quinta-feira, 26 de julho de 2012

Igreja: lugar de comunhão










                                                                                                    Por: Fernando Marin


 “A igreja é o conjunto de pessoas, ao redor do mundo e ao longo da história, que dobraram seus joelhos diante de Jesus, confessando-O como Salvador e Senhor. Esta igreja não tem templo, nem estatuto, nem diretoria ou pastor. É a igreja invisível, formada por todos os regenerados, os quais Jesus virá buscar na Sua volta”. (Pr Israel Belo de Azevedo)

A palavra “igreja”, do grego ekklesia , significa reunião, ajuntamento, os chamados para fora. Biblicamente, podemos dizer que a igreja é composta por todos os crentes, de todos os tempos, de todos os lugares, os quais aceitam a Jesus Cristo como Senhor e Salvador de suas vidas. É a comunidade dos chamados, composta daqueles que creem e estão sendo transformados segundo a imagem de Cristo .É o conjunto dos remidos que haverão de participar da perfeita santidade de Deus. Portanto, o ministério da igreja é a continuação do ministério do próprio Jesus Cristo.

Um organismo espiritual que tem Cristo por centro. (Romanos 8.29 – “Porque aqueles que já tinham sido escolhidos por Deus ele também separou a fim de se tornarem parecidos com o seu Filho. Ele fez isso para que o Filho fosse o primeiro entre muitos irmãos.”).

Deus criou o homem como um ser relacional, para conviver em família, em sociedade, e não  isolado. Dessa forma, creio que nenhum de nós tem condições de servir a Deus sozinho e sem ajuda de outros. Somos a família de Deus, estamos todos juntos, unidos uns aos outros e continuaremos assim por toda a eternidade. A Palavra de Deus nos diz que fomos ajuntados, remidos, juntamente edificados, juntamente tornados membros, juntamente feitos herdeiros, combinados, mantidos juntos, e que juntos seremos arrebatados , ou seja, nenhum de nós está por conta própria. Nosso relacionamento  com Deus é pessoal, mas não particular.

Para Paulo, ser um membro da Igreja de Cristo quer dizer que somos um órgão vital de um corpo vivo, uma parte indispensável e interligada a todo o corpo. Vamos entender isso melhor: a igreja é um corpo, não um edifício. Ela é um organismo, não uma organização.

Romanos 12.5 “assim também nós, embora sejamos muitos, somos um só corpo por estarmos unidos com Cristo. E todos estamos unidos uns com os outros como partes diferentes de um só corpo.”
Um órgão só pode cumprir com a sua missão se estiver ligado ao corpo. Da mesma maneira, cada um de nós tem a sua função específica nesse corpo chamado Igreja, e isso nos deixa clara a importância que existe no relacionamento uns com os outros
Romanos 12 – 4.5   “Porque, assim como em um só corpo temos muitas partes, e todas elas têm funções diferentes 2.5   assim também nós, embora sejamos muitos, somos um só corpo por estarmos unidos com Cristo. E todos estamos unidos uns com os outros como partes diferentes de um só corpo.”    

Se algum órgão é separado desse corpo, ele murcha e morre. Da mesma forma, se um de nós for desligado da igreja local nossa vida espiritual também murcha e morre. E aí, podemos dizer com toda a certeza,  que quando alguém  começa a faltar aos cultos e trabalhos da igreja, também começa a declinar espiritualmente. E, quando um de nós se torna descuidado, todo o organismo sofre com isso.

A igreja é o plano de Deus para o mundo. Jesus disse em Mt 16.18 ... “Portanto, eu lhe digo: você é Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e nem a morte poderá vencê-la.” Isso quer dizer que a igreja é indestrutível, existirá eternamente, sobreviverá para sempre. E ainda tem gente que diz “Eu não preciso de igreja”, que não acha a igreja importante, que se esquece que ela é tão importante que Jesus morreu por ela, na cruz  Efésios 5.25 ...” Marido, ame a sua esposa, assim como Cristo amou a Igreja e deu a sua vida por ela”. Como alguém poderia amar a Jesus e desprezar a sua igreja? A igreja que é chamada de ‘noiva’ de Cristo’, de ‘ corpo de Cristo’ ?

A importância da igreja, fica ainda mais destacada quando lemos o texto de Efésios 2.19, onde Paulo diz que “Portanto, vocês, os não-judeus, não são mais estrangeiros nem visitantes. Agora vocês são cidadãos que pertencem ao povo de Deus e são membros da família dele.” Aqui, fica claro que a igreja é a família de Deus!

