sábado, 12 de outubro de 2013

Ovelhas sem pastor – uma reflexão em Marcos 6.30-40



 
Ovelhas sem pastor – uma reflexão em Marcos 6.30-40
 
Por: Fernando Marin
 
 
 
 
 
 
O texto bíblico em questão nos relata uma passagem muito conhecida do ministério terreno de Jesus, quando Ele toma 5 pães e dois pequenos peixes e, com isso, dá de comer a uma multidão de cerca de 15 mil pessoas, se somados homens, mulheres e crianças. Esse fato ocorreu já no seu terceiro ano de ministério quando os apóstolos tinham acabado de voltar de Cafarnaum, da sua primeira missão de pregarem o Evangelho. Com certeza, eles estavam cansados, com fome, com os pés doloridos, já que naquela época as viagens eram feitas caminhando.
Como as pessoas viviam rodeando Jesus, o Mestre preferiu levá-los de barco até uma região mais sossegada, para que pudessem descansar um pouco. Porém, mesmo assim eles foram vistos e a multidão os seguiu e os cercou pelas margens, ou seja, não houve como ficarem a sós.
Diz o texto que quando Jesus viu aquelas pessoas compadeceu-se delas, quer dizer, sentiu amor por elas, porque pareciam um rebanho desgarrado , “ovelhas sem pastor”, pessoas que não sabiam para onde irem, a quem recorrerem, precisavam de alguém que os desse direção.
E passou a ensiná-las, a discipulá-las.
E já no final daquele dia, os discípulos chegam a Jesus e dizem: ” Mestre, é melhor despedir todo esse povo, para que eles saiam por aí e comprem comida, porque aqui onde estamos não há como comprar nada.”
Naquele momento, parece que aquelas pessoas se tornaram um incômodo para eles.
E para nós, será que as pessoas também são um incômodo ou são merecedoras do nosso amor e atenção?
Mas, Jesus, talvez para prová-los, respondeu: “por que vocês mesmos não dão comida a eles?”
E aí, a resposta foi aquela que nós  mesmos daríamos: como? Com que dinheiro? Nós não termos dinheiro para comprar comida para todo esse povo. Não, nós não temos como!
Era muita gente, cerca de 5 mil homens, fora mulheres e crianças. O que fazer?
Mas, Jesus não se abalou diante daquela dificuldade. Ele perguntou: “Quantos pães vocês tem?”
A resposta daria para desanimar a qualquer um , menos ao Mestre: “5 pães e dois peixes”.
Imagino a expressão daqueles homens naquele momento imaginando o que Jesus iria fazer com 5 pães e dois peixes para que pudessem alimentar todo aquele povo.
Será que acreditaram que seria possível? Será que olharam para Jesus desconfiados?
Porém, o filho de Deus não se abalou: mandou que dividissem toda aquela gente em grupos de 100 e de 50 e mandou que se sentassem. E, depois de dar graças, partiu aqueles pães e peixes e mandou que os apóstolos os distribuíssem pelo povo.
E diz o texto que todos comeram e ficaram satisfeitos! E, mais ainda: diz também que sobraram 12 cestos cheios de pão e peixe!
Essa passagem, muito mais do que simplesmente narrar um dos milagres de Jesus, pode nos ensinar outras coisas importantes.
Nós, como discípulos de Cristo, aprendemos que podemos e devemos servir ao Senhor sem preocupação com o nosso sustento. Se Ele pode alimentar toda aquela multidão ( talvez de 12 a 15 mil pessoas) com 5 pães e dois peixes, com certeza Ele também pode suprir todas as nossas necessidades.
Porém, há uma condição: trabalharmos para Ele sem nos preocuparmos de onde virá o sustento. Se buscarmos em primeiro lugar ao Reino de Deus, toda necessidade será suprida (Mateus 6.31-33).
Um outro ponto: Jesus trabalhou de maneira organizada , quando dividiu a multidão em grupos de 50 e de 100. Como Deus, Ele poderia ter feito de qualquer maneira que fosse, porém, com certeza, Ele quis deixar uma mensagem.
Todo trabalho deve ser feito de forma sistemática e organizada (eficácia e eficiência, qualidade total).
Mais um ponto que nos chama a atenção: Ele abençoou e partiu os pães e peixes. Sem a benção de Deus, nada daquilo seria útil. Inteiros, não seriam suficientes!
E aí podemos aprender que não nos damos livremente às pessoas porque não fomos partidos ou quebrados ( preparados, provados, esvaziados de nós mesmos).
Jesus também não distribui a comida, mas pediu que os discípulos o fizessem. Com isso, aprendemos que Jesus quer alimentar o Seu povo por meio do nosso trabalho!
Observamos, também, que houve comida suficiente para alimentar a todas aquelas pessoas. Isso quer dizer que se hoje todos os servos de Cristo colocassem o trabalho do Reino acima das necessidades pessoais, o mundo inteiro poderia ouvir a Palavra da Salvação, já que somos muitos milhões de cristãos apenas no Brasil.
Constatamos, também, que sobraram 12 cestos cheios de comida, ou seja, a sobra foi muito maior do que havia no começo.
Realmente, Deus é generoso!
Mas, há um detalhe: toda a sobra de comida foi guardada, nada foi desperdiçado. Desperdício é pecado! Seja de alimentos, de recursos naturais, de lixo reciclável.
E, o mais importante de tudo, nada disso teria acontecido se os discípulos realmente se dispusessem a descansar.
No versículo 31, vemos que Jesus reuniu os discípulos e os levou de barco para um lugar calmo, para que pudessem repousar.
Quantas vezes isso também acontece conosco? Paramos para descansar enquanto que as multidões estão por aí, perdidas, como ovelhas sem pastor!
Paramos para descansar enquanto as multidões estão por aí, famintas, não só de salvação, mas de alimento mesmo!
E os cristãos estão repousando!
Quanto a isso, o comentarista William Kelly diz que
Seria melhor para nós se precisássemos descansar mais dessa maneira; quer dizer, se nossos trabalhos fossem em quantidade excessiva, se nossos esforços de abnegação para com os outros fossem tão contínuos, então poderíamos ter a certeza de que essa seria a Palavra do Senhor para conosco.”
É mais que hora de refletirmos sobre a nossa posição frente às multidões que estão por aí, como ovelhas sem pastor.
Fernando Marin
 
 
 

4 comentários:

  1. Respostas
    1. Obrigado, Austri, você é meu grande incentivador!
      Abraço.

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  2. Muito bom texto!
    Resta-nos introjetar a mensagem e sobretudo, praticá-la.
    Muito me incomoda observar nas ruas, na vizinhança, na nossa própria família, pessoas seguindo a vida sem direção, como ovelhas indo para o matadouro, aliada a minha própria inércia ante a essa triste realidade, fundamentada na minha impotência: falta de recursos, estrutura ou disposição para lutar poer essas vidas.
    Valeu a chacoalhada!
    Abraços,
    Marcia salles

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    1. Marcia

      Acho que é esse mesmo o objetivo, uma 'chacoalhada'.
      Obrigado!

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