sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Educação: Cotas Raciais?!




                                                                                              Por Austri Junior


Sou negro, "pardo", índio e brasileiro!

Por esses quatro motivos, gostaria de fazer algumas perguntas, e se você também tiver outras perguntas, ou respostas  (contra ou a favor), acrescente-as em um comentário, que serão muito bem vindas.

Cotas Raciais? (Eu não consigo entender...)

Desde quando, "PARDO" é RAÇA? Posso estar muito enganado e não receio em me redmir, caso alguém com conhecimento em etnia, se propuser corrigir-me, mas Raças, até onde eu sei, são: Negra, Branca, Vermelha e Amarela. Sei que no Brasil temos a Raça Indígena (mas não sei à que grupo de cores a Raça Indígena pertence). Também sei que no Brasil, a miscegenação das Raças Negra e Indígena, deram origens à grupos denominados de Cabôclos e Mamelucos, que também não sei se são Raças. Pelo sim ou pelo não, pergunto: onde estão as cotas para esses grupos étnicos?

Já que estamos falando de cotas e de Raças, quero questionar um pouco mais além, e perguntar: - O que houve com o "todos são iguais perante a lei"? Se todos são iguais perante a lei, para que criar "COTAS RACIAIS"? Se todos são iguais perante a lei, onde estão as cotas para os Brancos, os Amarelos (que vivem no Brasil), os Mamelucos e os Cabôclos? Se todos são iguais perante a lei, não está o Brasil à burlar a sua própria constituição? claro que está! Essa coisa de "COTAS RACIAIS" é anticonstitucional, e está caminhado na contra mão da história.

Eu não quero cotas nem para mim nem para os meus descendentes, pois quando o governo se coloca entre eu e o processo seletivo denominado "vestibular", e cria cotas para facilitar a minha entrada na universidade, o governo está me dizendo que eu sou menos inteligente que as pessoas brancas, e está nitidamente assinando uma declaração da incompetência dos Negros, dos "Pardos" e dos Índios... Em palavras claras e bem explícitas, o governo está me chamando de "BURRO". Está me dizendo: "Você não tem competência para passar no vestibular."

Mas o pior, nesse jogo de incompetências, é que, realmente, os Negros, os "Pardos" e os Índios, que estudam em escolas públicas, em sua grande maioria, não têm mesmo competência para passar no vestibular, e isso não se dá por falta de inteligência,  e ou raciocínio, mas sim pela má qualidade do ensino básico público no Brasil, que é caótico e mal gerido. Os Negros que estudam em escolas particulares passam no vestibular sem  precisarem da interferência de nenhum governo, de nenhuma lei esdrúxula, e de nenhum tipo de cota.

Se os negros que estudam em escolas públicas dificilmente conseguem se aprovados nos vestibulares, assim, os brancos que estudam em escolas públicas também, dificilmente  conseguem passar nos vestibulares. Onde estão as cotas para esses estudantes brancos...? Então, ao invés de se criar "COTAS RACIAIS", não deveriam ser criadas "COTAS SOCIAIS"? Não sou favorável à criação de nenhum tipo de cotas. Mas se for para introduzir "cotistas" nas universidades, que sejam por questões sociais, e não por questões raciais, e muito menos por cores, pois "PARDO" (até onde sei) não é raça. "Pardo" é cor!

O problema na educação brasileira não está somente no vestibular e nas faltas de vagas nas universidades. O problema principal, ou maior, está na educação básica, que sabemos, vai do 1º ano do Ensino Fundamental, ao 3º ano do Ensino Médio. Muitos não conseguem perceber que essa coisa de cotas é um "golpe eleitoreiro", um trampolim para ganhar  eleições no âmbito federal, e um paternalismo literalmente miserável e injusto, que tira a chance de quem estuda, seja branco ou seja negro, ou outra raça qualquer. As cotas, além de trampolim eleitoreiro, são uma grande cortina de fumaça para esconder as incompetências dos governos federal, estadual e municipal, que não investiram e não investem o suficiente na educação básica, pelo contrário: Desviaram e continuam desviando muitos recursos públicos dessa área, para outras áreas, e principalmente para os bolsos do governantes e autoridades, e entre esses desvios, estão também os desvios do Diretores da Unidades de Ensino, a começar pela verba da merenda escolar. 

Voltando ao assunto das cotas: é muito mais fácil tirar as oportunidades dos que investem tempo e dinheiro estudando, que consertar o problema, investindo em educação de qualidade. Políticas de inclusão sociais não se fazem com cotas raciais, mas com educação básica de qualidade. Ouvi o Ministro da Educação, Aloísio Mercadante, em entrevista à CBN, dizer que reconhece que "há falhas no ensino básico público"..., mas que eles vão trabalhar para consertar isso, fazendo "nivelamentos" com os cotistas, pois não "basta introduzí-los nas universidades, mas garantir que eles consigam acompanhar, e que consigam sair formados". Esses "nivelamentos" segundo o Mercadante, serão feitos da seguinte forma: "Os cotistas terão aulas extras, ou com os professores, ou com os estudantes da pós-graduação."  Outra possível forma de nivelamento, segundo o Ministro, será pagar às universidades particulares (que trabalham com nivelamentos), para que os cotistas tenham aulas particulares nessa instituições. - Meu Deus, mais oportunidades de desvios de verbas, corrupção, mensalão, favorecimento... Isso me preocupa! Volto à insistir: Porque não investem na educação básica? É a melhor opção, a melhor solução, e a melhor maneira de praticar a inclusão!

Eu não confio no governo brasileiro e muito menos nos políticos brasileiros. Temo que isso venha gerar mais caos. Espero sinceramente estar enganado quanto ás minhas ideias e expectativas, mas uma coisa eu sei: As "Cotas Raciais" não resolvem os problemas da educação. Apenas geram mais racismo e divisão!




Austri Junior,
Brasileiro, Negro, "Pardo" e Índio. Confuso e cheio de interrogações quanto o futuro da educação brasileira, ante  as "Cotas Raciais"...


5 comentários:

  1. Meu irmão e amigo Fernando, fico grato por se interesar pelo meu texto,e por divulgá-lo tão generosamente.

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    1. Este comentário foi removido pelo autor.

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    2. Austri.
      É um prazer poder publicar esse texto bastante pertinente no blog. Eu sou quem fico grato pela sua permissão para a publicação.
      Esqueceu de quantos textos de minha autoria você publicou??
      Abraço!

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  2. Este comentário foi removido por um administrador do blog.

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    1. Austri.
      Atualizei o texto, de acordo com as suas modificações.
      Abraço.

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