sábado, 27 de abril de 2013

Em Relação à Maioridade Penal






Em Relação à Maioridade Penal 



Por: Fernando Marin



  Como já mencionei em um artigo anterior, a visão da lua cheia me faz refletir, sobre a vida, sobre as coisas que acontecem ao meu redor. Essa semana não foi diferente, a visão do luar prateando as águas do mar me trouxe à mente uma série de fatos a que tenho assistido e que me fazem perguntar: por que? 

  Dessa vez foi a questão da violência sem limites  que temos vivenciado através de relatos de conhecidos ou dos noticiários das televisões, fatos que realmente nos deixam com a sensação de impotência e com medo do futuro em que viverão nossos filhos e descendentes. 

  Muitos crimes envolvendo menores - e crimes gravíssimos - despertaram no povo brasileiro o clamor para que se diminua a maioridade penal, ou seja, a idade que permite a prisão de alguém, para algo em torno de 15 ou 16 anos de idade. Desde a criação do estatuto da Criança e do Adolescente, passou a existir a internação, em locais apropriados, dos menores de 12 a 18 anos que cometem crimes ou infrações penais, onde eles podem permanecer por até 3 anos em punição pelos crimes que cometeram. 

  Mas, sabemos que essas instituições falham em atender ao disposto na lei, já que praticamente não há um trabalho que recupere o infrator e que o qualifique para a reinserção social, e , na prática, esses infratores acabam por estarem apenas isolados da sociedade, até que fujam de lá ou que retornem às ruas, onde a grande maioria deles acaba por recair na criminalidade. 

  É notório, também, que esses menores se transformaram em executores de bandidos que exploram esse aparente 'impunidade' dos menores, e delegam a eles atos criminosos, com a intenção de não serem pegos e nem presos pela prática desses crimes. Esses fatos acabaram por gerar quadrilhas dirigidas por adolescentes, certos da impunidade, e que tem gerado pânico nas grandes cidades, pela violência com que costumam agir. 

  Confesso que não tenho opinião formada sobre a questão da maioridade penal, tenho observado prós e contras , mas ainda não consegui entender o suficiente a questão para tomar partido de alguma opinião, apenas penso que, do jeito como as coisas estão, realmente não podem continuar. 

  Claro que simplesmente prender esses infratores está provado que não resolve a questão da violência, haja visto o que acontece com os maiores, as nossas prisões não ressocializam seus internos como desejado, é extremamente comum vermos ex presidiários recaindo no crime, prova de que estamos longe ainda do ideal nesse assunto. 

  Sabemos que as causas principais que levam os jovens ao mundo do crime são sociais, e estão na família desestruturada, nas péssimas condições de vida que prevalecem nas comunidades carentes, na educação pública de baixa qualidade, na falta de oportunidades de trabalho e de capacitação profissional, enfim, todos sabemos que, apesar dos avanços havidos nos últimos anos, ainda há muito a ser trabalhado nessas áreas. 

  Recorri à pesquisa, afinal, como acontece em outras partes do mundo? Se as causas tem origens sociais, a maioridade penal em países desenvolvidos deve ser a de 18 anos, ou não? 

  Minha pesquisa descobriu que não, em países como na Escócia, por exemplo, a maioridade penal é de 8 anos, na Inglaterra é de 10 anos, na Suécia, 15 anos. Nos Estados Unidos, há variações de estado para estado, essa idade varia de 6 a 18 anos, enquanto que no Japão ela é de 15 anos, na França de 13 anos, na Alemanha e na Rússia, 14 , na Coréia do Sul é de 12 anos de idade. 

  Essas respostas me surpreenderam, afinal, a maioria dos países que citei são considerados como desenvolvidos, onde não há a maioria dos problemas sociais encontrados aqui, porém mesmo assim, as idades para aplicação de penas são baixas, o que pode por em dúvida muitas alegações pró 18 anos.  

