após pregar João 8. 1 a 11, ela tocada pela graça que existe para quem caiu em desgraça, se levanta, vai a frente, em lágrimas se converte sinceramente, pois fora tocada exatamente quando ouviu o versículo 11, no qual, Jesus disse a uma mulher acusada de adultério: VAI E NÃO PEQUES MAIS. Isso mostraria que, as margens da Avenida Brasil na qual superabunda a desgraça das mazelas consequentes do pecado humano, há portas simples, com porteiros/as pregadores/as, bispos e bispa, pastoras e pastores, irmãos e irmãs, apontando a Graça do Caminho para quem deseja por ele trilhar e recomeçar independente do que tenha vivido. Peço ao senhor que sobre cada uma dessas portas, os que se perderam nas avenidas do pecado, tanto o traido como o traidor passando em frente possa ver uma cruz e uma chama e ler em letras garrafais: IGREJA METODISTA - LUGAR DE MISERICÓRDIA E RESTAURAÇÃO.

Rev. José do Carmo da Silva - Mano Zé do Egito

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

O Cristão e a Política






  
 Por: Fernando Marin



   Estamos a poucos dias das eleições, quando o povo brasileiro terá a oportunidade de escolher aqueles que vão governar e legislar em seus municípios. É uma excelente ocasião para se refletir e votar em pessoas realmente compromissadas com o bem estar da população,  voltadas para uma gestão séria e competente dos recursos públicos, que possam bem gerir a área da saúde pública, da educação, do desenvolvimento, enfim, que possam trabalhar pela melhoria da qualidade de vida, dando, assim, mais valor à vida humana, libertando, principalmente os mais pobres, das cadeias que os prendem à miséria, à falta de esperança no futuro, à carência de recursos básicos que possam garantir uma vida com alguma dignidade.

   Neste, como em todo ano eleitoral, tomamos conhecimento de uma serie de candidatos à prefeito e vereadores que apareceram com todos os tipos de promessas e de realizações, chamando a nossa atenção para a necessidade de examinarmos, com bastante cuidado, o currículo de cada um, para que não caiamos em erros que, mais tarde, nos custarão caro.

   Mesmo com a chamada “Lei da Ficha Limpa” em vigor (finalmente), não estaremos livres de virmos eleitas pessoas despreparadas ou que estejam comprometidas com empreiteiras, alianças políticas de conveniência ou consigo próprios, o que é muito comum de acontecer em nosso país.

   Por outro lado, assistimos a uma certa apatia da parte de muitos que, devido aos desmandos e escândalos a que tem assistido, deixaram simplesmente de acreditar nos políticos e em um futuro melhor, anulando os seus votos ou votando em qualquer candidato , sem avaliar as consequências que um voto errado pode trazer à toda uma população, já carente de muitas necessidades básicas.

   Em anos eleitorais, também surge uma discussão que já é conhecida no meio eclesial, e que diz respeito ao envolvimento dos cristãos com a política, tido por muitos como errado, pois consideram a política como um ‘jogo sujo’, desonesto, e que, por esses motivos, pregam que o povo de Deus deve , simplesmente, se alienar das eleições e deixar que Ele resolva todos os problemas do nosso País.

   Provérbios 29.2  “ Quando os honestos governam, o povo se alegra; mas, quando os maus dominam, o povo reclama.”

   Mas, o que é “política” ? Se recorrermos à Wikipedia, descobriremos que política é “ arte ou ciência da organização, direção e administração de nações ou Estados; aplicação desta arte aos negócios internos da nação (política interna) ou aos negócios externos (política externa). Nos regimes democráticos, a ciência política é a atividade dos cidadãos que se ocupam dos assuntos públicos com seu voto ou com sua militância.”

   De acordo com essa definição, todas as vezes em que votamos ou participamos da vida da nossa comunidade, estamos fazendo política.

   Mas, o que tem a Teologia a mostrar sobre isso?

   Quando recorremos às Escrituras, vemos que, como cristãos, somos considerados como o ‘sal da terra” e a” luz do mundo” (Mateus 5.13 e 14). Assim, onde estivermos, deveremos fazer a nossa parte de maneira a exercer a  perspectiva bíblica que deve reger as nossas atitudes. Temos que fazer a diferença aqui neste mundo, mesmo sem pertencermos a ele.

