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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Afinal de contas, para que existimos?






                                                        Por: Fernando Marin

Mateus 20.28   Porque até o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida para salvar muita gente.

   Há poucos dias, assistindo a um telejornal, tive a minha atenção voltada para uma notícia: a reportagem mostrava um grupo de Testemunhas de Jeová que, de forma voluntária, se dispôs a construir casas para famílias que perderam tudo, naquela grande tragédia que ocorreu na região serrana do Rio de Janeiro, em 2011.

   Homens e mulheres, pessoas de diversas partes do Brasil, estavam unidas, trabalhando na construção de residências – tarefa que deveria ser do governo – pois, desde aquela época, há famílias ainda sem um teto definitivo.

   Aquela atitude me chamou a atenção, imaginei, como em um sonho, todo o povo de Deus, ali, trabalhando em prol daqueles que necessitam de ajuda, que não tem recursos para refazer sozinhos as suas vidas, e me perguntei: por que isso não acontece na prática? Por que não servimos ao nosso próximo, como pregamos?

   O que a Bíblia nos diz sobre servir? No que a Teologia pode ajudar sobre isso?

   “Porque somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazermos boas obras, as quais Deus preparou antes para nós as praticarmos” (Efésios 2.10 NTLH).

   Esta é a Palavra de Deus para nós! Todos nós fomos postos neste planeta para uma missão especial. Fomos criados para contribuir, e não para termos uma existência vazia, ou para ocupar lugar na terra. Fomos criados para somar, para acrescentar. Não estamos aqui só para comer, dormir ou para extrair recursos da natureza, não. Há até um ditado popular que diz que “quem não vive para servir, não serve para viver”.

   Na verdade, Deus nos projetou para o ministério, ou seja, para o serviço. A palavra ministério vem do grego ministerium, que quer dizer o mesmo que diakonia, serviço.

   Quando lemos o texto de Efésios 2.10, verificamos que todos nós fomos criados para servir aos outros. Essas boas obras, mencionadas no texto, são o serviço a Deus. Todas as vezes que servimos às pessoas, de alguma maneira, estamos servindo a Deus , conforme podemos observar  em Colossenses 3.23 (“ O que vocês fizerem façam de todo o coração, como se estivessem servindo o Senhor e não as pessoas.”). 

   Todos nós temos um propósito, um lugar, um papel e uma função a cumprir no mundo. Isso, está claro na Bíblia, em 2 Timóteo 1.9, “Deus nos salvou e nos chamou para sermos o seu povo. Não foi por causa do que temos feito, mas porque este era o seu plano e por causa da sua graça.” 

   Por isso, podemos entender que fomos chamados por Deus para o serviço, esse era o Seu propósito para nós , fomos escolhidos por Ele para o cumprimento dessa missão, a de servir.

   Mais que isso: Jesus ofereceu a sua própria vida, pagou um alto preço, pela nossa salvação (1Coríntios 6.20 “Pois ele os comprou e pagou o preço. Portanto, usem o seu corpo para a glória dele”). Isso nos deixa com uma enorme responsabilidade social, afinal, entendemos que Jesus morreu em sacrifício por nós. Através da sua morte, o nosso passado de pecado foi perdoado e esquecido, nosso presente faz sentido e o nosso futuro está garantido. Portanto, não devemos servir a Deus por medo, ou por obrigação, mas sim com alegria e gratidão por tudo o que Ele fez por nós!

   Essa missão, fica ainda mais clara quando lemos a carta de Paulo aos Romanos, no capítulo 12, versículo 1 , onde o apóstolo diz  “Portanto, meus irmãos, por causa da grande misericórdia divina, peço que vocês se ofereçam completamente a Deus como um sacrifício vivo, dedicado ao seu serviço e agradável a ele. Esta é a verdadeira adoração que vocês devem oferecer a Deus.”

   Devemos nos espelhar no amor de Cristo por nós para compreendermos melhor a questão do serviço ao próximo. Esse amor, é enfatizado por João (1João 3.16 “Sabemos o que é o amor por causa disto: Cristo deu a sua vida por nós. Por isso nós também devemos dar a nossa vida pelos nossos irmãos.”).

   Por aí, entendemos que, como cristãos, devemos demonstrar o amor de Cristo no serviço ao próximo. Não é difícil entender que, se eu não sinto amor pelos outros, não desejo ajudar as pessoas, me nego a evangelizar, só penso em mim mesmo, com certeza Cristo não está em mim. 

   Nós fomos salvos para servir, e não para ficarmos sentados esperando o nosso dia de glória. Se fosse para não fazermos nada, Deus nos levaria para o céu logo que nos convertêssemos. Mas, isso não acontece. Deus nos deixa aqui para cumprirmos com os Seus propósitos, com os Seus objetivos. Com certeza, todos nós temos uma missão no mundo. Independente do nosso emprego, dos nossos estudos e da nossa vida lá fora, somos servos cristãos.

   Todas as vezes que você usa os dons que recebeu de Deus para servir aos outros, você cumpre com o seu chamado. Alguns confundem esse “chamado” de Deus com algo que somente pastores, missionários ou outros obreiros recebem do Senhor, mas a Bíblia diz com clareza que todo cristão é chamado para servir, em Romanos 7.4 (“O mesmo acontece com vocês, meus irmãos. Do ponto de vista da lei, vocês também já morreram, pois são parte do corpo de Cristo. E agora pertencem a ele, que foi ressuscitado para que nós possamos viver uma vida útil no serviço de Deus”).

   Servir não é apenas uma escolha, algo para se fazer se tivermos tempo sobrando. Não, servir é o centro da vontade de Deus, é a coisa mais importante da vida cristã! De nada adianta aprendermos cada vez mais da Palavra de Deus se não a utilizarmos no nosso cotidiano. Precisamos agir de acordo com o que nós aprendemos, precisamos por em prática aquilo em que nós cremos. A maioria dos cristãos mais antigos já tem um bom conhecimento bíblico, o que precisam é por em prática esse conhecimento, é exercitar os seus “músculos espirituais”.

   Nós adquirimos a maturidade espiritual para que possamos exercitar o cristianismo, o serviço, o ministério!  Vejamos o que está escrito em Romanos 14.12: “Assim, cada um de nós prestará contas de si mesmo a Deus." Você já se imaginou, chegando perante o Senhor, o que dirá a Ele?Que esteve ocupado demais com a sua própria vida? Que os seus afazeres pessoais não deixaram você servir? Que você estava trabalhando bastante para se aposentar e poder servir, mas a morte veio antes?