  Claro, é verdade que, na Suécia por exemplo, em 1997 só haviam 15 menores de 18 anos presos, o que poderia comprovar a tese de que uma sociedade desenvolvida tem uma criminalidade bastante reduzida . Já no Brasil, há hoje cerca de 14 mil adolescentes infratores em regime de internação e mais cerca de 46 mil cumprindo medidas sócio educativas em regime de liberdade assistida, conforme o previsto pela nossa legislação, um numero que chega a 17,4 % de toda a população carcerária brasileira. 

  Nossa lei penal é da década de 1940, portanto completamente defasada em relação ao que vivemos atualmente. Na época, um jovem de 16 anos era muito diferente de um adolescente de hoje, já que o Brasil  era um país basicamente de economia rural. Em 1940 a criminalidade era baixa e quase nula em relação a delitos praticados por menores e a sociedade era regida por padrões éticos e morais mais rígidos. É mais que necessária uma atualização da legislação penal para que haja uma efetiva punição aos criminosos, diminuindo a sensação de impunidade e de insegurança que impera no país - inclusive nas cidades do interior, antes tranquilas e pacatas. 

  Por tudo isso, não tenho ainda uma opinião formada sobre a questão da maioridade penal, acredito que qualquer mudança em relação a isso deve ser bastante estudada, debatida e pensada, sociedade, igreja e governo juntos para que sejam criados mecanismos que realmente venham a reabilitar os infratores, e, melhor ainda, que venham a criar condições sociais que evitem que menores de idade - e maiores também - acabem destruindo as suas e as nossas vidas na criminalidade. Por isso, melhorias na qualidade de vida, ensino religioso nas escolas, incentivo à pratica esportiva, atendimento psicológico às famílias, combate efetivo às drogas, educação de qualidade e outras medidas mais são primordiais para que aconteçam, a médio e longo prazo, as mudanças necessárias para um decréscimo da criminalidade. 

  Mas, enquanto isso não acontece, o que fazer? 

Fernando Marin 




quinta-feira, 25 de abril de 2013

Alimentação nos Tempos Bíblicos III - A Sopa de Cevada







Sopa de Cevada

O cultivo da cevada existe desde os idos de  7000aC,  6000 aC, na região do atual oriente médio, e era o principal cereal empregado na alimentação humana, sendo, mais tarde, substituída pelo trigo  Era um dos mais importantes cereais da Palestina, nos tempos de Jesus. Seu nome, em hebraico, significa “cabelos longos”, e o seu elevado consumo devia-se ao seu preço, bem mais baixo do que o do trigo. 

Por isso, era muito utilizado para alimentação dos animais e dos mais pobres. Seu cultivo se dava no Egito e na Palestina, plantada na época das chuvas de outono ( outubro e novembro), com a sua primeira colheita na páscoa, no mês hebraico do abibe ( março, abril). 

Há 36 referências à cevada na Bíblia, das quais três no Novo Testamento ( João 6.9 e Apocalipse 6.6). 

Hoje, por aqui, ela é facilmente encontrada nas lojas que vendem produtos naturais. A cevada é bastante energética, indicada para os dias mais frios. Além disso, por ser rica em vitaminas B1, B3 , selênio, ferro, fósforo, zinco, cobre e vitamina E ela ajuda na hidratação da pele e na regeneração celular, sendo importante para a manutenção de uma pele saudável.

Há várias maneiras de se consumir a cevada, uma delas é em substituição ao café, mas um outro modo bem saboroso de se consumir o grão é em forma de sopa, cuja receita passamos aqui. 

Sopa de Cevada 

Ingredientes: 
1 xícara de cevadinha; 1 e ½ litro de caldo de carne; 1 cebola picada; 2 dentes de alho espremidos; 3 colheres de sopa de azeite; 1 colher de sopa de salsa picada; 2 tomates, sem pele e sem sementes, picados; 1colher de chá de cominho; 1 colher de sopa de hortelã picada; sal a gosto. 