Família, compreende comprometimento, cuidado. Como posso afirmar que sou um seguidor de Cristo se não sou comprometido com outros discípulos? Jesus disse em João 13.35 , “Se tiverem amor uns pelos outros, todos saberão que vocês são meus discípulos”. E esse é o grande testemunho que levamos ao mundo, justamente quando nos reunimos, pessoas diferentes, com diferentes formações, status social, raça, quando todos nos reunimos em amor, como uma família na igreja , como membros de um mesmo corpo, como em Gálatas 3.28 “ Desse modo não existe diferença entre judeus e não-judeus, entre escravos e pessoas livres, entre homens e mulheres: todos vocês são um só por estarem unidos com Cristo Jesus”. Na igreja somos todos iguais, independentemente de formação escolar e posse de recursos financeiros ou patrimoniais.

Juntos, e não separados, somos o corpo de Jesus. A igreja local é o lugar aonde aprendemos a nos relacionar com a família de Deus. É onde aprendemos a nos interessarmos pelos outros, a partilhar as suas experiências, é pelo contato com crentes imperfeitos que aprendemos o verdadeiro companheirismo, aprendemos a sermos unidos e a dependermos uns dos outros. Na igreja devemos nos importar com a alegria ou com a tristeza do outro.

Lemos lá em 1 Coríntios 12.25”‘...Desse modo não existe divisão no corpo, mas todas as suas partes têm o mesmo interesse umas pelas outras.” Nosso compromisso com Jesus deve ser semelhante ao que devemos ter uns com os outros. Deus espera que nós entreguemos nossas vidas uns pelos outros, como dito em 1 João 3.16 “Sabemos o que é o amor por causa disto: Cristo deu a sua vida por nós. Por isso nós também devemos dar a nossa vida pelos nossos irmãos”.  É isso que Jesus espera de nós, que amemos aos outros da mesma forma com que Ele nos ama. Em diversos textos no NT, em mais de 50, vemos as expressões ‘  uns com os outros’, ‘entre si ’. Somos ordenados a amar uns aos outros, a servir uns aos outros, a orar uns pelos outros, a saudar uns aos outros, a carregar os fardos uns dos outros, a perdoar uns aos outros e por aí vai.

 É isso que Deus quer de nós! São essas as responsabilidades com a nossa família em Cristo ! Nosso crescimento espiritual é maior  e mais rápido quando aprendemos uns com os outros, quando nos responsabilizamos uns pelos outros.

A Bíblia diz em 1 Coríntios 12 ,7 que “Para o bem de todos, Deus dá a cada um alguma prova da presença do Espírito Santo”,  ou seja, que cada um de nós recebe dons espirituais para que possa desenvolver na sua igreja local o seu ministério, para que você possa participar ativamente do desenvolvimento espiritual da Igreja de Jesus.

Portanto,  a igreja é instrumento de Deus na terra, aonde devemos dar o testemunho do nosso amor  para o resto da humanidade. Deus trabalha no mundo através de nós! E cada um tem uma contribuição a dar .
Efésiso2.10 “ Pois foi Deus quem nos fez o que somos agora; em nossa união com Cristo Jesus, ele nos criou para que fizéssemos as boas obras que ele já havia preparado para nós”.

Uma parte importante desse trabalho é o cuidado com os outros. Somos chamados e ordenados a nos envolver na vida uns dos outros , principalmente daqueles que estão enfraquecidos espiritualmente ou em pecado, é nosso trabalho ir atrás delas e traze-los de volta . Há dois textos que exprimem isso com clareza: o primeiro, Hebreus 3.13 ,”Pelo contrário, enquanto esse “hoje” de que falam as Escrituras Sagradas se aplicar a nós, animem uns aos outros, a fim de que nenhum de vocês se deixe enganar pelo pecado, nem endureça o seu coração. “.

O segundo, é Tiago  5.19 – 20 , “Meus irmãos, se algum de vocês se desviar da verdade, e outro o fizer voltar para o bom caminho,  lembrem disto: quem fizer um pecador voltar do seu mau caminho salvará da morte esse pecador e fará com que muitos pecados sejam perdoados”.      
       
Deus quer que vivamos juntos. Isso é chamado de ‘ comunhão’ , ou seja, ter vida em comum, é amar, compartilhar, servir às necessidades práticas, ser generoso, dar de si próprio, consolar,  seguir as orientações bíblicas sobre os cuidados com o próximo.

Para que exista essa comunhão autêntica, são necessárias três atitudes básicas:
-A comunhão autêntica se tem quando as pessoas são verdadeiras sobre si mesmas, quando elas dividem as suas mágoas, seus sentimentos, confessam seus erros, admitem sua fraqueza, pedem oração. É sermos francos, honestos. Humildes!! Como Jesus nos ensina.

