quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Ano Novo, Vida Idem



Ano Novo, Vida Idem


Por: Fernando Marin



 Mal terminam as celebrações natalinas, geralmente abundantemente acompanhadas por alimentos nem sempre saudáveis, e ainda receosos de passarmos perto de uma balança, já chegam as festas de ano novo, o chamado réveillon, quando também costumamos comemorar em meio a banquetes e muita alegria, afinal temos que agradecer a Deus por Ele ter nos permitido mais um ano de vida e oramos pedindo um novo ano de bênçãos em todos os aspectos de nossas vidas.

 Nessa época é comum ouvirmos aquelas promessas de mudanças e planos efetuados para o novo tempo chamado ano, mesmo que não tenhamos cumprido as promessas no que ora se encerra.

 A mudança de calendário nos dá a impressão de final de uma era e de início de uma outra, onde tudo se renova ou se inicia. Na verdade é apenas um pulo na folhinha, mudanças ou novos planos devem partir de nossos corações, sintonizados com Deus – a quem devemos submeter tudo aquilo o que almejamos, afinal, é Ele quem os tornará realidade ou não.

 Creio que sonhar faz parte da nossa existência, e sonhos  são naturais e normais a todas as pessoas, quem não sonha com uma vida melhor, uma nova casa, uma viagem?

 Muitas vezes Deus nos dá a oportunidade de realizarmos nossos planos e sonhos, outras vezes Ele não os permite. E aí é importante sabermos que nem tudo o que pensamos ser bom para nós na realidade o seria. Sempre digo da importância de sermos humildes perante o Senhor e de esperarmos com paciência que o momento ideal chegue ou que entendamos quando Ele diz não.

 Creio que a Bíblia nos deixa uma boa pista para que nada nos falte em época alguma, basta lermos em Mateus 6, versículo 31 a 33, onde o texto nos diz: “Portanto, não fiquem preocupados, perguntando: “Onde é que vamos arranjar comida?” ou “Onde é que vamos arranjar bebida?” ou “Onde é que vamos arranjar roupas?” Pois os pagãos é que estão sempre procurando essas coisas. O Pai de vocês, que está no céu, sabe que vocês precisam de tudo isso. Portanto, ponham em primeiro lugar na sua vida o Reino de Deus e aquilo que Deus quer, e ele lhes dará todas essas coisas. Por isso, não fiquem preocupados com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã trará as suas próprias preocupações. Para cada dia bastam as suas próprias dificuldades.”

 Aqui, a Palavra nos ensina a não nos preocuparmos com as nossas necessidades básicas, elas serão providas por Deus, desde que estejamos sempre no centro de Sua vontade. Quanto aos demais bens materiais, o nosso trabalho honesto , abençoado por Ele, nos dará condições de adquirir.

 Para termos um bom ano novo devemos tomar atitudes positivas e de fé, tais como agradecermos pelo nosso trabalho, por nossa saúde, família, pelas pessoas que Deus coloca próximo a nós , pela vida!

 São essas atitudes de gratidão e de paz que nos levarão a uma vida de sucesso.

 Nossas realizações pessoais não se encontram apenas nos bens que obtemos, mas sim na paz com que vivemos!

 Entremos em 2018 com esse pensamento.

 Feliz 2018!


Fernando Marin

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Tempo de Natal



Tempo de Natal


Por: Fernando Marin



  Sei lá, parece que de uns anos para cá o tempo passa mais rápido, chegou o Natal. E com ele, aquela correria toda que já é rotina para todos. Lojas cheias, festas de confraternização, cozinhas a todo vapor, afinal é Natal!

  Refletindo sobre a época e o fato, me peguei escolhendo os presentes que gostaria de ganhar. Enquanto muitos sonham com smartphones, roupas e outros objetos caros eu ficaria feliz se pudesse haver mais amor entre as pessoas.

  Havendo mais amor, não haveriam mais crimes, e nem guerras. Havendo mais amor não haveriam mais refugiados, e nem a fome.