Preparo: 
Leve a cevadinha ao fogo com o caldo de carne até levantar fervura e depois deixe em fogo baixo para cozinhar, adicionando mais água sempre que necessário ou então cozinhe em panela de pressão por 15 minutos. 

Refogue a cebola e o alho no azeite. Acrescente os tomates, refogue um pouco mais e junte à cevadinha já cozida. Cozinhe mais um pouco e acrescente então o cominho, a salsa e a hortelã. Sirva acompanhada de torradas.

Essa é uma refeição muito apreciada na região da Palestina até os dias de hoje. Que tal experimentar?

Fernando Marin

sábado, 20 de abril de 2013

Atitudes Cristãs








Atitudes Cristãs


                                                           Por; Fernando Marin


   Dias atrás, estava em uma reunião na casa de um amigo quando ouvi duas pessoas, próximas, que conversavam sobre igrejas. A conversa seguia animada, até que uma delas falou: 'pastores são todos iguais", se referindo à uma reportagem que havia sido exibida dias antes em uma conhecida emissora de televisão.

   Me senti constrangido, muitos ali não me conheciam, mas, aquilo doeu. Fui "socorrido"  pelo amigo, que me apresentou como pastor, me defendeu, informou a denominação a que pertenço, ou seja, houve uma tentativa de desfazer aquele mal estar, porém aquelas palavras permaneceram guardadas na minha mente.

   Naquela noite refleti muito sobre o acontecido, sobre a repercussão que uma reportagem de tv pode trazer quando mal direcionada ou intencionada, como creio que foi aquela. Ela mostrava uma disputa de líderes de duas grandes igrejas neopentecostais , um acusando ao outro por enriquecimento às custas do seu rebanho, rebanho esse , em sua grande maioria, composto de pessoas humildes, pobres e sinceras, que ali estão em busca das promessas que são apresentadas em nome de Jesus.

   Imaginei que a Teologia não deveria ter respostas para tudo o que eu sentia, mas mais uma vez eu estava enganado.

   Recorrendo à Bíblia, no Evangelho de Marcos, capítulo 16 , no versículo 16 lemos as palavras de Jesus, "vão pelo mundo inteiro e anunciem o evangelho a todas as pessoas " (NTLH). Mas, o que é "anunciar o evangelho"? É pregar a Palavra de Deus, é espalhar o amor Dele por todos os cantos desta terra, é anunciar o perdão pelos pecados, a novidade de vida, a transformação do indivíduo. É expressar o amor de Deus que vive em nós por meio de ações, como diz o texto bíblico de 1 João 3. 18 "Meus filhinhos, o nosso amor não deve ser só de palavras e de conversa. Deve ser um amor verdadeiro , que se mostra por meio de ações."

   Assim, ser cristão é demonstrar, por meio de ações, o amor verdadeiro que vive em nosso interior. Essa é a melhor forma de pregarmos o evangelho, através de atos de amor, de atos que comprovem o amor de Cristo que vive por meio de nós ( Tiago 2.17 , " Portanto, a fé é assim, se não vier acompanhada de ações é coisa morta"), é mostrar às pessoas que somos diferentes, que vivemos uma vida na alegria de sabermos que somos verdadeiramente filhos de Deus, e que vivemos por Ele e para Ele, e que agimos em Seu nome, e assim temos que ter atitudes condizentes com o que pregamos. É vivermos uma vida devotada aos outros, de serviço ao próximo, de misericórdia, com a presença constante do Espírito Santo que habita em nós (Filipenses 2.1 , "Por estarem unidos com Cristo, vocês são fortes, o amos Dele os anima e vocês participam do Espírito de Deus. E também são bondosos e misericordiosos uns com os outros").

