quarta-feira, 5 de junho de 2013

Semana do Meio Ambiente: compromisso de fé X sistema predatório







Dia do Meio Ambiente, época para muitas reflexões, afinal, o que estamos fazendo para preservar a natureza, criação perfeita de Deus? 

Quando lemos a Bíblia, no livro de Gênesis, capítulo 2, verso 15 ( " Então o SENHOR Deus pôs o homem no jardim do Éden, para cuidar dele e nele fazer plantações"), constatamos que o Criador nos nomeou como "jardineiros" da natureza. No entanto, a ganância humana, em certos aspectos quase que sem limites, e em nome de um pretenso desenvolvimento, vem há séculos degradando o meio ambiente, degradação essa que já vem causando mudanças climáticas importantes e danosas às pessoas, com previsão de agravamento da situação no futuro, caso o ser humano não mude radicalmente de atitudes já.

Estava a ponto de colocar no papel as minhas reflexões quando me deparei com esse artigo de autoria de Suzel Tunes, publicado no site da Faculdade de Teologia da Universidade Metodista de São Paulo, onde sua autora coloca muito bem a importância do envolvimento da igreja na questão ambiental, como maneira de cuidar da criação e das criaturas, num cumprimento das nossas responsabilidades cristãs.

Por isso, decidi transcrever o artigo, excelente na minha opinião. Concorda?

Fernando Marin



Semana do Meio Ambiente: compromisso de fé X sistema predatório


A Terra é do Senhor e tudo o que nela há” (Salmo 24:1)

O dia 5 de Junho é o Dia Mundial do Meio Ambiente, oportunidade de refletir sobre a responsabilidade cristã diante da Criação.


Durante vários anos, ecologia e sustentabilidade foram palavras associadas a uma parcela muito pequena da população. Quem falava em “meio ambiente” seria uma elite privilegiada que, tendo conquistado o básico para sua sobrevivência, podia se dar ao luxo de discutir temas supérfluos, enquanto degustava sua salada orgânica. Afinal, em um país onde ainda existem bolsões de fome e miséria, quem se importa com a caça às baleias ou a matança das foquinhas? – só para citar um dos tantos comentários carregados de preconceito.

Foi no norte do país, entre o povo pobre dos seringais, que a mente brasileira começou a se abrir para a compreensão de que o ser humano depende da terra para viver, ser vivo que é, um dentre os demais espécimes de fauna e flora. Adotar uma política de sustentabilidade ambiental podia ser a diferença entre ter ou não comida no prato. Chico Mendes mobilizou o povo, ganhou projeção internacional, influenciou outras lideranças. Marina Silva chegou a ser considerada como alternativa política ao Poder Executivo e conquistou a simpatia do povo brasileiro, especialmente entre os que, a exemplo de Marina, professam a fé evangélica. Contudo, as questões ambientais, que, pouco a pouco começam a ser mais discutidas no país, ainda estão distantes do cotidiano das igrejas. 

Claro que há bons exemplos a serem seguidos. A Igreja Unida do Canadá é uma das que busca inserir a experiência da fé na vida cotidiana e, no contexto do país, tem assumido posições políticas a favor da pequena propriedade rural e apoiado projetos de agricultura sustentável. Ainda na década de 90 desenvolveu um projeto de horta orgânica destinada à alimentação de moradores de rua. Hoje, esse projeto ganhou dimensões ainda maiores, buscando envolver toda a comunidade local. O plantio de uma horta é não apenas uma experiência comunitária de aprendizado e sociabilidade, como uma alternativa real de alimentação mais saudável e barata para a população local. Dependendo da área plantada, pode ser um meio de sustento financeiro na zona rural, com a criação de cooperativas. No Brasil, a organização A Rocha busca conscientizar igrejas evangélicas para as questões ambientais (veja abaixo).
Penso nas igrejas brasileiras inseridas em áreas desmatadas, urbanas ou rurais, com risco de desabamentos e enchentes – onde já ocorreram tantas tragédias ambientais provocadas não pela vontade de Deus, mas pela ação humana. As igrejas tendem a responder com rapidez diante de desastres ambientais. Correm a levar roupas, alimentos, palavras de conforto. Poderiam, no entanto, fazer mais: poderiam ajudar na prevenção das tragédias.

Ações ambientais educativas podem salvar vidas. Que tal uma parceria com a Defesa Civil da Cidade, promovendo palestras e cursos? Como identificar uma área de risco? Como proteger um morro de inevitável desabamento, antes que as chuvas se intensifiquem? Ações cidadãs capitaneadas pelas igrejas também podem mudar a configuração de uma cidade.

A Igreja poderia (e deveria) ser a voz do povo na reivindicação de melhores condições sanitárias e estruturais. Criança com diarreia também é problema ambiental; previne-se com água tratada e maior responsabilidade no destino do lixo industrial e doméstico. Mas o sistema econômico predatório faz vítimas não apenas entre as pessoas mais carentes do país, que sofrem os efeitos da degradação do meio ambiente sobre seus próprios corpos. Pessoas de todas as classes sociais e idades (as crianças, muito especialmente) são vítimas de uma economia antiecológica que determina a busca da felicidade no fugaz prazer do consumo. Continuamente criam-se desejos materiais a serem atendidos, enquanto a teologia da prosperidade valida o acúmulo de bens como sinal da bênção divina. O resultado é uma perene insatisfação. Enquanto isso, a terra se consome e se degrada. E o Senhor da Criação certamente olha para tudo isso e vê que não é bom.
Suzel Tunes

Visualizado e extraído de http://www.metodista.br/fateo/noticias/semana-do-meio-ambiente , em 5 de junho de 2013

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