  Havendo mais amor, não se roubaria dinheiro público, e haveria bom atendimento de saúde para todos, melhores escolas, nossas cidades teriam mais qualidade de vida.
Amor, é o que falta nesse mundo.

  Esse amor que tanto nos faz falta até surge em iniciativas isoladas na época do Natal, mas normalmente só dura por essa época mesmo.

  E aí devemos nos lembrar de quem foi enviado a esse mundo por amor a nós. Nasceu, cresceu e foi crucificado e assassinado para que nós todos hoje pudéssemos ter a vida eterna. Época de lembrarmos de Jesus Cristo, Filho de Deus, enviado à terra para padecer pelos nossos pecados.

  Esse é o real sentido do Natal, relembrarmos desse sacrifício em nome do amor, amor imerecido, mas amor de Pai.

  Que em todos os lares as famílias se reúnam para celebrar essa tão importante data. Não importa se Ele nasceu em 25 de dezembro ou não. O que importa é celebrarmos o fato: Ele nasceu!

Feliz Natal!


Fernando Marin

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

A Igreja Espetáculo



A Igreja Espetáculo


Por: Fernando Marin


 Tenho dito que quase nada mais me surpreende, basta se ler um jornal ou um site de notícias para nos depararmos com todo o tipo de barbaridades, corrupção, crimes e coisas do tipo. Mas, algumas ainda me chamam a atenção, mais pelo fato de que são assuntos os quais eu costumo discutir – ou não – e que vem de encontro àquilo que penso.

 Coloquei um “ou não” porque nem todos os assuntos costumo discutir em público, infelizmente muita gente não compreende bem os temas e parte para a simples agressão – às vezes até de fato – por não possuírem uma argumentação sólida. Às vezes até posto temas polêmicos, mas me eximo de discutir ou de colocar em debate, já fui até ameaçado de exclusão em uma rede social por um amigo que não admite que alguém pense diferente dele, enfim, para manter uma amizade muitas vezes é melhor não dizer nada.

 Mas, hoje logo de manhã, lendo as notícias me deparo com uma publicada pelo jornal O Dia (http://odia.ig.com.br/brasil/2017-11-09/homem-tenta-esfaquear-pastor-durante-culto.html), um homem, ao participar de um culto em uma conhecida denominação evangélica, teria tentado esfaquear o pastor por “não ter gostado do louvor”, fato acontecido em São Paulo.

 O fato me trouxe à mente uma série de outros e acabei por escrever esse artigo, mesmo contra a minha vontade. Sei que serei criticado, mas isso faz parte da vida.

 Todos os dias pastores são “esfaqueados” por ovelhas descontentes, ou com o louvor, ou com o líder de algum departamento, ou porque estava frio, não gostou do sermão, ou porque está insatisfeito com alguma coisa dentro da igreja, ou porque o pastor fala baixo, reclama-se e critica-se tudo. A maioria dos pastores estão acostumados a isso, e vão tocando a sua missão com o pensamento só em Deus. Outros, se irritam e acabam praticando atos incompatíveis com o ministério. Mas, tenho visto igrejas onde a rotina foi adaptada aos novos tempos, cultos espetaculosos, grupos de louvor equipados com o que há de melhor, som digital, vídeo, transmissão ao vivo, etc.

 As atividades são diárias, reuniões, almoços, jantares, festas das mais variadas. Muitos cultos tem a participação de grandes e conhecidos pregadores e cantores. As mensagens são dinâmicas e sempre muito otimistas, afinal somos filhos do Rei, tudo tem que acontecer de bom em nossas vidas, não é?

 Os templos, cada vez maiores e mais luxuosos, construídos para abrigar muita gente, e com um custo também cada vez mais alto, daí a necessidade de frequentes campanhas de arrecadação para obras, melhorias e manutenção, um valor que seria muito melhor aplicado em evangelismo / missões.

 Pastores criativos que oferecem , por alto preço, todo tipo de artigos, toalhas ungidas, água de rios “sagrados”, vassouras para varrerem o mal, tijolos, cd’s, dvd’s , ou pedem mesmo ofertas ‘de amor’ ou ‘de fé’ sempre de valores altos e determinados.