   Infelizmente nem todos os que se dizem cristãos tem tido atitudes condizentes com a palavra que pregam, ou com o que, pelo menos, tentam pregar. Disputas pela liderança do povo evangélico, acusações mútuas, construção de mega templos, teologias oportunistas e em desacordo com o que é ensinado pela \Bíblia e outros fatos a que temos assistido são um grande empecilho à pregação do evangelho, já que as pessoas procuram generalizar os erros e enganos cometidos por alguns, passando a crer que todos os evangélicos agem de forma semelhante. Tudo isso vem afastando pessoas da igreja e criando uma imagem distorcida do que é verdadeiramente ser cristão.

   Sei que a tarefa de separar o joio do trigo pertence a Jesus, não a nós. Porém, creio que temos a obrigação de proteger o Evangelho da falta de ética que vem se tornando comum no nosso meio, escolhendo melhor os nossos líderes, preparando com mais cuidado aqueles que estarão à frente das igrejas, cobrando que a Palavra de Deus seja pregada e cumprida, que haja um maior comprometimento do povo cristão quanto a tudo aquilo que nos é ensinado pelo próprio Jesus, em relação ao estilo de vida que devemos levar, uma vida de comunhão em torno do amor de Deus, que é a essência da Sua palavra.

   Atendamos ao pedido do apóstolo Paulo, descrito em Filipenses 2.1: "Então peço que me deem a grande satisfação de viverem em harmonia, tendo um mesmo amor e sendo unidos de alma e mente".

   É fácil se dizer cristão, ou evangélico. Mas, o que importa realmente é demonstrar uma vida condizente com essa condição.

   Vivamos em harmonia e em amor, e assim estaremos agindo de acordo com o que Jesus nos ensinou.

Fernando Marin




quarta-feira, 10 de abril de 2013

Músicos ou Levitas?




“Esta é minha linha: o perigo da institucionalização. Acompanhada de uma linha paralela: o perigo da desinstitucionalização pretendida pelos levitas. E com outra questão: tinham que se intitular de levitas? Levitas hoje? Havia até uma revista para pessoas envolvidas com cânticos na igreja, com este título. Causou-me um choque na primeira vez. Tocar guitarra num culto é ser levita? Cantar corinhos ingênuos (na nova semântica os corinhos se chamam “louvor”) é ser um levita?”
Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

                                                                                                                                        Por : Fernando Marin

Há tempos já sentia o desejo de publicar um estudo sério, que falasse dos levitas, quem eram e quais eram as suas funções, nos tempos do Antigo Testamento. Esse desejo surgiu quando pude perceber uma onda de judaização que tem passado por algumas igrejas evangélicas atuais, que voltaram a usar terminologias e rituais judaicos , em vez dos cristãos. Afinal , chamar os músicos de 'levitas' estaria correto?

Provocado pelo meu amigo seminarista Irley Max,  do Pará, e pesquisando sobre o assunto, me deparei com um excelente estudo, feito pelo Pastor Elildes Junio Macharete Fonseca , pastor titular na Primeira Igreja Batista no Bairro São João ( São Pedro da Aldeia - RJ), e publicado na Revista Palavra e Vida, da Convenção Batista Fluminense ( 1º trimestre de 2013), que elucida muito bem a questão.

Assim. optei por transcrever o estudo do Pr Elildes por avaliá-lo como sério, bíblico , histórico e oportuno, esclarecendo bem esse assunto:

Músicos ou Levitas?

O assunto pode até ser batido entre nós, mas a verdade é que vez por outra é ouvida a expressão levita em relação aos músicos nas igrejas, especialmente àqueles que participam da “equipe de louvor”. É correto chamar os músicos das igrejas de levitas?

1. Quem são os levitas?

A Bíblia nos informa sobre a importância da música no culto. No tempo de Davi e Salomão, o ministério da música era uma parte integrante do culto hebraico. Os músicos vinham da tribo levítica e eram obreiros de tempo integral, separados para o trabalho do culto.

“Dos trinta e oito mil levitas, quatro mil foram separados para servir ao Senhor, com os instrumentos musicais feitos por Davi”.

