domingo, 3 de maio de 2015

Tentando Resgatar Maria... a Serva do Senhor, mas do jeito certo!


Tentando Resgatar Maria... a Serva do Senhor, mas do jeito certo!

  Há tempos não lia um texto tão sensato sobre a realidade acerca de Maria, mãe de Jesus. Não posso deixar de compartilhar com vocês, nesse que é o mês que os batistas dedicam à família, o comércio dedica às mães e os católicos à Maria.

  Texto produzido pelo Pr Barbosa Neto, um ex-padre , com bastante conhecimento e bom senso.

Fernando Marin



Tentando Resgatar Maria... a Serva do Senhor, mas do jeito certo!


 Pr Barbosa Neto


 Geralmente, a tradição católica romana tem separado maio, como o “Mês de Maria”. A Bendita Virgem, Maria de Nazaré, a mãe de Jesus, é a mais famosa de todas as mulheres da Bíblia – não tenhamos a menor sombra de dúvidas sobre isso. Para nós, cristãos evangélicos, ela é a mais famosa de todas as mulheres do mundo através da História.

 Seu privilégio é único, singular, incomparável. Ela foi nada menos que o vaso escolhido pelo Senhor Deus para realizar o grande milagre da encarnação do Verbo Eterno, que estava com Deus desde o princípio e era Deus (João 1.1.14). Além de não haver precedente, a encarnação do Filho Unigênito de Deus não se repete no transcurso das épocas ou na eternidade. “E o Verbo se fez carne”, de uma vez por todas e para sempre.

 É certo que, no maravilhoso cenário da história redentora, a atenção se concentra na pessoa do Cristo de Deus. Maria, porém, tem ali também um lugar de proeminência na história da salvação. Não desejamos passar por cima de sua pessoa nem permitir que sejam somente outros que lhe rendam tributo de admiração e respeito, se aproveitando do seu maravilhoso exemplo de submissão, obediência e profunda piedade.

 Poderíamos dizer, sem medo de errar, que Maria é patrimônio de todos nós que professamos ser cristãos, sejamos católicos romanos ou cristãos evangélicos. Se existe uma espécie de monopólio mariano é porque temos permitido isso por razões teológicas e, quem sabe, pelo temor de cair nos excessos que outros têm caído por sua devoção antibíblica a Maria, a serva do Senhor.  Como resultado do que podemos chamar de “apatia mariana”, muitos católicos romanos  pensam que não gostamos de Maria ou, no pior dos casos, que somos seu inimigo! Ledo engano! Nada está mais longe da verdade, mas esta é a atitude que não poucos creram ter percebido ou que alguns, maldosamente, nos têm atribuído. Temos que corrigir essas impressões falsas e responder a toda acusação falsa no testemunho cristológico e mariano das Sagradas Escrituras, tendo uma atitude respeitosa para com a mãe de Jesus, o nosso Divino Salvador.

 A mais linda história que já foi contada e, sem dúvida alguma, a do nascimento de Jesus e dos fatos que envolveram Maria, a mãe do Salvador. Visto como Deus a escolheu para ser a mãe de Jesus, temos a obrigação cristã de estimá-la, honrando-a como o padrão da maternidade. Ela não foi uma mulher qualquer. Maria foi uma mulher pura, santa, piedosa, virtuosa e humilde, até o sacrifício, ela foi a Mãe do Salvador, defendamos isso.  Ela conhecia bem as Sagradas Escrituras do Velho Testamento, daí a sua fé e a beleza do seu caráter de esposa e mãe.

 Isto posto, voltemo-nos para uma passagem do Evangelho de São Lucas (1.26-56) para nos encontrarmos de novo com a bendita Virgem, a autêntica Maria de Nazaré revelada pelo Espírito Santo através de seu servo, o médico, historiador e evangelista Lucas. Se ela, como discípula, imitou a Cristo, seu Filho especial, seu próprio Criador e Deus sobre si mesma, nós, como discípulos de Jesus, devemos fazer o mesmo.  Mas, para tal, torna-se imprescindível enxergar honestamente o que a Bíblia Sagrada afirma a seu respeito sobre os seus privilégios, as palavras que foram dirigidas a ela,  e o que ela afirma de si mesma.

 Maria teve o privilégio de se tornar a mãe de Jesus, daí porque sua prima Isabel, cheia do Espírito Santo, exclamou alegremente ao vê-la entrar em sua casa: “Bendito és tu ENTRE as mulheres, e bendito o FRUTO do teu ventre” (Lucas 1.42). Observem que Isabel, não chamou Maria de “bendita ACIMA de todas as mulheres”, porém apenas “bendita ENTRE as mulheres”. Porque “bendito” ACIMA de todos os homens existe apenas um, “o FRUTO” do ventre de Maria, ou seja, Jesus Cristo, Homem! Os dogmas é que modificaram o que nos diz as Sagradas Escrituras, e eis aí a nossa dificuldade em aceitar o que os religiosos católicos romanos passaram a proclamar sobre Maria, que não tem nenhum apoio nas Sagradas Escrituras.

