quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

A sociedade que criamos.



A Sociedade que Criamos


Por: Fernando Marin



   Como se não bastassem as recentes cenas de barbárie que assistimos acontecerem em diversos presídios no país , agora o que se vê são saques, roubos e mortes em diversas cidades do estado do Espírito Santo, onde a polícia militar está há alguns dias fora das ruas.

     Com a ausência do policiamento, muitos cidadãos decidiram partir para saques e roubos  certos da impunidade , que aliás sempre existiu em nossas terras.

   Alegando os baixos salários que recebem os PMs do estado, seus parentes resolveram "bloquear" a saída dos quartéis, e os militares estão de braços cruzados enquanto que a criminalidade barbariza a população capixaba.

     O que mais nos surpreende são os saques às lojas, realizados não por bandidos comuns, mas por populares que se aproveitam da situação para obter , quem sabe, aquele objeto sonho de consumo tão difícil de ser adquirido pelas vias normais. 

     Nem a presença dos militares das Forças Armadas e da Força Nacional de Segurança conseguiu impor ordem ao caos que reina pelas terras capixabas, o que aumenta mais ainda a nossa preocupação, afinal os governos há muito vem perdendo aos poucos o controle da segurança no país.

    Uma situação previsível , há décadas que a educação pública vem sendo desmontada e desqualificada, os estudos que criavam a visão de cidadania ,de ética, de patriotismo foram simplesmente retirados das grades, deixaram de existir, sabe-se lá por que.

     Paralelamente, um decréscimo na qualidade de vida das pessoas, cada vez mais gente vivendo em comunidades carentes, desemprego altíssimo, falta de oportunidades, decadência dos serviços públicos básicos acabam gerando insatisfação em diversos segmentos da população, e isso aliado à uma educação precária com certeza gera o descontentamento e a revolta. 

     Além disso, uma legislação penal ultrapassada, um sistema judiciário lerdo e injusto, maus exemplos de impunidade no meio político, ajudam a criarem essa sensação de que aqui tudo pode. E essa é a sociedade que criamos, a do jeitinho, a do que "todo mundo faz", cidadãos que se comportam como tal apenas e tão somente na presença da autoridade, da punição.

     O pior é se constatar que a nossa classe política, isolada em Brasília, uma verdadeira ilha da fantasia, onde os policiais militares são os mais bem pagos no Brasil, onde os salários dos servidores do Congresso fazem inveja a qualquer profissional , onde os senhores congressistas e familiares possuem segurança 24 hs por dia, está muito pouco preocupada em resolver essas questões, talvez até por receio de que uma mudança na legislação possa vir a afetá-los de alguma maneira.

     Creio que é momento de adotarmos o que tem dado certo em países do dito primeiro mundo, de modernizarmos as leis e o sistema judiciário, de se adotar um novo e eficiente modelo de educação básica, de se trabalhar para a melhoria das condições de vida das pessoas. Assim, não se precisará no futuro se gastar tanto em segurança pública, afinal a polícia não pode ser responsabilizada pela falha nas instituições que provocam a violência e o crime.

    É hora da população cobrar dos senhores congressistas as mudanças necessárias para que haja uma sociedade melhor, sob o risco de, em poucos anos, ficarmos trancados em nossas casas, reféns do caos social e do descontrole total da criminalidade.

     Eu cobro, e você?

     Fernando Marin

Um comentário:

  1. A grande motivação que move o Brasil para o caos social é o dogma que o socialismo bolivariano e a Teologia da Libertação plantaram na mente do povo, de que toda a riqueza foi produzida pelo trabalhador e, portanto, pertence ao trabalhador. Assim sendo, invasões de propriedade, saques e arrastões não seriam crimes. O trabalhador apenas estaria se apropriando do que historicamente já lhes pertence. O Plano Nacional dos Direitos Humanos - aprovado pelo ex-presidente Lula - já contempla essa descriminalização ao tirar da justiça e colocar nas mãos dos movimentos sociais o julgamento desses conflitos. Quem trabalhou a vida toda para ter alguns bens, corre o risco de ficar sem eles. E sem chance de recuperá-los... É o novo mandamento da igreja bolivariana: "Dai aos pobres, antes que eles tomem de você".

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