Em 1Crônicas encontramos os deveres dos diferentes levitas e, entre eles, os músicos. Quenanias, chefe dos levitas, foi citado como encarregado dos cânticos (1Crônicas 15.22).

Os levitas eram pessoas separadas para ministrar a vida espiritual de Israel. Eles tinham também a responsabilidade de cuidado e manutenção do Templo.

O levita era isento de alguns compromissos: “vos notificamos que não é permitido cobrar impostos, tributos ou taxas de nenhum dos sacerdotes, levitas, cantores, porteiros, servidores do templo e de outros que trabalham nesse templo” (Esdras 7.24).

A questão fundamental é que nos tempos do Antigo Testamento, todo músico era levita, mas nem todo levita era músico.

Levi, terceiro filho de Jacó e Lia (Gênesis 19.34), e sua tribo foram eleitos por Deus para cuidar das questões que envolviam o culto em Israel. Moisés e Arão eram da tribo de Levi (Êxodo 2.1, 4.14, 6.16-27). Esta tribo foi separada das demais, sendo incumbida de conduzir os sacrifícios, de desmanchar, transportar e erguer o tabernáculo no tempo de peregrinação.

Os levitas tinham um ministério auxiliar aos sacerdotes. O serviço dos levitas começava quando atingiam a idade de vinte e cinco anos, indo até os cinquenta (Números 8.24-26). Posteiromente, quando Davi estabeleceu um local fixo para a arca da aliança, a idade foi baixada para vinte anos.

O sustento dos levitas vinha do dízimo do povo. Eles não possuíam herança na terra; nenhuma porção da Terra Prometida lhes coube (Números 18.23). Por outro lado, os israelitas tinham grandes responsabilidades com os filhos de Levi (Deuteronômio 12.12, 18-19; 14.28-29).

2. Temos levitas hoje?

Com essa interrogação latejando em minha mente, pesquisei algumas opiniões sobre o assunto. É sempre difícil a tendenciosa tarefa de selecionar uma ou outra dentre tantas opiniões, mas, por questões de tempo, espaço e concordância, fiquei com duas, como seguem:
José Barbosa Júnior foi tão enfático e preciso que o citarei na íntegra: “Como tirados de folhas amareladas pelo tempo, eles surgem para atrapalhar a já atrapalhada igreja evangélica de nossos dias. São os “levitas”, os grandes homens e mulheres que ministram louvor em várias igrejas pelo país. Um pouquinho só de conhecimento bíblico já nos faz ver que por trás disso tudo há um grande equívoco. Um movimento re-judaizante, com fortes tendências neo-pentecostais traz em seu bojo figuras como essa, tema de nosso breve comentário. (...) Quem se diz levita, não sabe o que está dizendo. Creio que o desejo de ser levita surge, antes de qualquer coisa, de uma vontade de possuir títulos nobres, o que é bem comum em nosso meio. Apóstolos, bispas, bispos, que assim se autodenominam são comuns em nossos arraiais. Gente que carece de profundidade bíblica e de seriedade no modo de encarar a verdade revelada. Gente que fica buscando no Antigo Testamento coisas que já foram abolidas há muito tempo, há pelo menos 2.000 anos” .

A segunda opinião vem de Josaías Júnior, que publicou um interessante artigo com o título “7 razões para não chamar músicos de ‘levitas’” . Citarei algumas razões, comentando-as:

1.      Nem todos os levitas eram músicos. Já falamos sobre isso no tópico anterior. A Bíblia fala de levitas que cuidavam da música, mas também fala de outras atividades levíticas envolvendo o ambiente de culto, como os sacrifícios e tarefas administrativas e operacionais (limpeza e organização do espaço, por exemplo).
2.      O chamado levítico originalmente envolvia toda a humanidade. O chamado para a adoração e o cuidado do “templo” é para todos, dado aos nossos primeiros pais, assim como o casamento, a família, o trabalho e o descanso.
3.      O levita tinha um papel de mediador, assumido por Cristo. Os levitas, como ungidos do Senhor, tinham o papel de mediar a aliança entre Deus e o povo de Israel. Esse papel hoje é perfeitamente cumprido por Jesus, nosso supremo Pastor e sumo sacerdote.
4.      Chamar os músicos de hoje de levitas cria uma divisão entre crentes “levitas” e “não levitas”. Essa razão é mais prática que teológica. Essa divisão entre os “ministros de louvor” e a congregação não é saudável e traz problemas no entendimento da verdadeira espiritualidade. Sabemos que aqueles que vão à frente para ministrar devem ter um cuidado todo especial com as suas vidas, mas isso não faz deles “supercrentes”, não os coloca numa condição superior aos demais. Todos somos aceitos por Deus, todos o louvamos, não só um determinado grupo no culto.

As opiniões que acabamos de conhecer são valiosas, mas cada um de nós deve entender a razão pela qual não é correto associar os músicos de hoje aos levitas do Antigo Testamento. É mais do que uma questão de nomenclatura, e não deve ser assimilada sem pensar ou por autoritarismo. É necessário entender que o ministério levítico é muito mais abrangente do que o ministério da música.

3. Poderíamos ter levitas hoje?

O fato é que, biblicamente falando, não os temos, mas poderíamos? Não seria justo ressuscitar a figura do levita do Antigo Testamento assumindo somente os bônus da função. Há coisas mais leves no ministério levítico, mas há aquelas bem mais pesadas.

Devemos lembrar que os levitas eram escolhidos, consagrados e separados para o trabalho em tempo integral, ou seja, dedicação exclusiva, e recebiam por isso. Mas, poderia ser que hoje o sustento do levita ficasse aquém do mercado de trabalho.

Um levita atual teria de estar disposto a limpar o templo, abrir e fechar, esperando que a última pessoa se retire, com paciência e amor, repetidas vezes. Caberia ao levita a zeladoria da igreja. Não sei se seria muito bom misturar as coisas. Penso que não seria produtivo o trabalho do músico acumulando tantas outras responsabilidades.

Por outro lado, voltar ao sistema levítico afetaria drasticamente o voluntariado na igreja. Formaríamos equipes de levitas para todas as áreas, em tempo integral e com seus sustentos, e os que quisessem servir voluntariamente naquelas áreas ficariam no “banco de reservas”.

Na verdade, a questão é complexa. Há muitos outros argumentos, até mesmo os favoráveis.

Posso estar errado, mas tomo a coragem de afirmar que um retorno ao ministério levítico hoje, além dos problemas bíblico-teológicos, é uma questão de vaidade, nada além de vaidade. Um cristão que deseja trabalhar para o Senhor não precisa se rebaixar a uma questão de nomenclatura.

Para pensar e agir

Seria ideal se pudéssemos dar condições para que todos os músicos da igreja atuassem em tempo integral, cuidando do culto, diariamente. Mas essa realidade está distante da maioria absoluta de nossas igrejas. Os recursos não são suficientes para tamanha estrutura.

Mas, embora não recebendo dinheiro, é importante que cada pessoa dê o seu melhor no exercício do ministério cristão, nas suas múltiplas áreas.

Vale a pena a reflexão: estamos exercendo os nossos dons e ministérios da melhor forma possível, ou estamos “empurrando com a barriga”? Que nota daríamos para o nosso compromisso com Deus e a sua igreja?

Pr Elildes Junio Macharete Fonseca


[1] MCCOMMON, Paul. A Música na Bíblia. Rio de Janeiro: JUERP, 1995. p. 76.

Bom, creio que, depois de ler esse estudo, fica bem esclarecido quem eram os levitas, e se, hoje, pode ou não alguém ser chamado como tal. Mas, se a dúvida persistir, encontrei um excelente artigo do Pr Isaltino Gomes Coelho Filho sobre o mesmo assunto, posso publicá-lo e dirimir de vez quaisquer dúvidas que porventura ainda permaneçam.

Fernando Marin