   Em Marcos 8.35, Jesus nos diz que “Pois quem põe os seus próprios interesses em primeiro lugar nunca terá a vida verdadeira; mas quem esquece a si mesmo por minha causa e por causa do evangelho terá a vida verdadeira”.

   Meus irmãos, Deus nos chamou para que nós fizéssemos a diferença no mundo, nós somos os braços e a boca de Deus aqui na terra. É através de nós que Ele realiza a Sua obra, através das nossas vidas, do nosso serviço.

   E eu termino perguntando: o que está impedindo você de cumprir com a sua missão? O que está impedindo você de servir melhor ao Reino de Deus? O que está impedindo que o amor de Deus flua por meio da sua vida?

Fernando Marin

Atualizado e republicado.
Todas as citações bíblicas foram extraídas da versão NTLH.


sábado, 2 de fevereiro de 2013

Fé sem obras? Uma reflexão no texto de Tiago 2, 14-26.





                                                                                         Por : Fernando Marin


“A fé estéril não é a fé salvadora  . A fé não é credal, mas é a operação do Espírito de Deus, feita no homem interior , mediante o que começa a ser  efetuada a transformação do crente segundo a imagem de Cristo”
Russell Norman Champlin

   Quando analisamos o texto bíblico de Tiago, capítulo 2, versos 14 a 26 , vemos que a preocupação do autor em escrever sobre esse assunto deveu-se ao fato de o cristianismo estar se tornando, para alguns (já naquela época) , um mero sentimento, apenas emoção. Isso também está ocorrendo em nossos dias: o mais importante é sentir, experimentar sensações e fazer afirmações de fé.

  Tiago combate a ideia de que uma pessoa genuinamente convertida a Deus possa continuar sua vida como se nada tivesse acontecido. Ele insiste na necessidade de se viver a Palavra de Deus. E mostra, então, dois tipos de fé: uma útil e uma inútil.

   Quando lemos esse belo texto bíblico , nos versos 14 a 26 , sem prestarmos a devida atenção a ele, podemos até mesmo entender que as boas obras são necessárias para que haja a Salvação. A falta de um cuidado na leitura dessa passagem, poderia nos levar a pensar que não bastaria apenas crer no Senhor Jesus como nosso Salvador, mas, seria necessário acrescentar a essa crença os nossos atos de bondade, de amor aos outros.

   Mas, isso não é verdade.

   A verdade é que as obras são a parte visível da nossa fé, ou seja, é a maneira pela qual conseguimos comprovar exteriormente a fé que sentimos no nosso interior.

   As boas obras são feitas para agradar a Deus por amor e são as consequências da verdadeira fé, posta em prática.

   “Verdadeira fé” . Mas, que fé é essa?

   O versículo 14 tem a chave para compreendermos essa questão. Lá, Tiago nos pergunta: “Meus irmãos, que adianta alguém dizer que tem fé se ela não vier acompanhada de ações?”

   Tiago se refere a uma pessoa que afirma ter fé, a alguém que diz que crê, mas, nada em sua vida pode comprovar essa fé. E então, ele pergunta: “Será que essa fé pode salvá-lo?” quer dizer, será que esse tipo de fé demonstra salvação? E ele continua, citando um caso de irmãos que não tem roupas, ou o que comer e alguém diz a eles,“vão, vistam-se e comam bem” , mas, não faz absolutamente nada para que eles tenham algo para vestir e para comer.

  De que adiantam essas palavras? Palavras sem ações são inúteis! E por isso ele diz que a fé sem obras não é fé verdadeira, mas apenas palavras.

   Ele não nos diz que somos salvos pela fé acrescida de obras. Não, a Bíblia nos deixa bem claro que Cristo é o nosso único e suficiente salvador. O que Tiago está nos dizendo é que somos salvos por uma fé que resulta em boas obras. As obras não são a essência da salvação, mas são o seu fruto!

   Tiago está dizendo que se você é um Cristão, então é melhor que você manifeste algum tipo de obra adequada, caso contrário, sua fé é falsa. Esta opinião é confirmada em 1 João 2:4:”Aquele que diz: Eu o conheço e não guarda os seus mandamentos é mentiroso, e nele não está a verdade”.

   O apóstolo Paulo nos informa que fomos criados para as boas obras (Efésios 2:10)“Pois foi Deus quem nos fez o que somos agora; em nossa união com Cristo Jesus, ele nos criou para que fizéssemos as boas obras que ele já havia preparado para nós.”

   O autor  continua afirmando que a fé verdadeira não pode ser separada das boas obras (vers. 18) , em um diálogo entre duas pessoas:  “Mostre-me que você tem fé, sem uma vida de boas obras!”

   É impossível! A fé é invisível, não há como se comprovar a fé de alguém, se aquela pessoa não tiver uma vida que realmente seja fruto dessa fé. E Tiago continua: ‘Eu, com as obras, lhe mostrarei a minha fé”!

   Aqui, compreendemos bem que a fé professa por alguém, pode ser apenas palavras, se a vida dessa pessoa não for transformada, não envolver compromisso com Jesus.

   Crer, até os demônios creem na existência de Deus, mas, não se sujeitam a Ele! Não há mudanças de pensamentos e nem de atitudes, portanto, não se trata de uma fé salvadora! Quando alguém realmente crê em Jesus, isso cria um compromisso de corpo, alma e espírito, além de resultar em uma mudança de vida (2Co  5.17)   “Quem está unido com Cristo é uma nova pessoa; acabou-se o que era velho, e já chegou o que é novo.”

   Então, entendemos que a fé sem obras, é apenas uma crença, uma religião e, portanto, “não vale nada” (v 20).

   E, para ilustrar, Tiago nos apresenta dois personagens bíblicos conhecidos, Abraão e Raabe, como exemplos dessa fé operante. Fala que Abraão foi justificado quando creu, quer dizer, pela fé e, mais tarde, ele demonstrou que essa fé era autêntica, quando se dispôs a sacrificar seu próprio e esperado filho Isaque, por obediência à Deus. Por esse ato, ele deixou claro  que a sua fé não era apenas uma crença de palavras, mas, sim, de compromisso!