-A comunhão autêntica se tem quando encontramos a compaixão, quer dizer, entender e partilhar a dor dos outros, sofrer junto.

Todos temos a necessidade de sermos compreendidos, de termos nossos sentimentos confirmados.  Todos nós precisamos de alguém que nos ajude a carregarmos nossos fardos. É sermos disponíveis no momento de aflição . Como escrito em Gálatas 6.2 “Ajudem uns aos outros e assim vocês estarão obedecendo à lei de Cristo.”

-Principalmente, na comunhão autêntica deve existir a misericórdia onde os erros dos outros não são lembrados, mas perdoados e apagados. Todos nós tropeçamos, caímos e precisamos de ajuda para voltar ao caminho. Precisamos oferecer perdão uns aos outros, e precisamos receber perdão.
2Coríntios 2- 7,8  “Agora vocês devem perdoá-lo e animá-lo para que ele não fique tão triste, que acabe caindo no desespero. Por isso peço que façam com que ele tenha a certeza de que vocês o amam.”         

Ninguém pode ter comunhão se não houver o perdão, porque a mágoa, o ressentimento destroem a comunhão. Como somos imperfeitos e pecadores sempre acabamos magoando alguém sem querer ou mesmo intencionalmente, quando ficamos juntos por algum tempo.

 A Bíblia diz em Colossenses 3.13 , “Não fiquem irritados uns com os outros e perdoem uns aos outros, caso alguém tenha alguma queixa contra outra pessoa. Assim como o Senhor perdoou vocês, perdoem uns aos outros”. A misericórdia de Deus conosco, sempre pronto a perdoar nossas falhas e pecados deve ser um estímulo para que tenhamos misericórdia com os que por algum motivo nos magoaram.

A igreja é uma comunidade extraordinária. Ela é a mais inclusiva das comunidades. A igreja é um lugar onde enfermos são recebidos como iguais, onde pecadores são recebidos como iguais. Na igreja só não cabem pessoas perfeitas, mas é o lugar de pessoas imperfeitas a caminho da transformação.

É na igreja que iniciamos nosso processo de santificação que é a marca visível na vida da igreja de Jesus. Santidade é buscar-se a semelhança de Jesus, quando passamos a viver de acordo com o caráter de Deus, quando estamos no meio da massa (que é o mundo), como fermento, levedando, transformando essa massa através do nosso testemunho de vida , com a direção que recebemos do Espírito  Santo.  
        
Igreja é local de transformação de vidas!

Quando Deus nos criou à Sua imagem e semelhança, o Seu propósito era o de criar filhos semelhantes a Ele, e é isso que o Senhor espera de nós, que sejamos crentes fiéis até a morte, e propósito de Deus sempre se cumpre.
Josué 3.5: “Disse Josué ao povo: Santificai-vos, porque amanhã o SENHOR fará maravilhas no meio de vós”.

Fernando Marin

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Manhãs Azuis



Manhãs Azuis



Sempre ouvi que o outono tem como características os tons amarelados e marrons. Tempo de introspecção, período em que as árvores se preparam para enfrentar o inverno, é isso que aprendemos nas escolas. As pessoas tendem a ficar deprimidas. As folhas caindo nos faz pensar que as árvores estão enfraquecendo, envelhecendo,  mas isso não é verdade, elas só estão se preparando para um período de renovação, ela se desfaz de suas folhas para poupar energia durante o inverno, para na primavera nos surpreender com todo seu verdor. É difícil acontecer o novo se não nos desfazemos daquilo que nos enfraquece.

Nossa vida é muito parecida com as estações. Nem sempre estamos em sincronia cronologicamente falando, mas é certo que as vivenciamos todas, e várias vezes durante nossa vida. 

Às vezes, quero somente o calor do verão, mas esqueço que os dias quentes, são sempre acompanhados de muitas nuvens. Gosto muito do frio do inverno, e assim como as árvores, tempo de guardar energia, tempo propício para adormecer e enquanto durmo não quer dizer que nada acontece, pelo contrário, está tudo em ebulição. A primavera é a mais querida dos apaixonados, tempo de reprodução, tudo é mais colorido e atraente.

O outono fica meio esquecido nos extremos das outras estações. Mas hoje fiquei pensando sobre sua beleza e me descobri sua amante, quando pela manhã abri a janela do meu quarto e me surpreendi com o azul do céu. Ele estava inebriantemente azul, da minha janela não avistei nenhuma nuvem, apenas uma imensidão azul. 

