terça-feira, 3 de julho de 2012

Cristianismo ?




Cristianismo?

                   
                                                                                          Fernando Marin


Li muitas coisas interessantes, na última semana, desde as pesquisas sobre o aumento do número de evangélicos no Brasil, até um excelente artigo do Rev. José do Carmo, que falava sobre a questão de bebidas ou não, na vida do crente.

Claro que os dois assuntos tem relação, ou não?

O grande aumento do número de evangélicos no País, trouxe à baila uma outra questão, a pulverização de denominações, onde cada uma tem as suas próprias doutrinas e costumes, esses nem sempre espelhados nos padrões bíblicos, mas, criados pela liderança daquela igreja específica, o que nos deixa, muitas vezes, em dúvidas quanto à sua posição teológica (se correta ou não). É difícil de contar quantas perguntas a que tenho respondido  acerca dessa questão. Isso, sem contar com os fatos  no mínimo, estranhos, de que tenho tomado conhecimento. Um, por exemplo, de um pastor batista que foi convidado a pregar em um culto jovem, em uma outra igreja batista, e, ao lá chegar, foi chamado ao gabinete pastoral e convidado a barbear-se, já que o pastor daquela igreja não concorda que pessoas que usem barba preguem. Ou aquela de um outro pastor amigo, um mestre em Ciências da Religião, que ao chegar com a sua esposa a uma igreja onde iria pregar, passou pelo constrangimento de ter que aceitar um vestido emprestado para a esposa, porque ela trajava calças compridas – naquele templo, as mulheres devem usar vestidos ou saias.

Conheço outras pérolas, há uma igreja onde os irmãos, nas reuniões de oração, devem compartilhar os seus pecados com os outros (todos eles).  Outro caso que me foi contado, uma igreja, onde um casal amigo foi impedido de participar de uma reunião de treinamento por não serem legalmente casados, mas, onde eram obrigados a entregarem o seu dízimo.

Há de tudo, hoje. Em muitos casos, o que vemos é a continuidade do legalismo, disfarçado de cristianismo. Não é raro encontrarmos igrejas onde se ensina a obrigatoriedade do batismo para a salvação, ou, onde se prega a necessidade de ser membro da igreja para receber a vida eterna. Outras, ainda, pregam a salvação pela fé, mas , conservada pelas obras. Outras , ainda, insistem na questão do vestuário, de costumes e regras estranhas, de réplicas do templo de Jerusalém, e por aí vai.

Tudo isso não seria judaísmo trazido para o cristianismo?

Na verdade, Jesus nos ensinou que somos salvos pela fé, não pelas obras, e nem pela fé associada à elas, mas, apenas e tão somente pela fé em Cristo, como o Filho de Deus, Senhor e Salvador. Esse é o único requisito para que alcancemos a salvação, ela nos é dada pela Graça.

Tiago nos dá uma boa explicação, para a questão das obras, quando diz que elas são provenientes da nossa fé, ou seja, as boas obras não são a raiz da salvação, mas, os seus frutos. A fé nos conduz à Salvação e esta resulta nas boas obras.

Na verdade, o cristianismo se resume no cumprimento dos dois mandamentos deixados por Jesus: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.

Essa é a regra da conduta cristã, que substitui toda a Lei do AT. Quando depositamos nosso amor em Deus, em louvor e adoração, e ao próximo, nos tornamos imitadores de Cristo, passamos a viver como Ele viveu e crescemos como pessoas. Qualquer coisa além disso, é apenas obra de homens que desejam se sobrepor à Palavra, criando suas próprias normas e regras, intencionando subjugar aos demais e mantê-los sob um domínio em busca de uma posição de superioridade, o que, convenhamos, não se coaduna com os Evangelhos. 

Fernando Marin
                                                                 

6 comentários:

  1. Sou tradicional e como tal tenho gosto pela tradição pelo usos e pelos costumes, eles estão na minha formação pessoal. Mas como Cristão salvo pela fé em Cristo, sei que costumes e tradições são nulos e desassociados de qualquer relação com a salvação. Os fariseus era mestres em sua epoca, mas colocam seus costumes e tradições acima da propria Lei.È ver que o caminho que conduz ao céu, tem sido as vezes paviementado com tradições humanas criando, obstaculos, farois e paradas obrigatorias, onde ele deveria ser inteiramente LIvre.
    Deus te abençoe

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    1. Rodryguez
      É isso mesmo, concordo com você. Jesus é o único caminho para Deus.
      Obrigado!
      Abraço.

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  2. Excelente texto, Fernando!
    Eu também acompanhei essas notícias sobre o crescimento do número de "evangélicos" no país e tive vontade de escrever um texto, mas não tive o tempo necessário e as idias passaram. Mas vc escreveu tudo por mim...

    Nessas notícias também circulou muito forte por aqui, que o Espírito Santo "está cada vez mais 'evangélico'". O povo chamado "evangélico" está comemorando, até com certa arrogância. O texto que eu pensei em escrever tararia a pergunta que em minha cabeça não quer se calar: "ONDE ESTÁ O REFLEXO DESSE 'CRESCIMENTO' NA SOCIEDADE?" Sinceramente? Não vejo nada que respalde esse pseudo crescimento. Na realidade os 'evangélicos estão pescando no aquário dos católicos, e o que acontece é a 'migração' - uma peregrinação de denominação em denominação.

    O meu blog ainda continua à sua disposição!

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  3. Obrigado, Austri.
    Sim, contarei ainda, e muito, com a penetração que o seu blog tem , junto ao seu público.
    Quanto ao tema, vou aguardar a publicação desse texto que, com certeza, você vai escrever, e que será, como sempre, ótimo.
    A movimentação entre denominações diversas, vem aumentando muito, nos últimos anos, assim como a quantidade dos adenominacionais, aqueles que afirmam serem cristãos, mas, estão fora das igrejas, por motivos diversos.
    Creio que esse tema deveria ser melhor estudado, para que pudéssemos avaliar o que realmente vem acontecendo no meio religioso brasileiro.Abraço!

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  4. Como vocês sabem eu trabalho no ramo da pesquisa. Nem sempre os dados são interpretados como deveriam ser, uma questão a ser abordada é que muitas pessoas se identificam como evangélicas, quando na verdade tem apenas uma preferência. Outra questão é que nos trabalhos de pesquisa normalmente os questionários não contemplam todas as denominações evangélicas, figurando nas opções apenas as " principais" sendo as outras classificadas como "outras religiões"

    Ainda há de se perceber que estas pesquisa são sempre quantitativas, e não qualitativas.

    Seriam interessante mesmo, somar os censos próprios de cada igreja, baseada em seu rol de membros, mais isso não é tarefa do censo.

    Apenas para exemplificar o que eu disse, na minha caminhada por aqui e ali, me deparei até com prostitutas que se diziam evangélicas, e até eram frequentes nos cultos ... isso se da em grandes igrejas no centro de São Paulo.engraçado que as mesma no exercicio de sua "profissão", também faziam oferendas as entidades das religiões afro com o intuíto de conseguir clientes!

    Este crescimento tão apregoados pelos evangélicos e visto até como motivo de orgulho é antes de mais nada um "inchaço", uma bolha.

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  5. Rodryguez.
    Excelente o seu comentário! Nos trouxe informações importantes e oportunas.
    Sim, muitos se dizem evangélicos, mesmo sem serem convertidos.
    Dado interessante.
    Obrigado!
    Abraço!

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