   Na verdade, a própria Bíblia nos ensina as histórias de diversos personagens que foram agentes de Deus na política, personagens esses que, servos fiéis de Deus, tiveram atuação importante e marcante em funções de destaque no governo , sem se deixarem corromper , ao contrário, homens que pautaram as suas vidas na Palavra de Deus e que, por isso, se tornaram grandes exemplos do amor e da conduta ideal de um cidadão do Reino de Deus.

   Esse foi o caso de José, por exemplo. Por ser o filho favorito de Jacó e de Raquel, foi vendido como escravo pelos seus irmãos, invejosos. Pela sua conduta, em pouco tempo se tornou o superintendente da casa de Potifar, alto oficial egípcio. Por resistir à sedução da esposa do seu superior, acabou injustamente no cárcere, até que Faraó o chamou para ajuda-lo na interpretação de um sonho. Com a benção de Deus, José salvou o Egito e muitos outros povos vizinhos de um período de fome, que durou 7 anos. Tornou-se conhecido como homem sábio, e foi nomeado uma espécie de primeiro ministro, com amplos poderes e subordinado diretamente ao próprio Faraó.

   Outro personagem bíblico que fez a diferença, foi Daniel. Descendente da família real de Judá, aos cerca dos doze  aos dezesseis anos já estava na Babilônia , como cativo judeu. Com os seus companheiros, foram forçados a trabalharem para a corte real babilônica, tendo recebido o treinamento adequado. Logo, se distinguiu entre os demais, pela sua sabedoria e piedade, especialmente pela sua fidelidade a Deus. Já no palácio de Nabucodonosor, com a ajuda de Deus, conseguiu interpretar um sonho do Rei, tendo subido no conceito real, assumindo o cargo de governador da província da Babilônia e de inspetor-chefe da casa sacerdotal,  permanecendo por muito tempo em funções de destaque no reino.

   Poderia citar muitos outros personagens bíblicos que atuaram na política, e que foram benção para o povo e para o reino de Deus aqui na terra, mas, creio que os dois citados são suficientes para entendermos que a mera participação em atividades político-administrativas, não desmerece nenhum cristão.

   Ao contrário, nosso engajamento na administração pública, de forma direta ou não, pode vir a ser um canal para , na dependência de Deus, sermos agentes de bênçãos para muitas outras pessoas, como foram José e Daniel, entre outros.

   A Bíblia, em Efésios 2.10 (“Pois foi Deus quem nos fez o que somos agora; em nossa união com Cristo Jesus, ele nos criou para que fizéssemos as boas obras que ele já havia preparado para nós.”), nos deixa claro o que se espera de cada cristão, que estejamos prontos para as ‘boas obras’ reservadas por Cristo para nós. Essas ‘boas obras’, são o cumprimento dos propósitos de Deus na vida de cada cristão, pregar o evangelho, amar e servir ao próximo, ser uma testemunha de Jesus onde quer que esteja, irradiando o amor em todas as ocasiões e lugares , sendo agente e meio de bênçãos para todas as pessoas.

   O cristão é um cidadão, como qualquer outro, com os seus direitos e deveres cívicos e morais. Na política, assim como no cotidiano, o cuidado sempre estará em colocar o governo pessoal de Deus sobre a sua vida acima de qualquer outra coisa, dando bom testemunho em todas as situações, sendo bom exemplo de conduta moral, de honestidade, de comprometimento com a melhoria da qualidade de vida das pessoas, de combate sem tréguas à corrupção e a todos os tipos de atos contrários aos ensinados por Deus, sendo o verdadeiro ‘sal da terra’, sendo uma luz nas trevas, deixando que a Glória de Deus resplandeça através dos seus atos, fazendo a diferença neste mundo.

   “Se um cristão, um líder ou denominação advoga um não-envolvimento, que avaliem até que ponto tal ato será uma omissão que acaba contribuindo para consolidar o poder do espinheiro. Por outro lado, se um cristão, um líder ou uma denominação defendem e participam politicamente, seus maiores desafios são permanecerem fiéis ao chamado profético de influenciar, em lugar de serem influenciado. De serem luz, em lugar de trevas. De fornecerem saber, em vez de serem pisados pelos homens.”  Pr Marcio Garcia

   Na política, ou em qualquer outra atividade, cabe ao cristão uma conduta ética e moral condizente com a sua condição de filho do próprio Deus.

Fernando Marin