 Meu espaço é diminuto para tratar de assunto tão sério, com riqueza de detalhes. Mas mesmo assim, deixem-me trazer o testemunho de um dos sacerdotes católico romano mais sério que conhecemos: Pe. José Fernandes de Oliveira, SCJ, o Padre Zezinho, conhecidíssimo também entre nós. Quem já não cantou algumas de suas canções, para seu deleite espiritual como “Um certo Galileu”, “Amar como Jesus amou”, “Estou pensando em Deus” e tantas outras? Ele escreveu algo muito sério sobre Maria em seu livro: “Maria do Jeito Certo – reflexões e entrevistas”, sobre os limites de Maria, obra esta que surpreendeu e chocou a muitos católicos romanos.

 Vejam o que ele diz: “Não sei tudo o que deveria saber sobre Deus e sobre Maria, mas sei o suficiente para lembrar aos irmãos católicos que exageram o papel da mãe de Jesus, que o Filho dela ainda é o Senhor e a ele é que tudo foi dado pelo Pai (Mateus 11.27; João 3.35)”, pág. 14; “Sobre Maria há muito que dizer, mas pode-se dizer muito e de menos, muito e demais, pouco e de menos, pouco e demais. Depende do tamanho da heresia ou da indiferença. É tão errado elevar Maria  demais quanto diminui-la!”; “Ela tem o seu justo lugar na história da salvação e deveria tê-lo também nas Igrejas e em seus grupos. Não é um lugar de deusa, com também  não é o de uma mulher qualquer. Quem deu à luz alguém como Jesus não é um acidente histórico. Jesus não nasceu por acidente. Deus o queria aqui como filho bem amado e escolheu Maria para ser a mãe. E ela soube cumprir muito bem o seu papel”  pág. 17; “Há irmãos que colocam Maria num pedestal onde nem ela gostaria de estar. Exageram o seu papel no Reino anunciado por Jesus. Há outros que a diminuem,. Tem até medo de elogiá-la. Entre os evangélicos, há os que a aceitam com timidez e moderação e os que são capazes de pregar sobre Judith, Ester, Suzana, Rebeca, Eva, Agar, Abigail e Noemi, mas passam anos sem falar da mãe de Jesus. E, quando falam, é para diminuí-la e criticar os exageros dos católicos. Mas, verdade seja dita, há outros que falam de maneira maravilhosa sobre a Mãe do Cristo. Seria uma calúnia abominável dizer que os evangélicos não louvam nem amam Maria. Depende da Igreja e do pregador. E eles sabem disso. E não são poucos os que reagem nas suas igrejas quando um deles a deprecia ou diminui”, pág. 22; “Somos milhões de poços de contradições. Proclamamos nossa fé no Cristo e admiramos Pedro, Paulo, Tiago, João, Mateus e outros; citamos seus escritos e seus feitos; entendemo-nos maravilhosamente bem quando se trata dos apóstolos, mas brigamos por causa da mãe de Jesus. Aí, há os que a superexaltam e os que a diminuem”, pág. 23).

 Teríamos muito mais a dizer. Maria não é uma mulher qualquer, ela é a mãe do Salvador, não nos esqueçamos disso jamais! Mulher crente e devota, humilde e obediente, submissa à vontade divina, mãe e esposa exemplar. Mas não uma deusa como muitos a colocam num pedestal sem se aperceber disso. Maria ensina-nos, em palavra e ação, o que significa ser fiel a Deus, custe o que custar. Não procura atrair a atenção para a sua pessoa! Dirige a atenção para Deus, pelo que Ele é e pelo que Ele tem feito e pelo que fará a favor dos que o temem.

 Esta é a Maria, a serva do Senhor, revelada pelas Sagradas Escrituras e não pelos dogmas, que resgatamos. Ela merece o nosso profundo respeito e a nossa sincera admiração! Seu exemplo de fé, obediência e devoção é digno de ser imitado, especialmente no que diz respeito à fé que, para sua salvação, ela depositou somente no Senhor! Ela disse: “O meu espírito de alegrou em Deus, meu Salvador” (1.47). Esta é a Maria que amamos e queremos resgatar o seu justo lugar, mas como “Maria do Jeito Certo”, segundo as Sagradas Escrituras.  


     Pr. José Barbosa de Sena Neto, pastor batista, exerceu o sacerdócio católico romano por 22 anos consecutivos, como padre-frade capuchinho, no interior do Estado do Ceará. Professor da língua portuguesa, redação, didática, história, sociologia e filosofia, fundamentos da Educação, lecionou por muitos anos em colégio diocesano, chegando a coordenador pedagógico e diretor geral do mesmo colégio, lecionou por vários anos como professor convidado em diversos seminários teológicos Introdução ao Novo Testamento, Literatura do Novo Testamento, Teologia Bíblica do Novo Testamento, Seitas e Heresias e Sociologia. É membro titular da Academia Evangélica de Letras do Brasil (AELB), ocupando a cadeira nº 18, patronímica de Antônio Almeida, autor do Livro “Liberto do Catolicismo Romano” já em quarta edição. Crente e salvo por Jesus para sempre, residente em Fortaleza-CE.

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