 E assim, todos os dias tomamos conhecimento de pastores e igrejas que, com as suas doutrinas próprias, estão cada vez mais afastados do Evangelho de Jesus Cristo.

 Não sou contra a música, o canto, a dança, as festas, porém entendo que a pregação da Palavra – e ela é dura, muito dura! – é o que deve nortear uma igreja bíblica. Tenho andado por aí e verifico uma grande quantidade de “crentes” que desconhecem o Evangelho, e isso me entristece.

 Moro em uma cidade que hoje tem 140 mil habitantes, e mais de mil igrejas, de todos os tamanhos e denominações, uma base de 140 pessoas por igreja, umas tem 900 membros, enquanto que outras reúnem poucas pessoas, mas a conta está aí.

 Puxa, essa cidade deveria ser uma benção, um paraíso, não é? Tantas igrejas para pouco mais de 140 mil habitantes. No entanto não é essa a realidade, o tráfico de drogas está disseminado, roubos, assaltos constantes, jovens bebendo nas ruas, bailes funk, boates repletas, todo tipo de coisas amplamente condenados pela Palavra.

 Creio que ainda há tempo para as igrejas locais acordarem para a realidade e deixarem de ser como clubes privados ( há exceções) e partirem para cumprirem a verdadeira missão que receberam de Jesus, a de fazerem discípulos por toda parte. Enquanto a igreja não cumprir com a sua Missão, almas continuarão se perdendo. E essa responsabilidade foi dada pelo Mestre a  todos os crentes.

 E por isso seremos cobrados.


Fernando Marin

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Polêmicas do Cotidiano II – A cultura do nu e os evangélicos incômodos.



Polêmicas do Cotidiano II – A cultura do nu e os evangélicos incômodos.


Por: Fernando Marin


 A polêmica foi instalada em São Paulo recentemente , mais precisamente na abertura do 35º Panorama de Arte Brasileira no MAM, onde um coreógrafo  completamente nu convidava os presentes a interagirem com ele, tocando em seu corpo para incentivar movimentos que se assemelhavam aos de uma escultura presente na exposição.

 Setores conservadores da sociedade partiram para o ataque do que consideram uma afronta à capacidade cultural da população, de outro lado artistas e intelectuais saíram em defesa de uma livre expressão da arte, sem o que chamam de censura de qualquer natureza. O povo religioso, mais notadamente o evangélico, protestou com veemência contra aquilo que entenderam como um ataque ao Evangelho e à moral, até porque uma mãe levou sua filha de 5 anos à tal exposição, e a menina foi filmada sendo induzida por essa mãe a interagir com o artista nu.

 Uma polêmica das grandes, foi o assunto da semana na mesma época em que a revista Veja publica um artigo escrito pelo jornalista J.R.Guzzo que chama o povo evangélico de “incômodo”, um texto repleto de desinformação e preconceito e que repercutiu por dias na mídia com respostas vindas de diversos setores da igreja evangélica brasileira que se considerou agredida com a matéria.

 Não costumo participar de debates polêmicos, mas dessa vez não poderia deixar passar em branco dois fatos que repercutiram demais em todos os cantos do país. Também prefiro digerir bem os acontecimentos antes de me posicionar, com o sangue quente muitas vezes praticamos injustiças. Também aprendi que devemos procurar conhecer os dois lados de qualquer história que nos contem, afinal sempre há o certo e o errado. Com isso, não quero dizer que a minha palavra é inquestionável, porém procuro me cercar de cuidados ao emitir opinião em assuntos tão polêmicos até porque respeito e sempre respeitarei aqueles que pensam diferentemente de mim. Quem quiser discordar, tem o direito, não correrá o risco de ser excluído de meu rol de amigos, basta apenas que se manifeste com respeito e educação, e saberei entender a discordância.