   A fé e as obras são inseparáveis, a primeira produz a segunda e a segunda comprova a primeira. Quando Abraão ofereceu Isaque em sacrifício, foi uma demonstração prática da sua fé. Contudo, até que Abraão levantasse sua faca contra Isaque, em obediência, somente Deus conhecia a sua justiça. Ao fazer isso, Abraão demonstrou fisicamente sua confiança em Deus, tendo sido colocado em posição de comprovar a genuinidade de sua fé. Ele foi justificado pela sua fé, mas foi chamado amigo de Deus pelas suas obras.

   O segundo exemplo de Tiago, é Raabe, uma meretriz cananéia , de Jericó. Quando ela ouviu que um exército poderoso vinha sobre a cidade, e que não havia chances de vitória, ela creu em Deus, creu que o deus dos hebreus era o Deus verdadeiro, e não pensou nas consequências disso. E comprovou essa fé quando ajudou os espias, acolhendo-os, apesar dos riscos que correria.

   Tiago encerra esse assunto, dizendo que “Portanto, assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem ações está morta.” (2.26) É assim que ele resume todo o tema. Ele compara a fé ao corpo humano e, as obras, ao espírito, diz que o corpo sem o espírito, está morto .

   De modo semelhante, a fé sem ações, também está morta! É ineficaz e imprestável! Não é uma fé verdadeira. Muitos pensam que por serem bons, ajudarem os outros, contribuírem para instituições assistenciais, auxiliarem velhinhas a atravessarem a rua, dizerem a verdade, irem à igreja todo domingo, estão salvos. Porém, as palavras de Jesus são claras: "Nem todo aquele que me diz 'Senhor, Senhor' entrará no Reino dos Céus, mas aquele que pratica a vontade de meu Pai que está nos céus" (Mt. 7, 21).

   E aí, eu pergunto: será que estamos praticando a vontade de Deus, como Abraão fez, por exemplo?

   Estou disposto, como Raabe, a trair o mundo inteiro , para ser leal a Cristo? 

   Tanto a fé como as obras procedem de Deus. A fé é dom de Deus. Não geramos a fé, nós a recebemos Dele. As obras que praticamos são inspiradas pelo próprio Deus, pois é ele quem opera em nós tanto o querer quanto o realizar.

   Fé e obras caminham de mãos dadas. Não estão em lados opostos, mas são parceiras. Ambas têm o mesmo objetivo, glorificar a Deus pela salvação.

   Somos salvos pela fé e somos salvos para as obras. Recebemos fé e fomos preparados para as obras. Não há merecimento na fé nem nas obras. Ambas vem de Deus.

   O homem deve glorificar a Deus na terra através de suas obras, obras essas que partam do seu coração, que foi preenchido de fé pelo próprio Deus! Podendo fazer o bem ao próximo, e não o fazendo, o homem peca contra Deus e não se justifica pela fé, visto que sua é fé é morta ao não produzir os frutos esperados, afinal, ninguém pode desprezar um irmão carente e continuar afirmando ser um seguidor de Cristo.

   Aquele que possui bens materiais e vê o seu irmão em necessidade, fechando-lhe o coração, como pode habitar nele o amor de Cristo? Na 1 João 3:18, lemos: “Meus filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas por obra e em verdade”. Esta não é a fé salvadora. Tiago fala de alguém que apenas afirma ter fé, mas nada faz para a demonstrar.Esse quebra o mandamento de amar  ao próximo como a si mesmo.

   Tiago nos mostra que amor implica em prestação de serviço, auxílio, ação. Não adianta dizer “que Deus o abençoe” e nada fazer para auxiliar, estando em nosso alcance fazê-lo. Ajudar os necessitados não é algo para Deus fazer. É para os próprios crentes fazerem!

   Devemos procurar falar menos e agir mais.

Fernando Marin

Fontes:

CHAMPLIN, N.Russel - Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, Hagnos, 1996

Pesquisas em diversos sites na internet

                                                                                            

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Acabar com as cracolândias?






                                                                                    Por: Fernando Marin


   Desde a década de 90, a região central da cidade de S.Paulo começou a se tornar palco de um fenômeno que está se tornando nacional. Foi o início da chamada ‘cracolãndia’, onde um grupo de dependentes dessa droga assassina chamada crack  se reúne para adquirir e consumir a droga, quase que livremente. Com o tempo, esse grupo se transformou em uma verdadeira multidão que vaga pelas ruas sem destino, unidos apenas pelo vício desenfreado e pela necessidade constante do consumo de mais uma ‘pedra’.

   Em pouco tempo, toda aquela região se degradou. O comércio fechou as portas, prédios foram abandonados e depois invadidos pelos dependentes, as ruas se tornaram território do tráfico, inviabilizando a vida normal naquela região.

   A prefeitura fez o que pôde – muito pouco – para colocar ordem na área. No ano passado, a polícia tentou desocupar o espaço público, porém, apenas conseguiu dispersar aquela multidão, que passou a ocupar outros espaços na cidade, gerando descontentamento da população .

   Nada do que foi feito surtiu resultado, com exceção de uns poucos projetos, principalmente o bancado pela igreja Batista, chamado Cristolândia, que tem dado atendimento àqueles que o aceitam e já conseguiu êxito em retirar das ruas muitos  que viviam pelo vício.

   Mas, o que era exclusivo de S.Paulo, agora já se espalhou por outras cidades. No Rio de Janeiro, já há áreas também tomadas pelos dependentes, que apesar de todos os esforços do poder público ainda dominam as ruas e avenidas, colocando vidas em risco e causando problemas à população e ao comércio em geral.

  A sociedade cobrou medidas efetivas para que se resolvesse essa verdadeira epidemia, que ceifa vidas e destrói o futuro de jovens e crianças, porém, nada do que se faz surte algum efeito positivo. Na verdade, parece que não há nenhum plano traçado que possa realmente vir a gerar resultados , já que não se sabe o que pode ser feito para se combater efetivamente o tráfico e o consumo do crack, droga que vicia logo ao primeiro uso e que destrói vidas em poucos meses.

  Depois de muita inércia e de discussões conjuntas, as autoridades resolveram pela internação compulsória, como forma de afastar das ruas aqueles dependentes que expõem suas vidas à risco ou que estejam procedendo de forma violenta, além das crianças que são protegidas por legislação específica.

  Me parece que, a prioridade traçada hoje, é acabar com as ‘cracolândias’ da forma mais simples,  afastando as pessoas de lá, varrendo ‘para baixo do tapete’ um problema de âmbito nacional e para o qual o governo se mostra totalmente despreparado para resolver, por falta absoluta de meios para isso. Apesar do consumo de drogas estar em permanente acréscimo, os órgãos governamentais não estão devidamente capacitados, seja materialmente ou em número de profissionais, para lidarem com a questão, e só agora, com a pressão popular, estão tentando fazer algo que vise a ‘mostrar serviço’ à sociedade.

