terça-feira, 26 de março de 2013

Alimentação nos tempos bíblicos - o pão de trigo integral








Alimentação nos tempos bíblicos; o preparo do pão integral de trigo


                                                                                                     Por: Fernando Marin



  Comer e beber representavam uma luta diária para o povo de Israel, cuja dieta era baseada no pão e incluía petiscos exóticos, como o gafanhoto.

 Tanto o Novo como o Antigo Testamento falam com freqüência sobre a alimentação do povo de Israel. Jesus, em suas parábolas, se referiu várias vezes ao ato de comer e beber e também aos costumes à mesa. Desde o milagre de multiplicação dos pães e dos peixes à última ceia, o alimento é lembrado durante toda a passagem do Filho de Deus pela Terra.

 Sabe-se que, nos tempos bíblicos, a fome era uma realidade para a maioria do povo. A vida era muito difícil, havia escassez de água e comida - o clima na Palestina sempre foi impiedoso, e suas terras, pouco férteis. É daí, com certeza, que vem a grande importância dada à alimentação nos textos da Bíblia.

 O pão era o alimento principal naquele tempo. "Comer pão", em hebraico antigo, quer dizer o mesmo que "fazer uma refeição". O pão de cevada (João 6.9) era o mais consumido, não porque fosse mais apreciado do que o de trigo, e sim por ser mais barato. 

 Mas, o trigo também era utilizado.Para se fazer a farinha, primeiro "separava-se o joio do trigo". Os grãos eram abanados numa peneira grande e grossa: assim se eliminavam os de pior qualidade, as sementes venenosas (como o joio) e as ervas daninhas. Depois, os grãos eram moídos, esmagando-os entre duas pedras, uma por cima e outra por baixo. pronta a farinha, preparava-se a massa, juntando água, sal e fermento (não se punha este último ingrediente quando se tratava de pães para fins religiosos).

 Quem introduziu o uso do fermento na massa, foram os egípcios, e ele foi descoberto por acaso, quando fermento silvestre caiu sobre a massa antes de ser levada ao forno. Daí, descobriu-se que  um pouco de massa fermentada  poderia  iniciar o processo de fermentação na próxima massa a ser preparada, e, por isso, um pouco de pão fermentado era sempre guardado para isso.

 Por fim, os pães, já trabalhados em forma redonda, eram postos para assar em fornos rústicos, grandes vasos de barro emborcados sobre fogueiras.

 Quem quiser experimentar um pão como aqueles que eram preparados nos tempos de Jesus, pode seguir a receita:

Pão de trigo integral fino - Ingredientes:
1 xícara de leite morno;
1 xícara de água morna;
1 xícara de óleo vegetal;
50 g de fermento de padaria;
1 colher de sobremesa de sal;
2 colheres de sopa de mel ou 3 colheres de sopa de açúcar mascavo;
3 ovos;
½ kg de farinha de trigo integral + ½ kg de farinha de trigo branca.

Preparo:
1 - Coloque o fermento numa tigela e dissolva-o na água e no leite misturados;
2 - Acrescente o mel (ou o açúcar), o sal, o óleo e os ovos batidos;
3 - Junte as farinhas aos poucos até dar o ponto de sovar. Se necessário, acrescente mais trigo comum;
4 - Sove bastante e deixe crescer até dobrar de volume, cobrindo com um pano de prato;
5 - Faça bolinhas com a massa e coloque numa assadeira untada, deixando crescer por mais 1/2 hora;
6 - Leve ao forno pré-aquecido a 180 graus para assar até dourar e ficar sequinho dos lados.

Excelente para acompanhar lanches!

Fernando Marin

Fontes:
CHAMPLIN, R.N., Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, São Paulo, Hagnos, 7ª edição, 2004.
KATER, Alaice Marioto. Culinária nos Tempos de Jesus, Editora EBF

quarta-feira, 20 de março de 2013

Um desafio para 2013






                                                                                       Por: Fernando Marin


   Desde 2011, a cada dia 11 de janeiro, muitas pessoas vão relembrar aquela que foi  considerada como a pior tragédia que já se abateu sobre o Brasil.    No meio da noite, sem aviso, uma chuva de magnitude nunca antes vista, atingiu partes da serra fluminense. Em poucos minutos, córregos tranquilos se transformaram em turbilhões de água, que tragavam tudo por onde passavam.

   Naquela noite, as pessoas foram dormir como em todas as outras noites, cansadas, ou fazendo planos para o dia seguinte, ninguém esperava por toda aquela situação. E , muitas delas morreram. Foram mais de mil, se contarmos as mais de duzentas cujos corpos nunca foram encontrados – e nem serão.

