sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

A Igreja e o Estado




 Um texto para a reflexão de todos, afinal, Estado e Igreja devem caminhar juntos?

 Aqui, meu amigo Leonardo Stuepp dá a sua opinião. Leonardo é professor, escritor, pensador católico, participa ativamente da vida na sua comunidade de fé em Blumenau, Santa Catarina e é conhecedor de todos os documentos e rotinas que norteiam a Igreja Católica Romana.

 Em um momento em que vivenciamos movimentos sociais que visam a implantarem novas modalidades de pensamentos sobre opção sexual, diversidade familiar, como deverá acontecer a ação da igreja ?

 Tenho analisado a atuação do papa Francisco e noto que ele se coloca como pastor, muito mais do que como Chefe de Estado.

 Qual deve ser o verdadeiro papel da igreja no mundo atual?



A Igreja e o Estado. O fim do Estado do Vaticano como necessário para a sobrevivência da Igreja Católica. Uma reflexão para o futuro.


Por: Leonardo Stuepp



 Algo está me atormentando a tempos quanto aos rumos da minha amada Igreja Católica Apostólica Romana.

  De seu início lá na Igreja Primitiva, onde, com os encontros e o sangue de milhares de mártires foi se construindo historicamente, com a complementação dos Evangelhos e de todo o Novo Testamento, com os escritos dos Padres e Doutores da Igreja, chegando a tornar-se a religião oficial de um Império, quando assume um papel quem sabe até necessário no contexto histórico, que muito colaborou para o bem das populações, mas ao mesmo tempo, muito colaborou para um lado obscuro, sendo participante e até conivente com muitas barbáries praticadas em nome de Deus.

 Foi poderosa, onde seu Chefe o Papa teve um poder temporal impensável nos dias de hoje.

  Com o caminhar lento e gradual da História, a Igreja aos poucos foi se distanciando do Estado, mas nem sempre o Estado da Igreja. Chegamos ao nosso tempo em que a maioria dos estados ocidentais se declaram laicos e, uma diversificação inumerável de denominações cristãs fazem com que a importância católica no mundo se torna bem menor.

  Nesse nosso mundo instantâneo, onde as comunicações são imediatas, onde as palavras e imagens circulam à velocidade da luz, a pessoa do Papa em suas duas figuras, a de Chefe da Igreja e de Chefe de Estado, não têm mais um sentido verdadeiro ( causando grandes confusões nas declarações do Papa em solenidades oficiais perante Chefes de Estado) considerando-se o fim a que a Igreja existe, ou seja sua missão, que é de evangelizar.

 Penso que falta ainda mais um passo para a Igreja voltar a ser novamente a Barca de Pedro: acabar com o Estado do Vaticano. O Papa tornar-se tão e simplesmente o Pastor da Igreja, sem vínculo algum com um Estado.

 Leonardo Stuepp

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