   O tratamento da dependência química é complexo, a droga deve ser combatida conjuntamente com ações paralelas, para que produzam os efeitos desejados. Quando alguém busca ‘conforto’ nas drogas, é porque algo vai errado em sua relação familiar, ou social. Assim apenas afastar o dependente do uso da droga, não resolve a questão que o levou ao vício. Terminado o tratamento de desintoxicação, o trabalho deve ter continuidade na reinserção do dependente na vida cotidiana, para que ele não mais necessite buscar a droga, fazendo com que que se sinta amparado e cuidado pela família e demais entes sociais. Caso isso não venha a acontecer,  se não tiver um amparo familiar ou de alguma entidade que o acolha, o indivíduo acabará voltando às ruas e ao uso das drogas novamente, num círculo que nunca terminará.

   Assim, para realmente se fazer algo que venha a afastar as pessoas desse vício nefasto, é necessário que se crie uma estrutura que possa atuar de maneira a reinserir os egressos do tratamento na vida social, oferecendo moradia, trabalho, estudo, uma oportunidade de futuro para que os ex-usuários se sintam amparados pela sociedade. Há alguns exemplos positivos, como o da prefeitura de São Bernardo do Campo, que tem tido êxito na recuperação de usuários de drogas, através de um acolhimento e acompanhamento de reinserção social.

   Na verdade, o melhor seria a prevenção, com ações efetivas que afastassem, principalmente os jovens, do risco do vício. Porém, nossa sociedade tem se mostrado incompetente para evitar que o uso de drogas aconteça de forma descontrolada, até porque vê os drogados como um estorvo, algo que incomoda, que prejudica, e não como pessoas que estão doentes e necessitando de cuidados para sair dessa situação.

   Com certeza, família, amigos e religião, são pontos fundamentais para afastarem alguém das drogas . A religião, por  dar sentido a vida, cria objetivos a serem alcançados, o que estimula a autoestima e sacraliza a nossa existência, gerando uma experiência com Deus e nos religando com Aquele que nos criou ,nos ama e com quem nos encontraremos ao final da atual etapa da vida. 

   Com certeza, uma espiritualidade que viesse do seio das famílias, uma sociedade menos consumista e materialista, tudo isso aliado a uma ação mais eficaz da igreja, seriam pontos importantes para afastarem as pessoas desse vício tão nefasto e destrutivo.

Fernando Marin

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Enfrentar ou liberar as drogas ?




                                                                                     Por: Fernando Marin



   Uma das maiores preocupações da sociedade, hoje, é sem dúvidas a questão do consumo das drogas. Principalmente, o das chamadas “não lícitas”,  que tem trazido uma série de malefícios, mortes e, principalmente,  vem incrementado a marginalidade, justamente pelo seu aspecto de ilicitude.

   Pouco se tem feito com vistas a controlar essa verdadeira epidemia que está cada vez mais destruindo vidas. Na  verdade, nem se sabe o que fazer, já que essa dependência tem cura a partir do momento em que o dependente toma uma decisão pessoal de deixar o vício. Já se partiu, inclusive , para a internação compulsória, como forma de esvaziar as “cracolândias” que se espalham pelas nossas cidades, embora sem muitos resultados positivos nem perspectivas de um futuro melhor.

   Na verdade, creio, pessoalmente, que a única maneira de se erradicar esse mal seria acabar de vez com o tráfico  a nível mundial, embora eu mesmo saiba das dificuldades em se conseguir essa solução, mesmo a nível local.

   E aí que aparecem sugestões para que se descriminalize o uso da maconha, droga tida como de efeitos leves, mas, no meu entendimento, uma porta de entrada para o consumo das chamadas drogas pesadas, como a cocaína e a pior de todas elas, o crack, fácil de se obter e barato, acessível a todas as classes sociais, e justamente  a mais perigosa . Os defensores da legalização da maconha alegam que seu consumo já deixou de ser crime em vários países do mundo e em alguns estados norte-americanos, e que essa legalização acabou com a criminalidade que envolve o tráfico.

   Porém, lendo o jornal O Globo, do dia 31 de dezembro último, me deparei com um artigo, escrito pelo deputado federal Osmar Terra (PMDB-RS), que, em um sério trabalho de pesquisa, desmistifica toda essa questão, e demonstra claramente que a criminalidade, nesses lugares, até aumentou depois da legalização. Por isso, transcrevo o artigo, para que todos possam tomar conhecimento dele e formar opinião sobre essa verdadeira carnificina que se abateu sobre toda a sociedade mundial.

Enfrentar ou liberar as drogas?

   O dilema entre enfrentar ou liberar as drogas no Brasil exige mais do que uma opinião ideológica ou sociológica sobre o tema. Exige conhecimento da história, das pesquisas científicas mais atuais, do porquê e como um ser humano fica dependente das drogas, das políticas públicas e da experiência das famílias que vivem esse drama.

   Sem pretensão de fazer aqui um tratado sobre o tema, posso dizer que um ponto central desse conhecimento científico sobre as drogas, e que é rigorosamente ignorado pelos defensores da liberação, é o de que a dependência química produz uma mudança estrutural, definitiva, no cérebro humano.

   Fruto do estímulo continuado da droga, é produzido um novo tipo de memória de longo prazo da sensação causada, com novas conexões entre os neurônios no centro de recompensa cerebral, e que permanecerá para o resto da vida. Obedecendo a um mecanismo ancestral de sobrevivência, essa estrutura modificada passa a comandar a motivação do dependente e irá direcionar seus interesses e ações na busca da droga, em detrimento de todas as demais atividades. Mesmo tratado, o dependente recairá de forma cíclica, e a vitória maior será mantê-lo em abstinência prolongada. Assim funciona com qualquer droga. Do cigarro ao crack, passando pelo álcool e a maconha. Todas atuam na mesma região do cérebro com as mesmas consequências. O que varia é a rapidez e a intensidade com que isso acontece.