 Quanto ao primeiro fato, o do nu, a falta de vestimenta sempre fez parte do trabalho de muitos artistas, notadamente escultores e pintores dos mais famosos. Obras das mais conhecidas estão descobertas de roupas, e expostas ao público em museus famosíssimos do mundo. Creio que aqueles que se escandalizam com esse tipo de arte devem se abster de comparecer onde elas são expostas. No caso do MAM , foi verificado que a interação com o artista aconteceu em um ambiente fechado e sinalizado , portanto acessível apenas aos que realmente desejaram estar presentes. Existe muita coisa que considero abominável acontecendo diariamente pelo mundo, em cinemas, teatros, boates, bordéis , e eu me abstenho de comparecer. É a minha forma de demonstrar discordância, como cidadão, como evangélico apenas frequento ambientes em que não me sinta agredido ou incomodado com algo que fira a minha consciência.

 Claro que há uma agravante séria nesse fato, uma mãe (desavisada??) levou sua filha de 5 anos e a induziu a interagir com o tal artista. Com certeza, essa criança não deveria estar lá, não apenas proibida pela mãe, mas pela rede de proteção do estado, que falhou no caso. Creio que é devida uma punição ao MAM e a essa mãe, por terem permitido a entrada da criança nesse setor da exposição.

 Sei que pastores e muitos evangélicos se posicionaram contra essa expressão artística, entendo que temos essa liberdade de discordar mas temos que compreender que o mundo está repleto de atos e fatos contrários aos pregados pelo Evangelho, e não nos cabe efetuar um patrulhamento moral da sociedade e de suas produções, não nos cabe o julgamento do certo ou do errado praticados, não foi isso o que Jesus nos ensinou.

 Mais uma vez, recorro à Bíblia, mais precisamente ao Evangelho de Marcos, onde no Capítulo 16, versos de 15 e 16, o próprio Mestre nos determina: “Vão pelo mundo inteiro e anunciem o evangelho a todas as pessoas. Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado.”

 Simples de entender, nossa missão não é policialesca, é a de pregar o Evangelho. Como Cristo diz, quem crer estará salvo, quem não crer não estará. A missão que nos foi imposta pelo Mestre é a de fazer seguidores, “e ensinando-os a obedecer a tudo o que tenho ordenado a vocês.” ( Mateus 28.20).

 Não é missão do evangélico condenar nada e ninguém, não é nossa missão acusar ou julgar ninguém pelo que faz ou pensa, estamos aqui para fazer seguidores, para espalharmos as boas novas pelo mundo, para trazermos uma palavra de salvação para os perdidos, isso sim é o que temos a fazer, e a obra é enorme!

 Quanto ao artigo discriminatório aos evangélicos publicado pela revista Veja, está repleto de discriminação e de desconhecimento, assim prefiro nem comentar, para não correr o risco de praticar algum julgamento indevido.

Fernando Marin

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Polêmicas do Cotidiano I - A Rede Globo



Polêmicas do Cotidiano I - A Rede Globo



Por: Fernando Marin



 Não é de hoje que ouvimos e lemos críticas à programação da Rede Globo, tida como de baixo nível e tendenciosa, politicamente falando.

 Vemos nas mídias sociais movimentos que incentivam a sonegação da audiência da emissora, num protesto por reportagens e opiniões.

 Na verdade, o que tenho a dizer é que não assisto à programação da Globo. E se há tantos que a criticam, devem assisti-la, caso contrário não teriam como criticar o que não conhecem.

 Creio que a maior punição para uma emissora que produz programas de baixa qualidade ou tendenciosos ou atentatórios à moral é o controle remoto de nossos aparelhos de televisão. Há, com certeza, opções melhores para assistirmos, principalmente para os que possuem uma assinatura de tv paga.

 Mas, se mesmo com a opção do controle remoto ainda há quem se delicie com baixo nível, aí a questão está na consciência desses. Não nos cabe patrulhar e nem impor o que alguém quer ou gosta de assistir. É o exercício do livre arbítrio de cada um.

 Creio que a nossa parte nisso tudo é a de cobrar das autoridades que a educação em nosso país suba de nível de qualidade, para formarmos pessoas mais críticas e amantes de uma boa e saudável cultura e aí sim quem não estiver nivelado a essa exigência popular por uma  boa cultura será punido pela falta de audiência.