E que azul!!! Senti vontade de mergulhar, e me lembrei dos dias de criança quando queria ser passarinho. E apesar do ar frio que entrava pela janela, senti meu coração aquecido. 

E percebi que o outono tem sim a melancolia das folhas caindo, mas também a clareza das manhãs azuis.

Cristina Moreira

sábado, 14 de julho de 2012

Lugar de Cristão





Quando lemos a Bíblia, observamos uma série de versículos que dizem respeito à interferência do próprio Deus na administração e na política . Mesmo assim, ainda há muitos cristãos avessos à participação nos governos e nas próprias eleições, alegando que a política não é lugar para pessoas como nós, ‘separadas do mundo’, e sim para aqueles que não conhecem a Cristo.

Um grande engano.

Este é um ano eleitoral, quando escolheremos, a partir do nosso voto, nossos representantes no legislativo municipal e na administração dos nossos municípios.

Como pude falar em público, há poucos dias, há dois caminhos que podemos tomar na política: o primeiro, e mais cômodo, é justamente o que a maioria procura, o de se calar e, depois, reclamar, criticar, apontar as falhas e erros dos políticos, ou seja,  manter-se de fora, alegando que a participação na política não é para cristãos.

Já o segundo, é, justamente, se engajar em um movimento sério, que vise o bem estar da população e que busque a mudança, as transformações que tanto almejamos para as causas sociais no nosso País.

Quando lemos a Bíblia, encontramos uma série de versículos que deixam clara a mensagem da interferência divina na administração e governo, como, por exemplo, ,Provérbios 8.16 (Por meu intermédio, governam os príncipes, os nobres e todos os juízes da terra) e Romanos 13.1 (   Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas). Há, ainda, um bem conhecido, palavras do próprio Jesus Cristo, Mateus 22.21 (Então, lhes disse: Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.).

Além desses, há muitos outros que nos deixam clara a interferência do próprio Deus na política, o que nos leva a uma reflexão:  qual seria a melhor maneira de podermos fazer algo que venha de encontro à Sua vontade,  em prol da melhoria da qualidade de vida da população, notadamente a mais pobre, sofrida, sacrificada, aquela que não dispõe de atendimento médico adequado, escolas, saneamento, etc .?  Enfim, o que poderíamos fazer, como cristãos, para trazer maiores benefícios e uma vida digna às pessoas?

Segundo pesquisa divulgada recentemente pelo IBGE, a grande maioria do povo brasileiro é constituída por cristãos ( evangélicos e católicos). Se ,pelo menos uma boa parte dessa massa se engajasse em prol de mudanças efetivas, com certeza, faria a diferença em qualquer eleição. Juntos e unidos, poderíamos trabalhar em prol das tão sonhadas mudanças que o nosso povo tanto almeja.

Por que não participar mais ativamente da administração pública? Será que nos contaminaríamos com as mazelas, ou, com o nosso testemunho conseguiríamos modificar tantas atitudes e conceitos duvidosos que hoje observamos no meio político?

Creio que o lugar do cristão neste mundo é ao lado dos que sofrem, dos miseráveis, dos famintos, dos enfermos. Foi o que o nosso Mestre, Jesus Cristo, nos ensinou. Durante o seu ministério aqui, foi onde Ele esteve por todo o tempo, ao lado dos que mais precisavam de ajuda, fosse ela espiritual ou material.

É nosso dever propagar, por todos os lugares, tudo aquilo que Cristo nos ensinou e ordenou que espalhássemos. Quando nos isolamos e deixamos de fazer isso, com certeza, estamos pecando. Quando permitimos que o errado, o mal, triunfe, de alguma maneira e em algum lugar, temos responsabilidade direta nisso.

A nossa omissão, pode ceifar muitas vidas! Quando nos alijamos do processo político, damos espaço para aqueles que sugam o dinheiro público, que cometem toda sorte de atos danosos ao patrimônio da nação, criamos condições para os oportunistas que estão à espreita, aguardando pela sua vez de se locupletar com o que é de todos.

Sim lugar de cristão é em todo lugar, inclusive na política.

Fernando Marin

sábado, 7 de julho de 2012

Palavras

Quem conhece a Cristina Moreira, sabe da sua sensibilidade e da sua facilidade em transferir o que sente em seu coração para o papel. Sabe, ainda, que ela não é pessoa de muitas palavras, é quieta, gosta de ouvir. Mas, sempre tem muita coisa a dizer.


                                                     


Creio que esta é uma das suas poesias que melhor expressam a sua maneira simples  de ser.