   Tais alterações, depois de estabelecidas, caracterizam uma forma de doença crônica, até agora incurável, e que exigirá cuidados médicos permanentes. Junto com isso, temos um percentual elevado de portadores de alguma outra forma de transtorno mental (ao redor de 20% da população), que são muito mais vulneráveis À dependência química do que os não portadores. A Organização Mundial da Saúde (OMS) produziu um livro com consensos científicos internacionais sobre o assunto, “ Neurociência do uso e da dependência de substancias psicoativas” (Editora Roca), que pode ser consultado.

   Na minha opinião, como médico estudioso do assunto, como secretário estadual da Saúde que fui por oito anos no Rio Grande do Sul e ex-presidente do conselho Nacional dos Secretários de Saúde, afirmo que estamos diante do mais grave problema de saúde pública e de segurança no Brasil. A progressiva liberação das drogas produzirá uma oferta ampliada e multiplicará rapidamente o número de dependentes. Criaremos uma enorme legião de doentes crônicos, com dificílima readaptação a uma vida produtiva. E com custos humanos e financeiros extraordinários para o Brasil.

   Entendo que a liberação seria muito mais desumana e onerosa para o país que qualquer forma de enfrentamento ao tráfico.

   Até porque, liberadas, as drogas seriam “traficadas” por grandes indústrias e teriam uma oferta colossal.

   Todos os países que liberaram as drogas, como a Suécia, até 1969, e a China, no século XIX, tiveram que voltar atrás, em função dos problemas sociais e de segurança, e tem hoje leis duríssimas sobre o assunto. As experiências pontuais de liberação parcial do uso como a de Portugal fracassaram, aumentando o número de dependentes em tratamento e multiplicando os homicídios. Vide relatórios do Instituto Nacional de Administração (INA, dezembro de 2004), do governo português. Ao contrário do que afirmam os defensores da liberação, nos países que tomaram medidas mais firmes contra o consumo de drogas, como a Suécia e EUA, houve diminuição de dependentes e de homicídios. Desde a década de 80 os homicídios caíram pela metade nos EUA e na Suécia morrem assassinadas 30 vezes menos pessoas, proporcionalmente, que no Brasil. Em outras palavras, se aqui tivéssemos as taxas de homicídios da Suécia, 48 mil pessoas deixariam de morrer assassinadas a cada ano.

   Com essa visão, e acompanhando o sofrimento de muitas famílias é que me motivei a propor as mudanças na lei sobre as drogas, enfrentando, e não liberando seu consumo. Elas deverão ser votadas ainda no primeiro semestre de 2013 na Câmara dos Deputados.

Osmar Terra


quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Ano Novo, Vida Nova?




                                                                                    Por: Fernando Marin


   Passado o Natal, as ruas voltam a se encher de gente, agora numa tentativa de se trocarem os presentes que, por algum motivo, não serviram, ou pela cor indesejada, por tamanho diferente. Nas lojas, os vendedores ainda fazem algumas vendas, atendendo a essa demanda de trocas, melhoram um pouco o valor das suas comissões, afinal o espírito do Natal ainda está no ar.

   Em poucas horas, as vitrines das lojas se encherão de roupas brancas, que exprimem a esperança de tempos melhores no novo ano que se inicia. Aumentam as vendas de espumantes, romãs, frutas diversas, lentilhas, mitos que se repetem e que são tidos como de “boa sorte” para que iniciemos o ano novo com paz, alegria e a certeza do sucesso.

   Porém, a única certeza que levamos para o ano novo é a da fidelidade de Deus, o que aprendemos com o texto bíblico de Êxodo 34.6, que diz:  “Então Deus passou diante de Moisés e disse em voz alta: — Eu sou o SENHOR, o Deus Eterno! Eu tenho compaixão e misericórdia, não fico irado com facilidade, e a minha fidelidade e o meu amor são tão grandes, que não podem ser medidos.”

   “Deus é fiel” é uma afirmação comum em nossos dias, vemos e ouvimos essa afirmação com frequência ao nosso redor. Quem nunca testemunhou essa citação em alguns adesivos de carro pelas ruas de nossas cidades?

   Mas a pergunta é:  somos fiéis a Deus? Particularmente nunca vi um adesivo que afirme “Eu sou fiel a Deus”...

   Mesmo assim continuamos, em cada amanhecer, constatando da fidelidade de Deus em nossas vidas. Mas, se sabemos que Ele é fiel, por que temos medo do amanhã, do novo?

   Devemos gastar nossas energias diante de um novo tempo nos preocupando com outras ações, na certeza que Deus tem cuidado de cada um de nós.

   Depois que colocamos as nossas vidas nas mãos Dele, basta confiarmos na Sua fidelidade e descansarmos, afinal, é na própria Bíblia que lemos “Ponha a sua vida nas mãos do SENHOR, confie nele, e ele o ajudará.” (Salmos 37.5 NTLH).

   Nossos medos e problemas agora estão sobre os ombros Dele, não precisamos mais carregá-los sozinhos, e nem devemos temer o futuro , enfrentemos o novo tempo que se inicia com fé e confiantes no cuidado de Deus para conosco.

   Tendo esse pensamento como base, creio que deveríamos entrar nesse ano novo tomando três inciativas importantes:

Em primeiro lugar, enfrentemos a vida com fé.
   Quando o povo hebreu, fugindo do exército de Faraó, se depara com um novo obstáculo em seu caminho, o mar, cobra de Moisés uma solução. Moisés, então, ouve de Deus: “ Por que você está me pedindo ajuda? Diga ao povo que marche.” (Êxodo 14.15).

   Só havia um caminho a seguir, e uma atitude a tomar, mas o povo clamava a Deus e nada fazia... Então o Senhor disse ao povo: marchem! Nenhum mar em nossas vidas vai se abrir sem que marchemos, sem que a planta de nossos pés pise em terras desconhecidas.

   Devemos marchar em frente! Não fiquemos só clamando a Deus por nosso futuro, pois Ele nos diz hoje também: marchem!  Marchemos como filhos de Deus, sigamos em frente confiantes, certos de que Ele não nos abandonará, jamais!

Em segundo lugar, diante do novo tempo devemos observar, onde temos ‘descansado’ as nossas mãos?
   No Evangelho de Lucas 9:61-62, vemos Jesus pondo à prova um jovem que queria seguir junto com ele a jornada de um novo tempo, mas que se inquietava em despedir-se dos parentes a continuar a marcha.

  A resposta de Jesus nos faz lembrar de onde temos descansando as nossas mãos. O Mestre disse: “Ninguém que, tendo posto a mão no arado, olha para trás é apto para o Reino de Deus” (Lucas 9.62).