 Ainda falando de cultura, todos tem acompanhado os episódios acontecidos na exposição Queermuseu em Porto Alegre e na abertura do 35º Panorama de Arte Brasileira, no MAM em São Paulo, onde um coreógrafo  completamente nu convidava os presentes a interagirem com ele, tocando em seu corpo para incentivar movimentos que se assemelhavam aos de uma escultura presente na exposição.

 Bem, isso é assunto para outro artigo.


Fernando Marin

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Ontem, hoje. Amanhã??


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Ontem, hoje. E amanhã??


Por: Fernando Marin



 Costumo dizer que não sou tão velho assim, apesar de legalmente ser considerado como um idoso, mas tenho acompanhado as mudanças acontecidas na sociedade nos últimos 50 anos, e vejo que as chamadas evoluções apenas serviram para tornar a nossa vida pior.

 No meu tempo de escola – pública – nossas professoras ( não ‘tias’ como se chamam hoje)tinham papel importante na nossa formação moral, religiosa e também no ensino, normalmente acompanhavam a mesma turma por algumas séries, conhecendo bem seus alunos e os problemas de cada um. As segundas-feiras eram festivas, antes do início das aulas as turmas formavam no pátio da escola e acontecia uma solenidade, com cântico do Hino Nacional Brasileiro, hasteamento da Bandeira e celebração de datas importantes para o País. Nas salas de aula o respeito era total, não porque fosse imposto, mas acontecia naturalmente, a profissão de professor era importante e valorizada e os pais ensinavam seus filhos a respeitarem os mais velhos e as leis e normas vigentes.

 Na época do sete de setembro, as ruas se enfeitavam de verde e amarelo, bandeirinhas de papel eram distribuídas, os carros ganhavam adesivos com as cores nacionais, o patriotismo estava estampado no rosto e no coração de cada brasileiro. Os feriados nacionais tinham um forte significado patriota, e o amor ao Brasil era cantado em verso e prosa por muitos artistas populares, quem não se lembra do ...”eu te amo, meu Brasil, eu te amo, meu coração é verde, amarelo, branco , azul anil ...”.

 Éramos ensinados a cedermos nossos lugares na condução aos mais velhos, a carregarmos as sacolas dos idosos, a darmos bom dia, boa tarde, a não gritarmos, a respeitarmos os direitos dos outros, essa era a nossa criação.

 Aí, a sociedade “evoluiu”, e hoje estamos acostumados a vermos notícias de alunos que agridem professores, ou a professores que agridem alunos, desrespeito aos símbolos nacionais, aos mais velhos, as leis são simplesmente ignoradas, os lugares destinados aos idosos nos transportes são ocupados até mesmo por estudantes uniformizados, pais são assassinados por filhos, as famílias se desfazem por qualquer pequena desavença que haja, as drogas invadiram os lares e as escolas, e por aí vai.

 O ensino , de mal a pior, são muitos os que chegam ao nível superior e que quase não conseguem ler ou interpretar um texto, e quem for professor irá saber bem do que estou falando. A criminalidade está por toda parte, bandidos muito bem armados estão a ponto de tomar nossas cidades e nos expulsarem para roubarem nossos bens e nossas vidas, e eu imagino: o que será de nosso país daqui a 10 anos?

 Falo de nosso país, de nosso querido Brasil porque vemos que em outras partes do mundo a situação é muito diferente, há lugares onde a polícia procura o que fazer por falta de bandidos ( Japão), outros onde as prisões estão sendo fechadas por ausência de presos( Suécia), outros ainda onde as armas são terminantemente proibidas, e a posse ilegal de uma delas leva a 10 anos de prisão ( Inglaterra), onde menores de 18 anos são presos e julgados quando cometem crimes (USA).


 Afinal, onde estamos falhando?

Fernando Marin

terça-feira, 18 de julho de 2017

A insegurança nossa do dia-a-dia II


A insegurança nossa do dia-a-dia II


Por: Fernando Marin



“...homens violentos querem me matar. Eles não se importam com Deus.” Sl 54 3 b

 Palavras de Davi, preocupado, amedrontado, quando estava escondido enquanto era procurado para ser morto. Palavras ditas séculos atrás mas atuais, afinal a situação em que vivemos hoje nos leva ao medo de sermos vitimados a qualquer instante, e em qualquer lugar.