   Sei que muitos podem questionar sobre o que a teologia tem a ver com isso. Aliás, eu já me fiz várias vezes essa mesma pergunta e, por isso, essa tentativa de se colocar em palavras o sentimento que, desde a época, me invadiu.

   Hoje, passada a fase do socorro às vítimas, começamos a perceber o somatório de situações que levou a aquela tragédia toda. Depois de estudos, inspeções, reuniões, a conclusão é a de que faltaram ações públicas para evitar a morte daquelas pessoas.

   Isso mesmo, a omissão do poder público, acabou por causar tantas mortes, ferimentos, sofrimentos, perdas materiais, a simples ação de não agir, acabou por causar tudo aquilo. Estupefatos, vimos, ainda, o afastamento dos prefeitos de duas das cidades atingidas , afastamentos esse que se deram por má gestão dos recursos financeiros enviados para o socorro às vítimas.

   Porém, dois anos depois, quando esperávamos que as ações propostas pelos técnicos aliados às ações físicas das prefeituras  tivessem bons resultados, vemos mais 33 mortes, dessa vez em Petrópolis, depois de uma noite de chuva forte.

   A partir desse fato, é que podemos verificar que nada do que foi proposto foi efetivamente realizado. Sim, é verdade, colocaram sirenes, que tocam quando há chuvas fortes, que podem causar deslizamentos de terra, criaram rotinas para que os moradores das áreas de risco abandonassem suas casas e se abrigassem em locais apropriados. Mas, foi só.

   Afinal de contas, o que está acontecendo com o ser humano?

   Quem, como eu, conhece as regiões atingidas, sabe bem que toda essa tragédia era anunciada há anos. Há décadas, os municípios – e o estado – vem permitindo, ou melhor, se omitindo para proibir construções de imóveis em áreas de risco, muitas nos morros, outras, ainda, nas beiras – ou pior – dentro da calha dos rios que cortam a região, simplesmente ignorando todas as leis de controle ambiental, visando apenas e tão somente a ‘simpatia’ daquelas pessoas, simpatia essa que acaba se transformando em votos. Ou em cadáveres.

   Nem só os pobres foram afligidos. No local denominado como Vale do Cuiabá, por exemplo, diversas pousadas e hotéis de bom padrão, haras, mansões, tudo foi tragado por um pequeno rio enfurecido pelas águas , ceifando a vida de muitos, apenas porque alguém se omitiu e permitiu aquelas construções ali.

   Isso tudo me lembra o texto bíblico de Lucas 12, onde Jesus conta a história de um fazendeiro que teve uma abundante colheita e que, no intuito de enriquecer ainda mais, mandou derrubar seus celeiros e construir outros maiores, para armazenar tudo o que colhera, já que pensava em viver dos lucros daquela grande colheita. Não, o fazendeiro não pensou em distribuir parte daqueles alimentos todos para os pobres. Quis juntar ainda mais, sem saber que morreria naquela mesma noite. Muitos hoje, na ânsia de enriquecer ou de levar alguma vantagem, fecham os olhos para as leis, para tudo o que possa a vir a se colocar no caminho da sua ambição, isso sem o menor constrangimento, sem qualquer preocupação com as consequências dos seus atos. Nesse momento, por exemplo, enquanto escrevo este artigo, árvores centenárias estão sendo abatidas na amazonia, barrancos estão sendo escavados para a construção de casas, rios estão sendo assoreados por ignorância da obrigação de se manterem as matas ciliares, barracos estão sendo construídos em locais de risco, e por aí vai.

   Onde vamos parar? Será que a vida humana perdeu totalmente o seu valor? Será que os políticos e administradores públicos que se omitiram na tragédia da região serrana do Rio conseguem dormir tranquilos, sem qualquer problema de consciência? Mesmo com essas novas mortes?

   Não tenho resposta para essa pergunta, mas, também me sinto um dos culpados. Quando nós, cristãos, deixamos de cumprir com a nossa parte, pessoas podem morrer. Quando permitimos que as leis sejam simplesmente ignoradas, quando dizemos que não temos nada a ver com isso, quando falamos que temos de orar pelos outros, mas não tomamos atitudes, pessoas podem morrer. Não me refiro apenas ao caso que abordamos aqui, mas em relação a diversas áreas da vida.

   Se , na qualidade de cristãos, fizéssemos com mais empenho o trabalho que Jesus nos designou, com certeza, o mundo seria melhor. Se gastássemos mais nosso tempo pregando o evangelho, levando mais pessoas a Cristo, muitas mortes poderiam ser evitadas, já que o conhecimento da Palavra traz Salvação e transformação.

   Quando preferimos descansar a trabalhar mais pelo Reino de Deus, pessoas ficam entregues à própria sorte, sem direção, sem esperanças, sem expectativas de uma vida melhor, deixam de conhecer a vida com abundância pregada pelo Mestre.