   Uns têm descansado as mãos no bolso, outros embaixo dos braços, outros na vida alheia, outros em maus sentimentos...

   Deus nos chama a colocar a mão no arado, na construção do novo campo, na preparação do novo terreno, na responsabilidade de semear as sementes que serão os frutos do amanhã.

   “Por a mão no arado” é sinal de compromisso com Deus ,que é fiel, é comprometer-se com  o novo tempo, com a vida, com o caminhar em frente, com o construir uma nova etapa da nossa existência.

   Hoje, se posso estar aqui e compartilhar essas palavras com todos, é porque escolhi pelo arado e não olhei para trás, prossegui em frente, aprendendo mais a cada dia, superando as barreiras e dificuldades que se impõem a cada nova manhã.

    Diante de nossa nova jornada, nada deve nos fazer voltar atrás ,a marcha exige de nós compromisso! Não olhemos para o que passou com o desejo da volta, olhemos para frente e trabalhemos confiantes!
Marchemos na certeza que diante do novo tempo temos que ter confiança em um futuro melhor, para nós e para os outros, também.

Terceiro lugar: temos que ter uma direção, um propósito, um ideal.
   Ninguém chega a lugar nenhum se não marchar na direção de um ideal, pois sem a direção do alvo nos perdemos pelo caminho.

   O apóstolo Paulo na carta aos Filipenses, capítulo 3:13-16, nos ajuda e indica que devemos avançar para as coisas que estão diante de nós, prosseguindo para o alvo, para o prêmio que nos é oferecido por Jesus:
“Porém uma coisa eu faço: esqueço aquilo que fica para trás e avanço para o que está na minha frente.”

   Estamos satisfeitos onde estamos e como estamos, ou temos nos dirigido ao ideal que traçamos em nossos sonhos? A nossa marcha aponta em sua direção?

   Meus queridos amigos, marchemos! Coloquemos a mão no arado! Avancemos para o alvo! Deus tem cuidado de nós. Cabe-nos escolher se queremos que Ele cuide de nós ou não. A escolha é nossa...
Ele continua o mesmo; sempre Fiel e grande em misericórdia.

   Que neste ano de 2014 possamos Marchar, nos Comprometermos e Prosseguirmos para o alvo , todos!

   Mas, para atingirmos o sucesso,  vão algumas dicas que devem pautar a nossa vida nessa nova etapa:

1. Não levemos para o novo ano qualquer dos eventos do passado, pois eles não realizam ou agregam, e se tornam pesos mortos, difíceis de carregar : “Mas agora o SENHOR Deus diz ao seu povo: ‘Não fiquem lembrando do que aconteceu no passado, não continuem pensando nas coisas que fiz há muito tempo’ (Isaías 43:18-19)"

   Devemos ser gratos pelo ano passado, afinal, ele foi uma dádiva de Deus para nós. Estamos vivos, o que não é pouco. Quando olhamos para janeiro passado, notamos que não realizamos todas as coisas que queríamos, mas conseguimos algumas delas.

   Podemos não ter tido a saúde que gostaríamos, mas chegamos até aqui. Parte do que não realizamos é culpa nossa mesmo, logo não podemos nos queixar. O que nos cabe fazer, é uma mudança de atitudes, para que possamos concretizar nossos sonhos e ideais nesse novo ano que se inicia.

2. Aceitemos o fato de que tudo é possível para aquele que acredita, mas os resultados nascem em sua mente, tal qual o salto em distância toma forma antes que o atleta comece a correr.

   “O Deus que ressuscita os mortos e faz com que exista o que não existia.” ( Romanos 4.17).

    Sonhar, planejar.

   Apesar de nossas falhas em cumprirmos compromissos, eles diante de nós são como os mapas do caminho, precisamos tê-los para chegar onde queremos.

   Não devemos firmar compromissos vagos (do tipo "vou ser uma pessoa melhor no ano que vem").

   Também não devemos nos comprometer com o que os outros se comprometem, mas com o que Deus toca no nosso coração para nos comprometermos.

    Não devemos  anunciar compromissos que envolvam os outros, mas os que dependem de nós (não posso fazer dívidas para outros pagarem). Devemos saber onde queremos estar no final deste novo ano, devemos imaginar como queremos estar ao final do novo ano.

   Se estamos satisfeitos com o que alcançamos, não há muito o que fazer. Se podemos ser melhores, há muito a ser feito. Há muito mais para cada um de nós, em todas as áreas da vida..

3. Afastemos de nossas mentes os antigos medos, rancores, mágoas e desconfianças. As pessoas não são suas inimigas, somente agem com a mesma fragilidade que você. Amá-las transforma suas vidas.

    ” No amor não há medo; o amor que é totalmente verdadeiro afasta o medo. Portanto, aquele que sente medo não tem no seu coração o amor totalmente verdadeiro, porque o medo mostra que existe castigo” (I João 4:18).

Quando conhecemos o amor de Deus, não temos mais medo de nada, o  Seu perfeito amor lança fora o nosso medo, afinal, Ele é fiel não é?

4. Perdoemos aqueles que nos magoaram, tiraram algo de nós. Joguemos fora todos os planos de vingança. A raiz de amargura não vai machucar nem enfraquecer os seus opositores, mas irá reduzir – isso sim – a nossa capacidade de criar, sonhar e viver.

. “Tomem cuidado para que ninguém abandone a graça de Deus. Cuidado, para que ninguém se torne como uma planta amarga que cresce e prejudica muita gente com o seu veneno” (Hebreus 12:15).
   
   A falta de perdão causa doenças, enfermidades físicas e psíquicas. Quando perdoamos alguém que nos machucou, nos livramos de um grande estresse interior, o que nos transforma em pessoas melhores e saudáveis.

5. Vivamos cada dia como se fosse único, extraindo dele o melhor, pois, a rigor, não existe um ano, um mês, uma semana, mas dias, horas, minutos e segundos, que devem se aproveitados.
” Este é o dia da vitória de Deus, o SENHOR; que seja para nós um dia de felicidade e alegria!” (Sl 118:24).

   A vida é uma dádiva que recebemos, e que devemos viver com intensidade, dentro dos princípios éticos e morais que devem norteá-la, convivendo em sociedade e sendo úteis aos demais.

6. Sejamos gratos em relação a cada pequena coisa, e nunca deixemos de apreciar o sol, a luz, as estrelas e a maravilha da criação, que mostram a glória de Deus.
“O céu anuncia a glória de Deus e nos mostra aquilo que as suas mãos fizeram.”  (Salmos 19:1).