 A situação da insegurança hoje nos apavora. Acontece uma média de um roubo de carga por hora no Rio, os caminhões são levados a algumas comunidades e rapidamente descarregados e os produtos vendidos pelos ladrões. Já existem feiras onde esses produtos são vendidos livremente a preços baixos, embora os frutos desses roubos também sejam ofertados por ambulantes até mesmo dentro dos trens da Supervia.

 Segundo o Portal Terra , há uma média de 14 tiroteios por dia que acontecem em diversas partes da cidade, inclusive próximo a escolas, hospitais, postos de saúde. No meio desses tiros está a população, somente no ano de 2017 até o dia 2 de julho 632 pessoas foram atingidas por balas perdidas , sendo que pelo menos 67 delas morreram (fonte O Globo).  Até mesmo bebês foram atingidos e feridos antes de nascerem, como no caso do Arthur, em Duque de Caxias, atingido por uma bala perdida dentro da barriga de sua mãe.

 Apenas no ano de 2017, até hoje, 89 policiais militares morreram vítimas dessa violência, muitos deles de folga, número superior aos mortos durante todo o ano de 2016.

 O caos é tamanho que já existe pelo menos um aplicativo de celular – denominado Fogo Cruzado – que informa as áreas que devem ser evitadas por estarem acontecendo trocas de tiros entre polícia e bandidos ou entre os próprios traficantes, que não se preocupam nem um pouco com o que acontece  à sua volta. Segundo a ONG Rio de Paz, os dados fornecidos pelo Aplicativo não expressam a realidade, já que os moradores de comunidades geralmente não ousam informar confrontos próximos às suas residências, com medo de retaliações por parte dos bandidos. Assim, a comunidade do Jacarezinho, por exemplo, onde existem tiroteios diários sequer aparece nas estatísticas da ONG.

 Crianças, jovens, adultos, idosos todos hoje são vítimas dessa violência desmesurada, direta ou indiretamente. Segundo o Portal G1 , pelo menos 550 mil pessoas sofrem de estresse pós-traumático, causado pelo pânico ou por perda de algum parente por atos de violência, 214 mil pessoas apenas na capital.

 A política de segurança capitaneada pelas UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) faliu, junto com o governo do estado. A falta de recursos , atrasos e não pagamento de direitos trabalhistas – os funcionários do estado do Rio de Janeiro sequer receberam o seu 13º salário referente a 2016, e nem há previsão para pagamento – acabaram por gerar uma crise sem precedentes, já que a situação de penúria atinge todas as áreas da administração pública, como educação, saúde e a área social.

 Falta de tudo, governo , dinheiro, estratégias, projetos, atendimento, armamento, veículos ( metade dos veículos da Polícia Militar estão parados por falta de manutenção), vergonha , o estado simplesmente faliu, devido à péssima gestão.

 A receita com o turismo caiu e continua em queda, os hotéis estão vazios, afinal quem tem coragem de vir passear no Rio?

 De quem é a culpa disso tudo?

 De todos.

 Há tempos que as más administrações não vem fazendo bem o seu trabalho, notadamente na área da educação, a mais importante de todas , já que é a que prepara e capacita o indivíduo para a vida. Há ainda a questão da corrupção, da impunidade, das péssimas condições de moradia , de saúde, enfim, o Rio de Janeiro hoje está entregue nas mãos dos bandidos. Digo com certeza que as autoridades perderam o controle da situação e agora a polícia corre de um lado para outro tentando conter ondas de violência e causando mais violência ainda, já que revida as agressões que sofre.

 Onde iremos parar?

 Não sei. Talvez, como Davi, tenhamos que sair da caverna e enfrentar a realidade. Temos que nos indignar e darmos nossa resposta. Não podemos continuar acuados e apavorados enquanto o mal prospera livremente. É necessário que se cobre o que é o nosso direito, direito de ir e vir, direito a segurança, a se andar livremente pelas ruas.

 Não é?


 Fernando Marin