   Que tal uma grande mudança daqui para frente? Que tal nos determinarmos a partir para a práxis, deixar um pouco de lado o banco da igreja e seguir para as ruas, bairros pobres, levando conhecimento, paz, esperança? Cobrar mais dos políticos que cumpram com as suas obrigações, fiscalizar melhor o cumprimento das leis,  seriedade na aplicação dos recursos públicos?

   Que tal salvarmos almas e vidas? Fica aí o desafio,.

  Fernando Marin          

Atualizado e republicado.

sábado, 2 de março de 2013

Separados do Mundo?







Separados do mundo?

                                                                                               Por: Fernando Marin


"É triste reconhecer que grande parte da nossa vida cristã fundamenta-se na negação. "Somos de Cristo"e por issso "não fazemos, não participamos, não escutamos, não estamos..."
Quem sabe, essa tal abstinência e isolamento deveriam ser subsitituídos por uma prática presencial e transformadora. Somos de Deus; e por tal razão fazemos, participamos, escutamos, falamos e vivemos.."


Sergio Andrade



   Há algum tempo atrás, me deparei com uma imagem , publicada em uma rede social, conclamando as pessoas a fazerem 1 minuto de silêncio em prol das vítimas da fome em todo o mundo. As imagens eram fortes , e me sensibilizei, compartilhei o link com amigos, ou seja, espalhei aquele pedido para que muitos outros tomassem conhecimento desse fato e que as suas consciências fossem mobilizadas para uma ação que pudesse, de alguma maneira, vir a colaborar com essas pessoas atingidas pela miséria que assola muitos países do nosso planeta.

   Alguns minutos depois, verifiquei que haviam uma série de comentários à convocação e, ao lê-los, confesso que me escandalizei. Várias pessoas condenavam  a publicação, muitas delas cristãs, sob a alegação de que fazer silêncio não mata a fome de ninguém, e que essa seria uma iniciativa inútil.  

   Cheguei a imaginar que o errado era eu, que não faço muito pela erradicação da miséria no mundo, porém logo depois me perguntei o que aquelas pessoas todas estariam fazendo em prol da erradicação da fome para que condenassem como inócua essa iniciativa?

   Argumentei que toda iniciativa é válida para se chamar a atenção para uma questão social, já que isso desperta a discussão e através da discussão se chega à ação, e a ação gera a solução. Afinal nosso método teológico latino-americano é baseado no ver-julgar-agir , mas constatei que alguns chegaram a se irar, mantendo a sua posição.

   Me pergunto, em que tipo de sociedade vivemos hoje, que se nega a enxergar as mazelas do mundo? Mais ainda, que tipo de igreja vivenciamos, já que poucas iniciativas  são tomadas com vistas a atender às necessidades das pessoas? Me preocupo com a indiferença de grande parte dos cristãos em relação ao que existe à sua volta, como se realmente fossemos separados deste mundo. Somos separados  espiritualmente, mas vivemos aqui.

   É verdade, às vezes pensamos que muito pouco podemos fazer para alimentar multidões.

   Mas, quando recorremos à Bíblia, descobrimos que havia um grupo que também não acreditava que isso fosse possível. No evangelho de João, capítulo 6, lemos que Jesus, ao constatar o tamanho da multidão que o cercava, perguntou a Filipe como eles poderiam alimentar tanta gente, testando ao seu discípulo. A resposta foi dentro do esperado, Filipe argumentou com o Mestre que precisariam de muitas moedas de prata para isso. André também duvidou da capacidade que teriam de alimentar tanta gente, e argumentou que ali havia um jovem que possuía 5 pães de cevada e dois peixinhos. O que seria isso para tanta gente?

   Porém , Jesus operou o milagre, e aquela pequena quantidade de alimento foi suficiente para todos, mais ainda, o texto nos diz que ainda houve grande sobra.

   Trazendo para os dias de hoje, creio que o grande milagre que poderíamos ver operado seria a união de todos, fomentada pelo amor ao próximo, para iniciativas de porte que pudessem realmente ser efetivas para modificar , não só essa situação, como outras também que esperam pelos nossos esforços e soluções.

  A união de igrejas, denominações e corações, atendendo ao chamado de Jesus no Grande Mandamento expresso em Mateus 22.39 “Ame os outros como você ama a você mesmo.”, seria capaz de mobilizar milhões de pessoas – só no Brasil – numa luta em prol dos desfavorecidos sociais, com certeza com resultados efetivos.

   Juntos e unidos, formaríamos uma grande e poderosa onda , uma onda de amor, que contagiaria a muitos outros e que seria capaz de mostrar ao mundo  que só Jesus Cristo é capaz de unir forças para o exercício do bem.

   Por que não?

Fernando Marin

Atualizado e repubicado