   A perfeição da natureza, a grandeza infinita do Universo.

   Imagine que se viajássemos à velocidade da luz (300 mil km/seg, ou 9 trilhões e meio de km/ano), levaríamos 10 bilhões de anos para chegar ao ponto mais distante que conseguimos enxergar com um telescópio!

   A grandeza da Criação aponta para um Criador infinitamente maior!

   Aprendamos a apreciar tudo de bom que a natureza nos proporciona, de forma responsável, de modo a reverenciarmos a grandeza de Deus expressa em toda a sua perfeição.

   O cientista Isaac Newton dizia que “A natureza se levanta e, em alta voz, canta louvores ao Criador, até os lugares mais distantes”.

7. Escolhamos parceiros certos, dos quais o mais positivo é o próprio Deus, que não nos chama de servos, mas de amigos.

   “Vocês são meus amigos se fazem o que eu mando”.  (João15:14).

   Essa é a diferença entre ser servo e amigo:  servos, simplesmente fazem o serviço que for designado, já o amigo tem a nossa confiança.

   Ao amigo revelamos nossos planos, compartilhamos nossa vida com ele. Procure se cercar de pessoas confiáveis, responsáveis, honestas, que possam ajudar na sua trajetória rumo a uma vida melhor. Faça o maior número de amigos que conseguir, eles estarão sempre ao seu lado, ajudando, orientando e amparando nos momentos de necessidade. E não se esqueça de que Jesus é o melhor de todos os amigos!

   Que em todos os momentos deste novo ano nós nunca deixemos de sonhar com um mundo melhor ; mas, ao mesmo tempo, que não nos entreguemos quando as coisas não forem tão bem assim.

   E sobretudo, que nos momentos de alegria ou de tristeza, de bem-estar ou sofrimento, de vitórias ou derrotas, possamos crescer juntos, nos alegrarmos juntos e nos ampararmos uns aos outros. 

   Que todos tenhamos um Feliz Ano Novo!!

Fernando Marin




domingo, 16 de dezembro de 2012

Então é Natal !





                
                                                                                                 Por: Fernando Marin

   Nessa época do ano, sempre me vem à mente fatos da minha infância acerca do Natal, aquelas coisas que criança guarda na memória, e que nunca mais saem de lá. Me lembro de que gostava de ir à casa de meus avós, porque lá havia uma árvore de natal com lâmpadas compridas que, quando ligadas, formavam bolhas coloridas no interior dos bulbos, eu amava aquelas lâmpadas.

   Me lembro, ainda, dos presentes que iam se acumulando, aguardando o dia 24 de dezembro, após a ceia, para que fossem distribuídos e abertos. Na noite de Natal, casa cheia, a ansiedade sempre era muito grande, imaginava, diante de todos aqueles pacotes, quais me caberiam, se os maiores, se os menores, ou os mais bonitos.

   Crescemos, mas, as lembranças permanecem, daquele tempo em que tirávamos fotografias com Papai Noel, um pobre homem vestido de vermelho com roupas polares em pleno verão carioca!

   Quem não sente saudades desse tempo?

   Mas, crescemos, e logo descobrimos que Papai Noel não existe, nunca existiu. Aprendemos a olhar o Natal com olhos mais espirituais, a entendermos qual é o seu verdadeiro significado, quebra-se aquele encanto de criança, mas, surge a reflexão do adulto.

   Todos os anos, o mês de dezembro se destaca por ser o escolhido para celebrarmos o Natal, o nascimento de Jesus, o Cristo, que veio ao mundo para cumprir uma missão de amor, a de dar a sua própria vida para que nós, hoje, pudéssemos novamente sermos chamados de Filhos de Deus.

   Sabemos que a data de 25 de dezembro não é a do nascimento de Jesus, por uma série de razões geográficas e históricas, mas, isso pouco importa, o que importa é que celebremos a vinda daquele que é o Senhor de todas as coisas, e que pregou o amor e a humildade acima de tudo, o que se deu em amor por nós, sofreu e morreu naquela cruz para que todos pudéssemos viver eternamente.

   Porém, com o passar do tempo, essa data tão significativa para muitos perdeu o foco, o Natal hoje é visto como época de altas vendas, por parte do comércio, de celebrações alcoólicas, de troca de presentes de amigo secreto, de festas e de comilanças, não são muitos os que o celebram conscientes da importância dessa data, e do que ela trouxe para a humanidade.

   As cidades, lojas, casas, estão cheias de luzes coloridas, os shoppings, lotados, as pessoas correndo em busca dos presentes para serem entregues, poucos sabem porque, por tradição, somente.

    Restaurantes, bares, repletos, jantares de confraternização, festas e todo tipo de celebração, antes que venham os feriados, os esperados feriados de final de ano, em que muitos poderão viajar, aproveitar umas férias merecidas, tudo isso oferecido pelo Natal.

   Nas ruas, um enorme movimento de pessoas, ávidas por gastarem o seu décimo terceiro salário anual, buscam por ofertas ou pelo seu sonho de consumo, tudo em nome do Natal. Ainda ontem, no telejornal local, um comerciante protestava contra a prefeitura da sua cidade porque as ruas não estavam enfeitadas como deveriam, já que, se estivessem, estimulariam as pessoas a comprarem mais, a gastarem, o que faz a alegria dos lojistas.

   Os shoppings investem milhões, em decoração natalina, em uma competição entre eles por mais clientes. Árvores de natal gigantescas são montadas, com custo altíssimo, como forma de explorar publicidade, tudo em nome do Natal.

   Mas, será que isso é o Natal?

   Creio que o Natal não tem a ver com consumismo. Claro que as pessoas devem, sim, enfeitar as suas casas, mas, também deveriam adornar os seus corações, se preparando para comemorar a vinda de Jesus.

   Natal é celebração do amor, da paz, da família. A Ceia é uma oportunidade de estarmos reunidos em comunhão para refletirmos sobre o real significado da data para todos nós, afinal Jesus nasceu! Ele veio para libertar-nos da opressão, dar visão aos cegos, para livrar-nos da escravidão imposta pelo pecado, que nos afastava de Deus!

  Ele veio a este mundo, Deus em forma humana, para que fossemos curados das nossas enfermidades físicas e espirituais, sofreu e morreu para que nós pudéssemos ter a vida eterna, tudo isso por amor !