PALAVRAS

Tenho muitas palavras dentro de mim,
mas quando delas preciso
da minha boca elas se escondem.
Eu as procuro por ruas escuras,
mas elas sempre escoam,
não entendo o porque
Mas, se diante do papel me ponho...
Com as linhas elas mostram intimidade.
Me aborreço com elas quando não as encontro.
Mas, se diante do papel me ponho...
Tenho tempo para com elas brincar.
E pelas ruas escuras sou capaz de alcançar.
Sou amiga das palavras escritas,
porque as faladas, não sei por que?
De mim se escondem.
Mas, se diante do papel me ponho...
Me chamam pra comigo dançar.
Queria que da minha voz
amigas elas fossem,
mas elas só me conhecem,
Se diante do papel me ponho...

Cristina Moreira

terça-feira, 3 de julho de 2012

Cristianismo ?




Cristianismo?

                   
                                                                                          Fernando Marin


Li muitas coisas interessantes, na última semana, desde as pesquisas sobre o aumento do número de evangélicos no Brasil, até um excelente artigo do Rev. José do Carmo, que falava sobre a questão de bebidas ou não, na vida do crente.

Claro que os dois assuntos tem relação, ou não?

O grande aumento do número de evangélicos no País, trouxe à baila uma outra questão, a pulverização de denominações, onde cada uma tem as suas próprias doutrinas e costumes, esses nem sempre espelhados nos padrões bíblicos, mas, criados pela liderança daquela igreja específica, o que nos deixa, muitas vezes, em dúvidas quanto à sua posição teológica (se correta ou não). É difícil de contar quantas perguntas a que tenho respondido  acerca dessa questão. Isso, sem contar com os fatos  no mínimo, estranhos, de que tenho tomado conhecimento. Um, por exemplo, de um pastor batista que foi convidado a pregar em um culto jovem, em uma outra igreja batista, e, ao lá chegar, foi chamado ao gabinete pastoral e convidado a barbear-se, já que o pastor daquela igreja não concorda que pessoas que usem barba preguem. Ou aquela de um outro pastor amigo, um mestre em Ciências da Religião, que ao chegar com a sua esposa a uma igreja onde iria pregar, passou pelo constrangimento de ter que aceitar um vestido emprestado para a esposa, porque ela trajava calças compridas – naquele templo, as mulheres devem usar vestidos ou saias.

Conheço outras pérolas, há uma igreja onde os irmãos, nas reuniões de oração, devem compartilhar os seus pecados com os outros (todos eles).  Outro caso que me foi contado, uma igreja, onde um casal amigo foi impedido de participar de uma reunião de treinamento por não serem legalmente casados, mas, onde eram obrigados a entregarem o seu dízimo.

Há de tudo, hoje. Em muitos casos, o que vemos é a continuidade do legalismo, disfarçado de cristianismo. Não é raro encontrarmos igrejas onde se ensina a obrigatoriedade do batismo para a salvação, ou, onde se prega a necessidade de ser membro da igreja para receber a vida eterna. Outras, ainda, pregam a salvação pela fé, mas , conservada pelas obras. Outras , ainda, insistem na questão do vestuário, de costumes e regras estranhas, de réplicas do templo de Jerusalém, e por aí vai.

Tudo isso não seria judaísmo trazido para o cristianismo?

Na verdade, Jesus nos ensinou que somos salvos pela fé, não pelas obras, e nem pela fé associada à elas, mas, apenas e tão somente pela fé em Cristo, como o Filho de Deus, Senhor e Salvador. Esse é o único requisito para que alcancemos a salvação, ela nos é dada pela Graça.

Tiago nos dá uma boa explicação, para a questão das obras, quando diz que elas são provenientes da nossa fé, ou seja, as boas obras não são a raiz da salvação, mas, os seus frutos. A fé nos conduz à Salvação e esta resulta nas boas obras.

Na verdade, o cristianismo se resume no cumprimento dos dois mandamentos deixados por Jesus: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.

Essa é a regra da conduta cristã, que substitui toda a Lei do AT. Quando depositamos nosso amor em Deus, em louvor e adoração, e ao próximo, nos tornamos imitadores de Cristo, passamos a viver como Ele viveu e crescemos como pessoas. Qualquer coisa além disso, é apenas obra de homens que desejam se sobrepor à Palavra, criando suas próprias normas e regras, intencionando subjugar aos demais e mantê-los sob um domínio em busca de uma posição de superioridade, o que, convenhamos, não se coaduna com os Evangelhos. 

Fernando Marin