   Natal é tempo de  lembrar dos pobres, dos excluídos, de todos aqueles a quem Jesus também amou, alimentou , curou.

   O amor é a tônica do Natal. É tempo de refletir, é tempo de mudar, é tempo de agir.

   Feliz Natal para todos!

Fernando Marin

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

O Valor de Uma Amizade






                   

                                                                                                        Por: Fernando Marin


Ao sair ontem à noite para um compromisso, não pude deixar de reparar na lua, que se apresentava na sua forma mais bela, cheia, iluminando tudo ao seu redor com aquele brilho pálido mas, ao mesmo tempo, fulgurante.

Não sei se isso ocorre a todos, mas, a mim, a lua trás uma sensação  de paz , meditação,  exteriorização de sentimentos, a lua me faz abrir o coração.

Continuando no meu trajeto, à beira mar, me chamou a atenção a quantidade de pessoas que estavam nos bares, restaurantes ou mesmo que caminhavam sob aquela luz refletida pelo nosso satélite natural, acho que a lua encanta a todos, principalmente quando espalha aquela prata sobre as ondas do mar.

Pus-me a refletir sobre a vida, acerca das pessoas. Os humanos são seres relacionais, criados para conviver em famílias, em grupos. Daí, inclusive, a ideia da igreja, uma comunidade de indivíduos que expressam a mesma fé, e que convivem em um ajuntamento compartilhando mais dessa fé, aprendendo e ensinando acerca dela. Ali, na igreja, nascem grandes amizades, amizades essas que são baseadas no amor de Cristo, amizades duradouras, eternas.

Mas, existem muitas ‘categorias’ de amigos. Há aqueles de fim de semana, que encontramos por poucas vezes, há outros com os quais nos achegamos mais, há, ainda, a mais sublime de todas elas, a dos melhores amigos. Quando digo melhores amigos, me refiro àquela categoria especial, àqueles com quem amamos estar , compartilhar das nossas alegrias, tristezas, abrirmos os nossos corações, àqueles que são raros e caros, difíceis de se conseguir.

As amizades são fundamentais nas nossas vidas. A família, por si só, não pode nos suprir de todas as nossas necessidades de afeto, ou de confiança. Por isso, dizem que Deus criou os amigos, eles seriam anjos encarregados de nos cuidarem e ouvirem, ajudarem e orientarem, e para até mesmo nos carregarem, se for preciso.  É a própria Bíblia quem diz em Provérbios 18.24 que “  Algumas amizades não duram nada, mas um verdadeiro amigo é mais chegado que um irmão.”

Aliás, há várias passagens bíblicas que enfatizam a amizade, porém , creio que a que mais nos ensina sobre ela, está no relato do livro de Jó.

No livro, Jó é descrito como um homem sério, honesto, correto e temente a Deus, embora fosse muito rico, o mais rico de todo o oriente na época. Mas, subitamente, a sua história muda completamente: Deus concede a satanás que este crie grandes sofrimentos a ele, com fins de provar a sua fidelidade.

E Jó perde tudo, seus animais, bens, filhos e filhas, empregados e até mesmo sua saúde, a Bíblia cita que ele teve todo o seu corpo coberto por feridas horríveis, o que o obrigou a se isolar, sentar-se sobre um monte de cinzas e coçar-se com um caco.

O sofrimento de Jó chega aos ouvidos de três de seus amigos, Elifaz, Bildade e Zofar, que viajaram para estarem com ele, consolá-lo, ajudá-lo. Quando viram a situação em que Jó se encontrava, diz o texto que eles começaram a gritar e chorar, e, como o costume da região, rasgaram as suas vestes e atiraram pó sobre as suas cabeças. Os amigos de Jó, compartilhando a sua tristeza e sofrimento, permaneceram sentados próximos ao amigo por sete dias, sem proferir palavra, esperando que ele se manifestasse, porque viram que sofria muito.

Nas ocasiões onde há sofrimento, cabe aos amigos a tarefa de estarem junto ao sofredor, compartilhando da sua dor, nem sempre palavras são necessárias, o mais importante é a presença que consola, trás segurança e confiança de que as coisas vão melhorar.

Depois de quebrado o silêncio inicial, os amigos de Jó o ajudaram a tentar entender toda aquela dor por que ele passava, embora não conseguissem uma resposta precisa. Não o abandonaram, permaneceram com ele, mesmo em discordância, os seus três amigos não o deixaram só. Da mesma maneira, devemos proceder com aqueles que atravessam situações de dor, de sofrimento, esse é o papel de amigos verdadeiros.

Numa situação em que a sua própria esposa o aconselhara a abandonar a Deus e morrer, os amigos fizeram toda a diferença na vida de Jó, estando juntos a ele, tentando descobrir o que teria causado toda aquela dor, até que, o maior de todos os nossos amigos, Deus, se manifestou e, no final de tudo, restituiu em dobro tudo aquilo o que Jó havia perdido, fazendo-o recuperar a felicidade e a alegria.

Em momentos de sofrimento, de dor, faz-se mais do que necessária a presença dos amigos, amigos verdadeiros, que nos compreendam, nos entendam, nos ouçam ou que compartilhem do nosso silêncio, que nos ajudem a aguardar que aquela “tempestade” passe, e que o sol volte a brilhar sobre as nossas vidas.

Mas, como dizia o velho poeta, “ a vida é a arte do encontro, embora existam tantos desencontros pela vida”, um dia, sem aviso , amigos podem se distanciar,  a vida às vezes os afasta de nós, do nosso convívio, mas, não do nosso coração.

Volto para a lua, responsável direta por tudo o que escrevo hoje. Como disse, ela cria , em mim, a capacidade de me fazer sonhar, refletir, meditar. Ela continuará no céu, mesmo que não a vejamos, ela continuará por lá, por outros lugares, assim como amigos distantes, espalhando a sua prata sobre o mar, inspirando outras pessoas a sonharem, a meditarem. Mesmo que não esteja ao alcance dos nossos olhos, a lua continuará a, de alguma forma, ajudar , mesmo que seja com a sua lembrança, a exteriorizar sentimentos, sonhos, reflexões.

E fica a saudade de amigos que se foram, se foram da nossa vista, mas, não do coração. Com certeza, hoje eles devem estar como a lua, prateando outras águas, iluminando outros horizontes, fazendo a diferença nas vidas de outras pessoas, como anjos , ajudando, amparando a quem deles necessite.

Fernando Marin